Capítulo 1 Parte 1
Asher
Asher carregou sua mochila militar sobre o ombro enquanto desembarcava do helicóptero e se dirigia ao hangar. Ele se endireitou e saudou seu comandante, faltavam apenas 28 minutos para sua dispensa oficial.
“À vontade, Major Fitzgerald.”
Asher relaxou um pouco os ombros e colocou as mãos atrás das costas. Ele havia feito quatro missões de 12 meses cada, e duas missões de 18 meses cada. Agora tinha terminado. Era hora de voltar para casa, se estabelecer e trabalhar no rancho.
“Seus papéis foram assinados. Boa sorte no mundo civil,” disse o Tenente-Coronel Granger. Ele entregou a papelada para Asher, e eles apertaram as mãos. “Seus pais devem estar aliviados.”
“Sim, senhor. Meu pai ficará feliz em me ter em casa desta vez,” disse Asher.
Seu capitão lhe desejou boa sorte, e quando Asher caminhou pelo hangar em direção aos escritórios para entregar seus papéis, suspirou com pesar. Fitzgerald tinha sido um trunfo, um atirador de elite, um homem que não conhecia o medo, e ele lamentava vê-lo partir.
Uma hora depois, Asher pegou uma carona até o aeroporto, onde sentiu a tensão deixar seus ombros ao se sentar em uma cadeira perto do portão de embarque. Ele havia dado sete anos de sua vida ao Exército, sem contar o tempo de treinamento. Era um bom momento para sair. Os sonhos haviam começado há um ano, os rostos sem nome o assombrando na escuridão.
Um sorriso lento começou nos cantos de sua boca enquanto ele pensava em Two Bear Meadow. Era uma cidade pitoresca, com uma população de quase 10.000 pessoas. Ele podia se lembrar, quando criança, seu único desejo era sair; mas agora, tudo dentro dele o chamava para casa.
Eram 6 da manhã quando o ônibus parou na estação, e Asher desceu. Ele estava exausto, mas uma onda de excitação o percorreu enquanto se afastava da estação. Era uma caminhada de 10 quilômetros até o rancho, uma que ele já havia feito centenas de vezes.
As árvores exibiam suas flores de verão, um verde brilhante contra o azul do céu. Ele podia sentir o cheiro das flores no ar, os leves traços de chuva e o aroma de bacon. Seu estômago lembrou-lhe que ele não comia há mais de 24 horas.
Era cedo demais para as lojas estarem abertas, então ele caminhou pela Rua Principal e se deleitou com a tranquilidade da cidade. Logo, estaria cheia de pessoas indo para o trabalho e crianças correndo pelas ruas a caminho da escola.
Asher logo deixou as lojas para trás e saiu da cidade. Mais à frente estava a Casa Lansing. O velho Lansing nunca fez muito para manter o lugar em boas condições, e Asher franziu a testa ao ver o carro solitário estacionado em frente à cerca de arame.
A porta traseira e o porta-malas estavam escancarados, com uma mala no chão. A porta da frente também estava aberta, mas ninguém estava por perto. Ele colocou sua mochila no chão e espiou dentro do carro.
"Bem, olá, mocinha," ele disse, enquanto o bebê o encarava com olhos arregalados. Ele supôs que fosse uma menina pelo macacão rosa que ela usava. Desprendeu os clipes do assento do carro e pegou o bebê. "Por que você está sozinha em um carro ao lado da estrada?"
Asher estava prestes a se virar quando algo o acertou nas costas. "Coloque ela no chão, seu idiota!"
Ele riu e segurou o cabo da vassoura de palha com a qual a mulher estava batendo nele. Antes que ela pudesse piscar, Asher a desarmou enquanto segurava o bebê com um braço. Quando ela deu um passo para trás, Asher deixou a vassoura cair no chão.
"Ela é sua?"
A mulher assentiu com a cabeça. "Sim."
"Não quis te assustar. Só vi um bebê sozinho. Estava prestes a entrar. Fica quente muito rápido, logo que dá sete da manhã," disse Asher.
"Pensei que você estava tentando sequestrá-la." A mulher era baixinha e pequena, mas tinha um olhar decidido.
"Em Two Bear Meadow?" Asher riu de novo, e o bebê fez um som de risada e sorriu.
"Bem, ninguém tem 'pervertido' tatuado na testa," ela disse, e Asher sorriu para ela.
"Major Asher Fitzgerald," ele disse, por hábito. "Aposentado."
"Maggie Conroy," ela disse, enquanto seus olhos se moviam ao redor.
"E esta mocinha?" Ele apontou a cabeça em direção ao bebê.
"Melody."
"Você está se mudando para a Casa Lansing?" Asher olhou diretamente para a casa.
"Sim. Se não se importa, ainda tenho muito a fazer," disse Maggie, estendendo os braços para Melody.
"Claro." Asher entregou o bebê a ela, olhando para as duas malas e quatro caixas ainda no porta-malas.
Quando Maggie se virou de volta para a casa, Asher pegou as duas malas e a seguiu. Colocou-as na varanda e voltou para pegar as caixas. Maggie o observava de trás da porta com tela, mas não disse uma palavra.
"Asher Fitzgerald, não acredito! Seu pai sabe que você está em casa?" A voz foi falada ao microfone, e Asher se virou com um sorriso.
O carro do Vice-xerife estava a poucos metros de distância, e Maggie abriu a porta. "Quem é?"
"Esse deve ser o Finn. Eu não sabia que ele virou vice-xerife," disse Asher.
Finn saiu do carro e caminhou em direção a Asher com um sorriso radiante. "Você estava planejando andar até o rancho?"
"Eu ia surpreender todo mundo," disse Asher.
"Quem é ela?" Finn perguntou, olhando para Maggie.
"Esta é Maggie Conroy," ele disse, virando-se para olhá-la. "Este é Finn, meu irmãozinho."
"Sem essa de irmãozinho, já sou bem grandinho," disse Finn, com um sorriso e tirou o chapéu para Maggie.
"Você ainda é um novato. Como diabos virou vice-xerife?"
"Te conto no caminho para casa," disse Finn, e se virou para Maggie. "Tenha um bom dia, senhora."
Maggie abriu a boca para dizer algo, mas a fechou novamente, enquanto Asher se afastava dela, pegava sua mochila e subia no carro da polícia.
