Capítulo 5

A dor explodiu na minha garganta quando o aperto de Xander se intensificou. Meu corpo convulsionou contra as correntes de prata que me prendiam no lugar, o metal queimando meus pulsos como fogo derretido. Minhas pernas chutaram, mas foi inútil—ele me tinha presa, completamente à sua mercê.

  Um arrepio percorreu minha espinha ao ver seus olhos.

  Eles estavam mudando.

  O tom prateado escureceu, girando como mercúrio líquido antes de se transformar—queimando em um dourado predatório e assustador. No momento em que seu lobo surgiu, o ar ficou mais denso, pressionando sobre mim como uma força física.

  Eu não estava lidando apenas com Xander.

  Seu lobo queria controle.

  Um sorriso lento e sinistro curvou seus lábios enquanto ele se aproximava, seu hálito roçando minha pele. Meu pulso rugia em meus ouvidos, o medo primal subindo pelo meu peito.

  "Eu te avisei, pequena ômega," ele murmurou, sua voz mais profunda agora, mais áspera.

  Então—

  Presas.

  Afiadas, reluzentes, letais.

  Eu mal tive tempo de puxar o ar antes que sua boca descesse em direção ao meu pescoço. Eu me torci, debatendo-me ferozmente, minhas correntes tilintando enquanto eu lutava contra ele com tudo o que me restava.

  "Não—" Minha voz se quebrou em um grito estrangulado quando suas presas rasparam minha pele.

  Um ronco provocante vibrou em seu peito. Ele estava gostando disso.

  "Você pode lutar o quanto quiser," ele sussurrou, seus lábios roçando o ponto sensível abaixo da minha orelha, "mas no final, você é minha."

  Meu coração batia descontroladamente contra minhas costelas. O calor de seu corpo pressionado contra o meu, sufocante, inescapável. Seu peso, sua força, o poder irradiando dele—era demais.

  Ele era demais.

  Eu virei a cabeça, mas sua mão se enroscou no meu cabelo, puxando-me de volta ao lugar com brutal facilidade. Meu couro cabeludo ardia com a força, mas a dor aguda não era nada comparada ao puro terror correndo por minhas veias.

  Suas presas pairavam sobre minha garganta, provocantes, ameaçadoras.

"Não," eu ofeguei. "Você não pode—"

Seu aperto se intensificou.

"Eu posso," ele murmurou.

E então—

Agonia.

Suas presas afundaram no meu pescoço.

Eu gritei.

Um fogo branco e quente atravessou meu corpo, queimando até minha alma. Minha visão ficou turva enquanto uma onda de calor insuportável invadia cada célula do meu corpo com algo escuro, algo irreversível.

O vínculo de companheiro.

Ele ganhou vida, prendendo-se com força brutal, me acorrentando a ele de maneiras que nenhum grilhão físico jamais poderia.

Eu ofeguei, meu corpo arqueando enquanto a dor se transformava em algo muito pior—uma conexão sufocante e consumidora que fez minha loba uivar dentro de mim.

Xander gemeu, sua língua passando sobre a ferida fresca, lambendo o sangue que escorria de onde suas presas haviam me perfurado. Um tremor percorreu meu corpo, não de prazer, mas do puro horror do que acabara de acontecer.

Estava feito.

Eu estava marcada.

Não havia mais saída.

Lágrimas ardiam em meus olhos, escorrendo pelas minhas bochechas enquanto a finalização de tudo desabava sobre mim como um mundo desmoronando. Minha respiração vinha em arfadas, meu peito subindo e descendo, meu corpo inteiro tremendo.

Xander recuou, lambendo os lábios, seu olhar se fixando no meu com uma diversão gelada. Um sorriso lento e cruel se espalhou por seu rosto.

"Isto," ele murmurou, passando o polegar sobre a marca fresca, "é apenas o começo."

Um soluço subiu pela minha garganta, mas eu o engoli.

Eu me recusei a dar-lhe essa satisfação.

Seu sorriso apenas se alargou.

"Você acha que é forte agora," ele continuou, sua voz pingando com um prazer venenoso. "Mas isso não vai durar."

Ele se endireitou, dando um passo para trás, mas sua presença ainda pairava sobre mim como uma sombra inescapável.

"Você está ligado a mim agora," ele disse suavemente. "Minha marca está em você, meu cheiro, minha reivindicação. Sabe o que isso significa, pequena ômega?"

  Mordi meu lábio, minha respiração ofegante, recusando-me a responder.

  Seus olhos escureceram.

  "Significa que você vai me desejar," ele sussurrou, inclinando a cabeça como se a ideia o divertisse. "Você vai sentir o puxão a cada segundo de cada dia. Vai implorar pelo meu toque, suplicar pela minha atenção."

  Seu sorriso se tornou afiado como uma lâmina.

  "Mas você não vai receber nada."

  Meu estômago se revirou violentamente.

  "Vou fazer você sofrer," ele continuou, sua voz suave, mas brutal. "Você vai implorar por misericórdia, mas nunca a terá. Vai gritar, vai chorar, vai me amaldiçoar—e eu vou assistir."

  Engoli em seco, meus dedos se fechando em punhos.

  "Você acha que eu me importo?" sussurrei, minha voz rouca. "Acha que pode me quebrar?"

  Ele riu, devagar e sombrio.

  "Oh, eu sei que posso."

  Meu sangue gelou.

  Xander estendeu a mão, traçando um único dedo ao longo da minha mandíbula, devagar e deliberadamente. "Seu corpo vai te trair," ele murmurou. "Você vai lutar contra isso, resistir, mas o vínculo vai vencer. Sempre vence."

  Balancei a cabeça freneticamente, minha respiração vindo em arfadas rasas.

  "Não."

  "Sim."

  Sua certeza era como uma faca no meu estômago.

  "Veja, Raven," ele refletiu, recuando enquanto me observava lutar contra as correntes, "isso não é sobre o que você quer. Nunca foi. Você selou seu destino no momento em que nasceu na linhagem errada."

  Ele se virou, movendo-se em direção à mesa mais uma vez. Meu coração disparou quando ele pegou um pequeno pano e limpou meu sangue de seus lábios com uma indiferença irritante.

  Suas próximas palavras foram as piores até agora.

  "Você vai pagar pelos pecados de seus pais," ele murmurou, olhando para mim por cima do ombro. "E vou passar o resto da minha vida garantindo que você sofra por eles."

  Um arrepio percorreu meu corpo.

  Eu sabia, naquele momento, que ele falava sério.

  Ele não ia me matar.

  A morte seria misericórdia.

  Não, Xander me queria viva. Ele me queria quebrada.

  E agora, com sua marca na minha pele, ele tinha todo o tempo do mundo para fazer isso.

  Uma dor oca se instalou profundamente no meu peito enquanto a verdade se infiltrava. Não havia mais como correr. Não havia escapatória.

  Eu era dele.

  Para sempre.

  Minha respiração falhou quando ele se virou para a porta.

Ele parou pouco antes de sair, seu olhar voltando para mim uma última vez.

"Descanse bem, pequena ômega," ele murmurou, seu tom zombeteiro. "Estou apenas começando."

E então—

Ele se foi.

A pesada porta de metal bateu atrás dele, o som ecoando pela masmorra.

Silêncio.

Meu corpo imóvel, minhas respirações rasas.

Pela primeira vez desde que esse pesadelo começou—

Eu quebrei.

Um soluço rasgou minha garganta, cru e desenfreado. Lágrimas escorreram pelo meu rosto, meu corpo inteiro tremendo enquanto o peso esmagador da realidade se assentava.

Eu estava marcada.

Acorrentada a ele de todas as formas que importavam.

E não havia saída.

Eu me encolhi o máximo que as correntes permitiam, meus ombros tremendo violentamente. O vínculo pulsava sob minha pele, venenoso e inescapável, uma lembrança constante do que havia sido feito comigo.

Eu o odiava.

Eu o odiava mais do que jamais odiei alguém na minha vida.

Mas pior do que isso—

Eu odiava a parte de mim que ainda o sentia.

Que ainda ansiava por algo que eu desprezava.

Fechei os punhos, minhas unhas cravando nas palmas até sangrarem.

Eu não iria quebrar.

Eu não podia quebrar.

Não importa o que ele fizesse comigo—

Eu encontraria uma saída.

Eu tinha que encontrar.

Mesmo que isso me matasse.

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