Capítulo 3 O que ela escolheu

Os portões da mansão Hill se erguiam sobre Melissa, mais imponentes do que qualquer estrutura que ela já tivesse enfrentado.

Atrás das grades de ferro preto e dos ornamentos dourados em filigrana, seguranças de rosto impassível montavam guarda em cada canto.

Ela olhou ao redor ao entrar na mansão, segurando com força a alça da sua bolsa modesta. O vestido que usava era simples, cor de creme, e um pouco gasto nas mangas. Era a melhor coisa que ela tinha.

O saguão de espera cintilava de riqueza: pisos de mármore, lustres de cristal e janelas do chão ao teto com vista para jardins impecavelmente aparados.

As damas posicionadas perto da lareira... Lucy chamava atenção num conjunto de grife, de um escarlate ousado, um testemunho silencioso do seu status.

Claire rebatia com a autoridade atemporal da lã azul-marinho e de pérolas brilhantes como o mar, e não ficaria para trás.

Stella entrou na sala com uma estética tão polida que parecia menos uma candidata e mais uma modelo de capa. De repente, Melissa se sentiu muito pequena.

Os olhos de Lucy a percorreram de cima a baixo.

— Ah — disse ela em voz alta, inclinando a cabeça. — Estão contratando babás ou empregadas domésticas?

Um riso contido se espalhou pela sala. Claire cobriu a boca com delicadeza, mas os olhos cintilaram de diversão.

Melissa sentiu o calor subir às bochechas. — Tudo bem — murmurou para si mesma.

Ela já tinha aguentado a prisão; zombaria não era nada. As grandes portas de carvalho no fim do saguão se abriram, e o silêncio caiu instantaneamente.

William Hill apareceu.

Ele vestia um terno grafite com uma despreocupação calculada, as mangas um pouco arregaçadas, e a gravata afrouxada o suficiente para sugerir um homem que não precisava seguir regras para dominar o ambiente. Nos braços, carregava uma garotinha de cachos loiros e olhos azuis.

Lily.

O ar mudou, e as candidatas se endireitaram.

Lucy ajustou a postura com sutileza, o sorriso de Claire se transformou em algo ensaiado, e Melissa apenas lançou um olhar para ele uma vez — e paralisou.

Havia algo nele que parecia familiar; não o rosto, não a voz, mas a presença. Ela sentiu um puxão estranho no peito, algo que não conseguia explicar.

Atrás de William estava seu secretário, Noah Hart, com um tablet na mão.

— Sr. Hill — disse Noah, em voz baixa, indicando a fila de candidatas. — Estas são as finalistas.

A expressão de William era fria, avaliadora, distante. Seus braços se apertaram de modo protetor ao redor de Lily.

Anna foi a primeira a dar um passo à frente, exalando confiança em cada movimento. — Tenho três doutorados em psicologia, educação e negócios — anunciou, com suavidade. — Posso estimular o desenvolvimento emocional da Lily enquanto ajudo com tarefas administrativas da sua empresa.

Ela sorriu para William de um jeito que era pura sedução.

Lucy veio em seguida. — Trabalhei com famílias de diplomatas. Entendo a criação da elite, e a Lily estaria preparada para os mais altos padrões sociais.

Claire pousou uma mão delicada sobre o peito.

— Cuidar de crianças está no meu sangue. Minha mãe foi babá particular dos filhos do presidente. Eu sei exatamente como criar jovens damas refinadas.

Cada resposta soava polida, estratégica e calculada.

O coração de Melissa batia mais alto a cada apresentação. Quando chegou a vez dela, a garganta secou, mas mesmo assim ela deu um passo à frente.

— Eu… eu não tenho nenhum diploma chique — admitiu, com os dedos tremendo de leve. — Mas eu amo crianças e, se o senhor me der uma chance, vou cuidar da Lily com todo o meu coração.

A sala ficou em silêncio. Lucy deu um sorrisinho de canto, Kevin pareceu solidário, e Melissa se preparou para a rejeição.

William a avaliou — não as roupas, não o currículo. O olhar dele demorou nela mais do que deveria.

Lá estava de novo aquele lampejo de familiaridade, mas ele não disse nada. Em vez disso, falou com calma:

— Só existe uma pessoa que vai decidir isso.

Ele ajeitou Lily nos braços.

— Quem a Lily gostar fica com o emprego.

Todos na sala se calaram. William começou a caminhar devagar pela fila de candidatas.

Anna se inclinou um pouco para a frente, estendendo os dedos bem cuidados. Em vez disso, Lily enterrou o rosto no ombro do pai.

Lucy fez uma vozinha suave, tentando parecer acolhedora. Lily franziu a testa e virou o rosto. Claire tentou um sorriso gentil, mas a expressão de Lily continuou vazia.

Uma por uma, a criança foi rejeitando todas, até William parar diante de Melissa.

Melissa não forçou um sorriso, não estendeu a mão. Seu olhar ficou em Lily.

Lily encarou Melissa por mais tempo do que havia encarado qualquer outra pessoa. William percebeu.

A criança que raramente reagia estava observando aquela mulher como se a reconhecesse. Então Lily fez algo que ninguém esperava.

Ela sorriu — um sorriso de verdade — e em seguida estendeu os bracinhos na direção de Melissa, e a sala arfou. A respiração de Melissa travou quando Lily se inclinou para a frente, insistente.

William hesitou por apenas um segundo antes de colocar Lily com cuidado nos braços dela.

No instante em que seus corpos se tocaram, Lily relaxou por completo, apoiando a cabeça no peito de Melissa como se finalmente tivesse encontrado algo que estava lhe faltando.

Melissa sentiu as lágrimas arderem nos olhos — o peso da criança, o calor, o cheiro de xampu de bebê. Seus braços se apertaram instintivamente num gesto de proteção, e uma sensação tão poderosa que quase a fez cair de joelhos.

William observou em silêncio, atônito. Lily não se afeiçoava a estranhos; mal os tolerava. E, ainda assim, ali estava ela, agarrada a Melissa como se a conhecesse desde sempre.

As outras candidatas ficaram paralisadas, a incredulidade estampada no rosto. O maxilar de Lucy se contraiu, Claire recuou rígida, e Noah pigarreou baixinho.

A voz de William rompeu o silêncio:

— Acho que agora temos a resposta.

E, assim, a sala foi se esvaziando aos poucos, com sussurros se arrastando atrás de saltos decepcionados. Melissa permaneceu ali, segurando Lily. William se aproximou, a voz mais baixa agora.

— O que você fez para ela gostar de você tão fácil? — perguntou.

Melissa balançou a cabeça de leve.

— Nada.

Os dedinhos de Lily se fecharam no tecido do vestido de Melissa, recusando-se a soltar.

William sentiu algo desconhecido se mexer dentro dele — não desconfiança, mas algo mais profundo. Os dados haviam sido lançados. O destino finalmente mostrara sua mão.

E, por motivos que ele não conseguia explicar, não ia lutar contra isso.

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