Capítulo 4

Quando acordei, fiquei confusa sobre onde estava até que as memórias voltaram com força à minha mente.

  Conheci meu companheiro, o Rei Alfa que me odiava mais do que tudo. A maneira como ele olhou para mim, me acorrentou.

  Puxei as correntes de prata, mordendo o lábio enquanto o metal queimava minha pele. A dor era excruciante, mas eu me recusava a parar. Xander achava que podia me acorrentar como um animal indefeso? Ele pensava que eu iria quebrar?

  Ele não fazia ideia com quem estava lidando.

  Ouvi o som de passos se aproximando.

  Congelei, minha respiração superficial enquanto passos pesados ecoavam pela cela. O ar mudou, ficando mais denso com sua presença antes mesmo de eu vê-lo. Meu estômago revirou, cada músculo do meu corpo tensionando.

  Xander.

  Ele não falou de imediato. Em vez disso, ele levou seu tempo, seus passos lentos e calculados fazendo minha pele arrepiar. Recusei-me a olhar para ele, mantendo meu olhar nas correntes que cavavam em meus pulsos.

  O silêncio se prolongou.

  Então—

  Uma mão fria roçou minha bochecha.

  Eu me encolhi.

  Uma risada sombria escapou dele. "Ainda fingindo ser forte?" Sua voz era suave, carregada de diversão. "Você está tremendo, pequena ômega."

  Cerrei os dentes, "Você me dá nojo."

  Xander agarrou meu queixo, forçando-me a encará-lo. Seu aperto era implacável, seus olhos prateados brilhando com algo indecifrável.

  "Você não tem o direito de me odiar, Raven." Seu tom era enganosamente suave, um contraste gritante com a ameaça bruta por baixo. "Não quando você me pertence."

  Mostrei os dentes. "Eu não pertenço a ninguém."

  Seus dedos apertaram dolorosamente antes de ele me soltar de repente, dando um passo para trás como se eu o tivesse entediado. "Vamos ver quanto tempo esse fogo dura."

  Meu estômago revirou.

  Xander se virou, caminhando para o canto da cela onde havia uma pequena mesa de madeira. Minha respiração parou quando ele levantou um punhal fino e afiado de sua superfície. A luz da lua brilhava na lâmina enquanto ele passava os dedos pela borda, testando sua afiação.

  Um sorriso lento curvou seus lábios enquanto ele se virava para mim.

  O pânico se enrolou em meu peito.

  "O que você está fazendo?" Exigi, minha voz firme apesar do meu coração disparado.

  Xander caminhou em minha direção, seus movimentos despreocupados, deliberados. "Tenho pensado." Sua voz era calma, calma demais. "Você me rejeitou, Raven. E, no entanto, aqui estamos."

  Engoli em seco.

  "O vínculo ainda está lá," ele continuou, parando ao meu lado. "Você sente, não sente? A atração?"

  Recusei-me a responder.

Seu sorriso se alargou. "Está te deixando louca."

  Eu odiava que ele estivesse certo.

  O vínculo de companheiro era uma coisa cruel. Mesmo depois de tudo que ele fez, sua presença fazia minha loba choramingar, fazia meu corpo reagir de maneiras que eu desprezava. A conexão era como um fio venenoso me ligando a ele, não importava o quanto eu quisesse cortá-lo.

  Xander levantou o punhal, pressionando a lâmina fria contra minha clavícula.

  Fiquei imóvel, minha respiração presa.

Ele se inclinou, seus lábios a poucos centímetros do meu ouvido. "Você quer ser livre, não quer?" ele murmurou. "Quer escapar de mim?"

  Me obriguei a acenar com a cabeça, meu pulso martelando.

  "Então vamos tornar as coisas interessantes," ele sussurrou.

  Antes que eu pudesse processar suas palavras, uma dor aguda cortou meu ombro.

  Ofeguei, um grito rasgando da minha garganta enquanto a adaga perfurava minha pele, não profundamente, mas o suficiente para me fazer arder. Sangue escorreu pelo meu braço, manchando o tecido branco do meu vestido.

  Os olhos de Xander escureceram enquanto ele observava, sua respiração lenta e constante. "A dor enfraquece o vínculo," ele disse casualmente, arrastando a lâmina para baixo, apenas o suficiente para me fazer tremer. "Você sabia disso?"

  Mordi meu lábio, recusando-me a dar-lhe a satisfação de outro som.

  Xander inclinou a cabeça. "Não?" Seu sorriso se aprofundou. "Vamos testar."

  Com um movimento rápido, ele cortou as amarras do meu vestido, o tecido escorregando do meu ombro. Respirei fundo, meu corpo enrijecendo enquanto o ar frio beijava minha pele exposta.

  Ele não me tocou.

  Ele não precisava.

  O medo em meus olhos deve tê-lo agradado, pois seu sorriso nunca desapareceu. "Me pergunto quanta dor seria necessária para romper nosso vínculo completamente," ele ponderou, girando a adaga entre os dedos. "Ou talvez..." Ele se inclinou novamente, seu hálito quente contra meu pescoço.

  "Talvez eu devesse te marcar em vez disso."

  O pavor me atingiu como uma onda.

  "Não," eu engasguei, minha voz rouca. "Você não faria."

  Xander riu, sua mão livre afastando meu cabelo. "Não faria?"

  Meu corpo tremeu. Uma marca dele, um Rei Alfa, selaria meu destino. Isso me ligaria a ele para sempre, tornando qualquer chance de fuga impossível.

  Cerrei os punhos. Eu não podia deixar isso acontecer. Não, eu não podia.

  Eu não deixaria isso acontecer.

  Reunindo cada gota de força que me restava, fiz a única coisa que pude.

  Cuspi em seu rosto.

  No momento em que a saliva atingiu sua bochecha, o tempo pareceu parar. E meu coração também.

  A sala ficou mortalmente silenciosa.

  Xander não se mexeu.

Sua expressão não mudou.

Por um momento aterrorizante, pensei que tinha cometido um erro.

Então—

Sua mão disparou, envolvendo meu pescoço.

Ofeguei enquanto ele me levantava sem esforço, as correntes de prata mordendo meus pulsos enquanto ele me prendia contra a parede. Seu aperto não era esmagador, mas era firme o suficiente para me lembrar exatamente o quanto ele era mais forte.

Um riso sombrio ressoou de seu peito. "Você acabou de tornar isso muito mais divertido, pequena ômega."

Arranhei seu pulso, minha visão ficando turva nas bordas.

Ele se inclinou perto, seus olhos prateados queimando nos meus.

"Eu ia levar meu tempo com você," ele murmurou. "Te quebrar devagar."

Seu aperto se apertou, seus lábios roçando meu ouvido, enquanto um arrepio descia pela minha espinha, enquanto meu coração acelerava.

"Mas agora?" Sua voz estava carregada de uma promessa mortal.

"Agora, vou te fazer implorar por misericórdia."

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