Capítulo 5 Parte 5
Maggie
Levou uma hora para ela arrastar o colchão até o chão do quarto. Ela enxugou o suor da testa e suspirou. Isso teria que bastar; pelo menos não estariam dormindo no chão. Quando terminou, fez um sanduíche para si mesma e deu a abóbora que tinha cozinhado mais cedo para Melody.
Eram pouco mais de 19h quando Melody terminou sua mamadeira e bocejou. "Vamos te dar um banho e te preparar para dormir."
Quando os faróis iluminaram as janelas, Maggie foi até a porta da frente. Estava aberta, mas a porta de tela estava trancada. O calor era insuportável. Ela apertou os olhos para enxergar na escuridão, mas o tamanho de Asher e a maneira como ele se movia eram inconfundíveis. Ela não fazia ideia de como sabia que era ele, mas sabia.
Duas portas se fecharam, depois o pequeno portão foi aberto, e Asher estava caminhando em direção à varanda. Ela destrancou a porta de tela, e Melody começou a fazer barulhinhos, levantando os braços em direção a Asher.
"Desculpe incomodar tão tarde," disse Asher.
"Está tudo bem?" Ela não sabia o que mais dizer, porque não eram amigos nem conhecidos.
Asher coçou a nuca, parecendo muito desconfortável. "Eu trouxe algo para você." Ele se virou e voltou para o caminhão, deixando Maggie parada na varanda.
A boca de Maggie ficou aberta enquanto Asher e alguém que se parecia com ele colocavam o berço branco brilhante na varanda. As tábuas do chão cederam e rangiam sob o peso do berço, e Asher franziu a testa ao olhar para elas.
"Um berço? Você me comprou um berço?"
Asher olhou para todos os lados, menos para ela, e o outro homem riu. "Boa noite. Sou Dylan Fitzgerald."
"Maggie," ela disse, distraidamente, enquanto observava Asher.
"É o berço que você estava olhando esta tarde. O Marvin pediu para eu dar para você," disse Asher.
"Quem é Marvin?"
"Oh, ele é o dono daquela loja onde você comprou o micro-ondas," disse Asher. "Imagino que o primeiro quarto no corredor seja o da Melody?"
Maggie assentiu novamente, dando um passo para o lado enquanto os dois homens passavam com o berço. Seu estômago estava fazendo movimentos estranhos, e ela não sabia como se sentir sobre a generosidade de Asher. Ninguém simplesmente dava um berço.
Dylan passou por ela com um sorriso e voltou para o caminhão. Ele retornou alguns momentos depois com um pequeno colchão grosso e uma caixa nos braços. Maggie o seguiu até o quarto e ficou observando, hipnotizada, enquanto Asher começava a arrumar o berço com um travesseiro e cobertores.
Quando Asher se virou para ela, Melody estendeu os bracinhos novamente. Asher a pegou e a colocou no quadril. "O que você acha, Melody? Gostou da sua nova cama?"
Melody balbuciou e bateu palmas, e Asher riu. Todos se viraram para a cozinha quando a chaleira no fogão começou a apitar.
"Uma xícara de café cairia muito bem depois de todo esse esforço," disse Dylan, e Maggie saiu do seu transe.
"Eu estava fervendo água para o banho da Melody," ela disse, apressando-se para a cozinha.
Asher e Dylan trocaram um olhar, mas a seguiram pela casa. Asher observava tudo, que basicamente não era nada, e parecia que Dylan fazia o mesmo. Melody ainda estava tagarelando, falando sem parar enquanto segurava a camiseta de Asher com sua mãozinha.
"Não queríamos atrapalhar," Asher disse, enquanto Maggie despejava a água fervente em um balde.
Ela se sentia desconfortável com eles a observando. Mais cedo naquele dia, ela estava orgulhosa do que tinha feito sozinha, mas agora, na iluminação forte da cozinha, ela sabia como aquilo parecia. Sua casa estava basicamente vazia, rangendo e gemendo, mas estava limpa.
"Vamos deixar você em paz," Asher disse, enquanto devolvia Melody para ela. Eles saíram sem dizer mais nada e, por um momento, ela ficou olhando para as costas deles se afastando. O caminhão se afastou de sua casa, e então a rua ficou escura.
"O que acabou de acontecer?" Maggie perguntou em voz alta, e Melody começou a tagarelar novamente.
Maggie deu banho nela, vestiu-a com um body de mangas curtas, e ficou sobre o berço olhando para o trabalho de Asher. O colchão tinha um lençol dobrado sobre ele, com a fronha e os cobertores combinando. A roupa de cama de cor creme tinha patinhos amarelos bordados com pequenos cervos, dois sapos e uma coruja sentada em uma rocha. Era lindo, e Maggie podia sentir as lágrimas brotando em seus olhos.
Quando Melody se mexeu no sono, Maggie fechou a porta atrás de si. O berço era de um branco brilhante e parecia novo. Parecia com o berço da loja, e Maggie percebeu que Asher tinha que ter limpado e pintado.
Ela ficou na cozinha escura e abaixou a cabeça. Melody tinha um berço. Ela não podia acreditar, e quando as primeiras lágrimas rolaram por suas bochechas, ela não as enxugou. Esse homem não as conhecia, mas tinha feito o impensável.
Naquela noite, ela dormiu no colchão no chão. Ela não tinha energia para tentar colocá-lo de volta na estrutura. Ela se preocuparia com isso amanhã. Ela ficou acordada por um bom tempo, ouvindo para ver se Melody reclamava enquanto se perguntava como iria pagar Asher de volta.
Um pequeno sorriso surgiu em seu rosto enquanto ela se lembrava do próprio desconforto dele. Foi engraçado ver o homem grande sem palavras. Ela teve a impressão de que ele estava acostumado a dar ordens e as pessoas pulando para obedecê-las.
Naquela noite, Asher preencheu seus sonhos, e pela primeira vez, nenhum pesadelo a atormentou. Ela dormiu a noite toda, e quando acordou na manhã seguinte, tinha um sorriso no rosto. Ela já tinha formado um plano. Ela faria uma torta para Asher, ou cinco tortas. Quantas tortas são necessárias para agradecer alguém por um berço? Ela não teve muito tempo para ponderar sobre isso, pois ouviu Melody tagarelando sem parar em seu quarto, e o som distante de um motor, lembrando-a de um cortador de grama.
