Capítulo 2

Depois daquela noite na Torre do Observatório, eu virei um alvo ambulante para todas as garotas do campus.

Boatos cruéis sobre mim se espalharam pela Academia como fogo em palha seca.

Algumas diziam que eu vinha praticando em segredo magia de encantamento proibida, enrolando vários alunos veteranos e, mesmo assim, me atirando para cima do Bradley a portas fechadas.

Outras sussurravam que eu fazia o papel de bolsista aplicada durante o dia, mas à noite escapulia para as tavernas da Cidade Baixa, me vendendo para mercenários e alquimistas para pagar a mensalidade.

A versão mais ridícula alegava que eu era o brinquedinho mantido de algum membro inchado do Conselho de Curadores da Academia — o que supostamente explicava por que eu desprezava todos os jovens magos dali.

Resumindo: tanto para os professores quanto para os meus colegas, eu tinha me tornado algo imundo. Algo passado de mão em mão. Maculado.

Eu sabia exatamente onde tudo tinha começado: minha colega de quarto, Elara, e o seu grupinho.

Elas invejavam o fato de Bradley se importar comigo. Odiavam que eu tivesse conquistado sem esforço a atenção que elas desejavam com desespero, só para esfregar aquilo na cara dele na frente de todo mundo.

Eu fiquei calada. Não me defendi uma única vez.

Eu o tinha visto como o sol, e eu sabia bem demais o que eu realmente era. Foi por isso que o rejeitei — eu me recusei a arrastá-lo para baixo, para a escuridão sufocante do Cânion Mistwood.

Quanto à minha reputação destruída — sinceramente, todo homem que morreu gritando naquele cânion tinha visto as mulheres da nossa tribo em seu estado mais selvagem e sedento de sangue.

Medusas nunca deram a mínima para noções humanas de virtude ou decoro.

Alguns dias depois de os boatos terem se enroscado em cada canto da Academia, um tsuru de papel encantado bicou a minha janela.

Uma mensagem do Bradley. Ele estava preocupado comigo, queria limpar meu nome publicamente e pediu que eu o encontrasse na Praça da Luz Estelar, na capital.

Ele estava exatamente como eu lembrava — radiante naquela camisa branca familiar com bordados prateados, limpo e luminoso, com aquele rosto perfeito.

No instante em que me sentei, Bradley deslizou um copo de sidra gelada de maçã dourada na minha direção, a culpa inundando sua expressão. Disse que não deveria ter sido tão imprudente naquela celebração, que tinha ignorado meus sentimentos e feito com que as pessoas despedaçassem o meu nome.

— Cecilia, me perdoa. Se você nem beber isso, quer dizer que ainda não me perdoou. — O tom dele era dolorosamente sincero, quase autodepreciativo.

O copo gelado umedeceu a ponta dos meus dedos. Como Medusa, eu deveria estar em alerta máximo com qualquer coisa que eu consumisse.

Mas, ao ver aquela culpa crua nos olhos dele e lembrar que, no fim, eu ia drená-lo de qualquer jeito, um tipo distorcido de vergonha esmagou a minha cautela.

Eu não hesitei. Levantei o copo e virei de uma vez, depois sorri para ele.

— Tudo bem. Eu não te culpo.

A verdade era que, de certo ponto de vista, se eu não encontrasse um substituto antes do prazo, eu não teria escolha a não ser voltar para a tribo e lidar com meus parentes obcecados por reprodução.

Quando esse momento chegasse, eu também seria “passada de mão em mão”.

Ao me ver beber, Bradley relaxou visivelmente. Então me puxou para o meio da multidão da praça.

Deixando de lado a maldição pairando sobre mim, realmente era um dia saído de um sonho.

Ele me levou pelos mercados flutuantes cintilantes, alimentou peixes mágicos brilhantes na fonte dos desejos e me levou para assistir ao grande espetáculo aéreo de grifos.

Ele foi impecavelmente atencioso — me protegendo do aperto da multidão, comprando em silêncio bugigangas encantadas nas quais eu tinha pousado o olhar por um segundo a mais.

A atmosfera estava tão perfeita que criava uma ilusão. Por um momento, esqueci toda a magia sombria e a morte que saturavam o Cânion Mistwood, querendo apenas me perder naquela fantasia doce em que eu não precisava carregar meu destino amaldiçoado.

Durante a apresentação noturna dos grifos, de pé no meio da plateia, ele naturalmente pegou minha mão e a apertou com força.

Sentindo o calor ardente da palma dele, meu coração disparou fora de controle. Por puro egoísmo, eu não consegui me obrigar a puxar a mão de volta.

Mas, logo depois que o show acabou, uma vertigem violenta me atingiu. E não só isso — um calor incontrolável irrompeu pelas minhas veias como magma, e minhas pernas ficaram tão fracas que eu mal conseguia me manter de pé.

Bradley me segurou quando eu cambaleei, e, ansioso, me levou para uma hospedaria elegante ali perto para eu descansar.

Assim que a porta se fechou, ele me deitou na cama e se inclinou para enxugar o suor da minha testa.

Aquele calor de magma tinha incinerado por completo a minha razão. Em circunstâncias normais, eu teria ficado em alerta na mesma hora, mas naquele momento, encarando de tão perto os olhos preocupados dele, ergui as mãos e enrosquei os braços em volta do pescoço de Bradley.

Eu não era como os outros do cânion que tratavam homens como presa. Eu sempre mantivera uma lucidez perfeita, supostamente imune à carne humana. Mas naquela noite, eu estava disposta.

Eu sabia que havia algo muito errado com o meu corpo, mas eu simplesmente não queria afastá-lo.

Entre ondas de paixão, encarei o rosto bonito de Bradley com um único pensamento: Se tiver que ser alguém, que seja ele.

Considere como um último capricho antes de voltar para aquele cânion sem sol. Melhor entregar minha primeira vez a esse corpo forte e saudável, irradiando pura magia do fogo, do que àqueles machos meio mortos, fedendo a morte, lá de casa.

Depois que a paixão se dissipou, um cansaço esmagador me arrastou para um sono profundo.

Até algum momento depois da meia-noite, quando vozes deliberadamente abafadas me puxaram para a vigília.

Bradley. Ele estava na varanda da hospedaria, segurando um cristal de comunicação que brilhava tenuemente.

Descalça, me aproximei em silêncio e me escondi nas sombras projetadas pelas cortinas.

O homem que poucas horas antes fora quente como a luz do sol agora falava num tom enjoativo e fanfarrão com quem quer que estivesse do outro lado:

— Acabei de fechar o negócio. Aquela princesa de gelo intocável de que todo mundo fala? Duas gotinhas de extrato de súcubo destilado e ela não foi diferente de uma puta de dois cobres da Cidade Baixa.

Ele olhou para a própria mão com um sorriso de canto, nostálgico. — Tenho que admitir, viu: rosto e corpo são de primeira. Valeu cada segundo.

— ...Relaxa, tá? A reputação dela já foi pro saco. Quem mais ia encostar em mercadoria avariada daquela, além de mim? Vou manter ela por perto até eu enjoar, depois passo pra você. Os caras do clube podem ir um por um, bem devagar.

Eu não precisava ouvir o resto.

Todas aquelas noções românticas idiotas sobre atravessar fronteiras entre espécies, sobre me recusar a manchar o sol — se espalharam como cinza ao vento naquele instante.

Eu até senti as escamas de Medusa na nuca esquentarem de excitação e intenção assassina.

Voltei calmamente para a cama, reuni um fio de magia das sombras na ponta dos dedos e rabisquei uma mensagem breve no pergaminho que eu sempre carregava junto ao corpo:

[Encontrei a oferenda perfeita. Vou trazê-lo de volta para a Cerimônia da Lua Cheia.]

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