Capítulo 003.
Ponto de vista de Akira
Quando parei em frente à empresa, senti um cheiro familiar. Inspiro fundo; as paredes frias e cinzentas da Wolfie Stark Enterprises se erguiam sobre mim enquanto eu atravessava o saguão elegante, meus passos ecoando no corredor vazio. Ajustei a bolsa no ombro, puxando para baixo o vestido curto demais.
Ah, Vida, você é danada… por que me faria usar uma coisa dessas? Meus nervos formigavam de expectativa e um toque de apreensão. Era isso. Soltei um suspiro profundo: o momento para o qual eu nunca me preparei e, ainda assim, aqui estava eu, torcendo para ter a chance de me candidatar à cobiçada vaga de assistente do notoriamente frio CEO, Logan Wolfie. Que tipo de nome é esse? Wolfie… mais parece um lobo.
Quando me aproximei do balcão da recepção, não consegui evitar um pouco de nervosismo e um arrepio de temor. A recepcionista, uma mulher de uns vinte e poucos anos, de traços marcantes e olhos de aço, era bonita, mas o olhar dela era gelado.
— Horário marcado? — perguntou a recepcionista, com uma voz fria como gelo.
Engoli em seco. Se essa mulher sentada aqui, que nem é a chefe, conseguia agir assim, como será que o próprio chefe agia? Balancei a cabeça. Eu não podia alimentar medo agora. Meus dedos afundaram nas palmas quando as apertei com força para controlar o pânico.
— Não… eu não tenho horário marcado…
— Então o que você está fazendo aqui? — a voz dela ficou ainda mais fria.
— Desculpe. É que eu vi o anúncio de que o Sr. Wolfie precisa de uma assistente. Meu nome é Akira Ross.
A recepcionista nem olhou para mim. Pegou o telefone e fez uma ligação para alguém que eu não conhecia; em seguida, desligou. Digitou alguma coisa no computador, a expressão indecifrável. Fechei os olhos e, depois de um momento tenso, ela assentiu de forma seca.
— O Sr. Logan vai atendê-la agora. Pegue o elevador até o último andar e espere na primei…
Eu não ouvi o resto. Apenas assenti em agradecimento enquanto me dirigia ao elevador, com as palpitações aumentando no peito. Quando as portas se fecharam atrás de mim, não consegui afastar a sensação do que estava por vir. Logan Wolfie era infame pelo comportamento glacial e pelos padrões inflexíveis. Só de pensar que ele tinha demitido vinte e nove mulheres em menos de um mês, eu ficava arrepiada, com vontade de dar meia-volta e sair correndo. Será que eu sequer conseguiria o emprego?
O elevador subiu suavemente, levando-me à parte de cima do prédio. As portas se abriram com um ding baixo, revelando um corredor impecável, ladeado por portas de vidro modernas. Respirei fundo e saí, meus passos ecoando no mármore polido. Eu nem sabia em qual porta entrar, mas então ouvi um som vindo de uma das salas.
— Logan, que diabos há de errado com você? Temos coisas importantes para fazer e tudo o que você faz é trocar de assistente. É pra isso que eu te dei seis meses? Você está planejando ter um harém ao contrário? Porque eu sei que você está dormindo com as mulheres…
— Ah, mãe, isso aqui é um escritório. Para de me encher…
— Eu não estou te enchendo. Você tem algo importante para fazer, e você…
— Eu disse seis meses e vou fazer tudo o que você mandar. E eu me lembro de ter dito que você não devia se meter nos meus assuntos. Nem faz um mês, então não me diga o que fazer. Cai fora.
Quando me aproximei da porta no fim do corredor, as vozes ficaram mais nítidas. Era com uma mulher que ele estava discutindo. Eu quis recuar, mas era tarde demais, porque uma voz soou lá de dentro do escritório:
— Quem porra é você?
Minha mão tremeu de leve quando, involuntariamente, alcancei a maçaneta. Com um suspiro para me firmar, empurrei a porta e entrei.
— Acho que ela é uma daquelas inúmeras mulheres que você está f…
— Mãe… — ele chamou, frustrado.
— Como quiser… — disse ela, abrindo caminho e batendo no meu ombro. — Você não dura uma semana depois que ele te comer.
Engoli em seco quando a mulher bateu a porta.
— Você não sabe falar? — a voz grave, de barítono, veio em seguida, com o rosto dele ainda enterrado no computador.
Meus olhos pousaram no homem atrás da mesa, Logan Wolfie, uma figura imponente num terno perfeitamente ajustado. Eu não esperava que ele fosse tão jovem; achei que teria dezoito ou dezenove anos — e ainda por cima era bonito. Eu tinha ouvido dizer que ele era uma fera, então por que era tão bonito? A expressão dele era indecifrável enquanto me avaliava com um distanciamento frio.
Eu queria dizer alguma coisa; passei a mão nos lábios, mas a beleza dele me deixou fora de mim, e, de repente, ele ergueu a cabeça.
— Srta. Ross — disse, com a voz fria como gelo.
Fechei os olhos imediatamente ao ver a cor dos olhos dele; eles me lembravam de alguma coisa — não de alguma coisa, mas daquele lobo da noite passada.
— Sente-se.
Ao ouvir isso, engoli em seco, a boca de repente seca. Sentei-me diante dele, com as mãos entrelaçadas no colo.
— Imagino que você esteja familiarizada com as responsabilidades do cargo — perguntou o Sr. Wolfie, com o olhar penetrante.
Assenti.
— Use os lábios.
— Sim, claro — respondi, com a voz firme apesar das borboletas no estômago. O que há de errado comigo? Eu estou aqui para procurar um emprego, não para mandar ele enfiar a mão na minha calcinha. — Li a descrição da vaga com atenção e acredito que tenho as habilidades e a experiência necessárias para me destacar na função.
As palavras saíram atropeladas.
As sobrancelhas dele se arquearam, a expressão impenetrável.
— E que habilidades, diga-me, você possui que a tornariam adequada para um cargo tão exigente e a fariam ficar mais tempo do que o resto?
Respirei fundo. Ele não ia me assustar. Ao descobrir o pagamento, acho que eu faria qualquer coisa para manter isso.
— Tenho muita atenção aos detalhes, excelentes habilidades de organização e um histórico comprovado de gerenciamento de agendas e projetos complexos. Também sou muito adaptável e capaz de pensar rápido em situações de alta pressão.
— Onde foi o último lugar em que você trabalhou?
— Num bar... — Vi o maxilar dele se contrair; acho que ele quis rir de mim, mas se conteve. Ele baixou o olhar. — E como você lida com críticas e pressão? — perguntou, com a voz tão fria quanto antes, mas fiquei aliviada por ele não ter perguntado sobre o bar.
— Eu as vejo como oportunidades de crescimento e melhoria. Lembre-se: trabalhar num bar faz você conhecer pessoas diferentes, e bêbados são os piores críticos — respondi, sem vacilar no tom. — Eu me saio bem sob pressão e estou sempre aberta a feedback construtivo.
Ele se recostou na cadeira e, dessa vez, os olhos dele percorreram meu corpo; sob o olhar dele, senti a pele formigar.
— Muito bem, Srta. Ross — disse por fim. — Admito: você tem um currículo impressionante. Mas me diga: por que quer trabalhar para mim?
Eu sei? Eu preciso de dinheiro. Eu trabalharia até para uma fera por dinheiro, pensei comigo.
Meu olhar encontrou o dele.
— Porque eu gosto de desafios, e acredito que trabalhar para alguém tão exigente e determinado quanto o senhor me faria alcançar meu potencial máximo. Quero aprender com os melhores, e acredito que tenho muito a oferecer em troca.
Os lábios dele se repuxaram num sorriso leve, quase imperceptível.
— Ambiciosa — murmurou. — Eu gosto disso. Bem, Srta. Ross, vou lhe dar este emprego, já que claramente não lhe falta confiança.
Sorri por dentro. Quem disse a ele que eu não estava com medo? Eu estava morrendo por dentro. Será que eu tinha impressionado o infame CEO gelado?
— Mas... — Franzi a testa quando a palavra saiu dos lábios dele. — Eu tenho padrões altos, Srta. Ross. Se quer este emprego, vai ter que provar seu valor. Fique longe dos meus negócios, faça o que for mandada e, por último e acima de tudo, não deve desenvolver sentimentos por mim.
Endireitei os ombros.
— Sr. Wolfie, o senhor não tem com o que se preocupar. Eu não vou me apaixonar pelo senhor — disse, com nojo.
Ele assentiu.
— Muito bem, Srta. Ross. Bem-vinda à Wolfie Stark Enterprises. Considere isto seu período de experiência. Não se engane: você será colocada para fora na próxima fração de segundo.
Assenti, empolgada. Eu estava prestes a empurrar a porta para sair do escritório dele quando dei de cara com um dos homens do bar. Os olhos dele estavam cravados em mim, e aquele olhar me assustou; estremeci um pouco.
— Meredith, pare com isso? — disse alguém.
