Capítulo 2

Ponto de vista de Rowan

— Quem você pensa que é? Você não tem o direito de exigir um pedido de desculpas meu.

Esfrego o pulso onde a pegada dele deixou uma marca, com a voz completamente controlada. Beau só fica ali, paralisado.

Três anos juntos, e eu desempenhei o mesmo papel o tempo todo.

Ele cresceu sem nada e nunca superou isso, então eu passei todos os dias pisando em ovos em torno daquele ego dele, tomando cuidado para nunca fazê-lo se sentir menor. Esta viagem, o fretamento inteiro, cada centavo saiu do meu bolso. E ele ficou ali na frente da Sadie e disse a ela que tinha planejado tudo sozinho. Uma surpresa de formatura, só para ela.

— Rowan, por favor, não fica brava com ele, a culpa é toda minha... — os olhos de Sadie ficam vermelhos na hora, as lágrimas já transbordando. — Se eu estar aqui está deixando as coisas tão ruins, talvez seja melhor eu pular no mar.

Ela deriva em direção ao corrimão enquanto diz isso, só o bastante para parecer convincente.

— Vai em frente. — Cruzo os braços e observo. — A água aqui tem uns dezoito metros de profundidade, correnteza forte. Se você cair, eu prometo que nem vai fazer barulho. Quer que eu faça a contagem regressiva?

O choro para na hora.

Ela me encara como se eu tivesse falado outra língua. Como se não conseguisse processar o que está ouvindo. A Rowan que ela conhece desmorona no segundo em que ela chora. Sempre foi assim.

— Rowan, o que deu em você?! — Beau perde completamente a linha. Ele se põe na frente de Sadie, protegendo-a, e vem até a minha cara. — Você tem noção de como isso foi cruel? Ela é sensível, e você vai simplesmente ficar aí e dizer isso pra ela? Eu aguento sua atitude há muito tempo, mas você vai pedir desculpas pra ela agora mesmo.

Dou uma risada curta.

— Sensível? Ela estava literalmente tentando pegar um polvo venenoso com as mãos nuas cinco minutos atrás.

— Beau, você está se ouvindo? Este iate custa trinta mil dólares por dia, e sou eu que estou pagando. Esse short de banho que você está usando? Fui eu que comprei. Esse cartão de crédito que você vive estourando? Sou eu que cubro. Você está gastando o meu dinheiro pra bancar o bonzão na frente da Sadie, e agora quer que eu peça desculpas pra ela?

O rosto dele fica vermelho imediatamente.

Ele odeia quando chamam atenção para o dinheiro. Sempre odiou. É a única coisa que ele não consegue contornar na conversa.

— Isso é uma puta mentira! É sério que é só isso que isso significa pra você? Só dinheiro? — a voz dele falha na última palavra.

— É. E já que é só isso, eu terminei de gastar com você. — Encaro-o de frente. — Acabou, Beau. Você está demitido.

— Acabou? — Ele pisca. Então solta uma risada fria. — Rowan, não age como se terminar comigo fosse algum golpe de poder. Você acha que é tão especial assim? Boa sorte pra achar alguém que aguente você.

— Pensa o que quiser.

Eu já cansei dessa conversa. Viro e entro na cabine de comando, pego o rádio e falo com o marinheiro. — Mudança de planos. Não vamos pra mar aberto. Leva a gente direto pro porto mais próximo, Carr Reef. Preciso desembarcar duas pessoas.

— Rowan, não se atreva. — Beau invade atrás de mim e vai direto para o leme.

Eu arranco o machado de incêndio da parede e desço ele com força no console.

— Tenta de novo. Estamos em águas internacionais e eu tenho autoridade total sobre este barco. Encosta nesse leme mais uma vez que eu mesma te amarro e te jogo no porão.

Isso acerta em cheio. Ele engole seco, dá dois passos para trás, o maxilar travado.

Nessa hora, Sadie enfia a cabeça pela porta, do lado de fora. — Beau, eu não quero ir pra uma ilhota de abastecimento! Eu li na internet que tem um lugar mais à frente chamado Recife do Diabo, totalmente inexplorado, e dizem que os corais lá são incríveis. A gente pode ir? Eu já até troquei pra roupa de banho!

Olho para ela.

Ela está com um biquíni que não deixa nada para a imaginação, segurando um kit de snorkel barato. Nem de longe equipamento de mergulho adequado.

— Recife do Diabo. — Mantenho a voz neutra. — Não mapeado. Rochas escondidas por toda parte, correntes imprevisíveis, peixes predadores grandes. Sem uma tripulação profissional e o equipamento certo, você estaria entrando direto numa armadilha mortal.

— Você só não quer levar a gente! — Sadie não larga o osso. — Beau, tá vendo como ela é? Ela tá com ciúmes. Não quer que eu poste fotos melhores que as dela.

— Não se preocupa com isso, Sadie, eu te garanto. — Beau se recompõe o suficiente para me encarar. — Rowan, estou te falando pela última vez. Leva a gente pro Recife do Diabo. Ou, quando a gente voltar pros Estados Unidos, você vai se arrepender disso.

— A gente já terminou. Não tem por que esperar chegar em casa. — Pego os dois pelos ombros e empurro para fora. — Parabéns, vocês dois. Falo sério.

A porta tranca atrás deles.

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