Capítulo 3 A rejeição

Ponto de vista de Olivia

“Companheiro”, Lucy uivou dentro da minha cabeça, feroz e selvagem. O cordão dourado que me prendia também prendia o Alfa Kingsley com uma forte atração magnética, puxando-nos um para o outro a uma distância desconfortável. Eu sentia meu coração martelar no peito como se quisesse se soltar e fugir.

“Isso não pode ser”, sussurrei para mim mesma. “Eu ainda não sofri o bastante? Ou a Deusa da Lua está pregando uma peça em mim?”, perguntei de novo, com a garganta se fechando. De todos os machos presentes, por que tinha que ser ele? Eu já estava preparada para não conseguir encontrar um companheiro, mas quem poderia ter me avisado ou me preparado para esse tipo de situação? Minhas mãos tremiam levemente, e eu as entrelacei atrás de mim para que ninguém percebesse.

“Como isso pode ser?”, o Alfa Kingsley escarneceu. “Você… minha companheira?” Um sorriso sombrio e debochado se espalhou pelo rosto dele. Seus olhos passearam por mim devagar, cruelmente, como se ele estivesse olhando para algo inacreditável — algo errado. “A Deusa da Lua está entediada?”, ele continuou, frio. “Ou precisa de entretenimento?”

As palavras me atingiram em cheio.

“Pensar que você estaria ligada a mim”, ele disse com uma risada curta. “Por anos, eu nunca quis uma companheira. Nunca nem sonhei com uma. E agora o destino me dá isso.” Ele fez um gesto vago na minha direção, como se eu não fosse mais do que um incômodo.

O olhar dele se endureceu quando encontrou o meu — afiado, carregado de pura antipatia. “Não há nada em você que eu queira”, ele disse, seco. “Nada.”

O ódio nos olhos dele era impossível de ignorar. Era claro. Aberto. Inegável.

E, naquele momento, eu entendi algo doloroso.

Ele não estava apenas rejeitando o vínculo. Ele desprezava a ideia de mim.

“Eu não aceito essa união. Prossiga com o processo de rejeição”, ele disse à sacerdotisa, com o rosto frio como gelo.

“Tem certeza de que quer rejeitá-la? Você deve pensar cuidadosamente nas consequências”, ela advertiu, virando-se para me olhar sem expressão. Não havia pena nenhuma na voz dela.

Eu estava tomada de vergonha, raiva, dor, traição e medo. Eu era tão ruim assim? Ou eu simplesmente estava destinada a nunca encontrar felicidade? Minhas bochechas ardiam, e eu conseguia sentir os olhares julgadores ao meu redor como agulhas espetando minha pele.

“Eu aceito”, eu disse baixinho, ainda atordoada com tudo. Uma parte de mim se sentia aliviada por não ter que encarar mais ridicularização ou dor vinda de um companheiro que não me queria, mas outra parte de mim se entristecia. Bem, era assim que sempre tinha que ser, pensei, amargamente. Sozinha. Solitária.

Afinal, quem iria querer uma porca gorda?

A voz debochada de Sophia ecoou cruelmente na minha cabeça.

“Espere. Eu, Alfa Kingsley da Matilha da Antiga Lua Azul, aceito você como minha companheira.”

Imediatamente, uma luz ofuscante brilhou do cordão que nos prendia. Ela girou ao nosso redor e entrou em nossas testas. O vínculo de companheiros se encaixou no lugar, e eu senti uma conexão estranha com ele — algo pesado, frio e desconhecido. Minha respiração ficou presa na garganta.

— Por quê? — perguntei, mal conseguindo falar. Minha voz tremia. Por que aquela mudança repentina de ideia? Ou será que ele queria sugar meu sangue, como diziam os boatos? Achava que eu teria mais sangue ou que teria um gosto melhor por causa do meu tamanho? Só de pensar nisso, estremeci, um arrepio atravessando meu corpo. Abracei a mim mesma, me sentindo exposta.

Eu ainda estava perdida nos pensamentos quando, de repente, uma mão me agarrou e me puxou para longe. Quase tropecei, de tão forte e bruto que era o aperto.

Ergui o olhar e percebi que eu estava sendo conduzida pelo Alfa Kingsley — agora meu companheiro — para longe dos olhares inquisidores e debochados da multidão. Os sussurros ainda nos seguiam.

— Por que você mudou de ideia? Eu não acho que consigo ser boa o bastante para você — gaguejei. Minha voz falhou no meio da frase, e a vergonha me inundou.

— Ótimo. Você sabe o seu lugar. E não invente gracinha nessa sua cabeça. Eu só aceitei você porque estou concorrendo ao cargo de presidente dos lycans e não quero ser enfraquecido por um vínculo de companheiros inútil e quebrado — ele respondeu, sarcástico.

As palavras dele eram afiadas, atiradas em mim como punhais. Seu rosto não mostrava nenhum sinal de arrependimento — nem o menor.

Eu nunca tinha me sentido tão assustada e humilhada na vida. Meu peito se apertou, dolorido. — Eu não acho que consigo jogar esse jogo com você. Você pode, por favor, simplesmente me rejeitar? — Eu mal consegui dizer; minhas pernas já tremiam com a nossa proximidade. Eu não queria encará-lo, então fiquei olhando para o chão.

Imediatamente, uma sensação gelada varreu meu corpo. Virei para encará-lo, e o olhar dele era sombrio e implacável — o tipo de olhar que fazia o ar ao nosso redor parecer mais frio.

— Eu não gosto de ser rejeitado, questionado ou desafiado. Vou considerar isso um deslize. Não teste a minha paciência. Nós partimos em três dias — ordenou ele, e então se virou. Com uma mão apoiada atrás, no quadril, foi embora com uma confiança estranha e majestosa, transbordando arrogância e perigo.

Eu o vi se mover como se fosse dono de cada passo que dava. As pessoas saíam do caminho sem que ele precisasse dizer uma palavra. Até suas costas pareciam intimidantes. Tudo nele gritava poder e autoridade.

Fiquei ali, paralisada e ainda confusa. Meu coração parecia pesado, como se algo o estivesse pressionando. Abracei a mim mesma de novo, tentando me manter inteira.

— Minha vida vai ser tudo, menos tranquila — sussurrei, para ninguém em particular.

Minhas pernas finalmente voltaram a obedecer, e eu me afastei devagar dali, cada passo mais pesado que o anterior. Os sussurros vinham atrás de mim, mas eu tentei bloqueá-los. Eu não sabia se chorava, se gritava ou se ria da crueldade do destino.

Tudo o que eu sabia era que nada na minha vida jamais voltaria a ser o mesmo.

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