Capítulo 5 Tomado pelo destino
Ponto de vista de Olivia
Lucy gritou dentro da minha cabeça.
— PAR!
A palavra se chocou contra a minha mente com uma força violenta, aguda e avassaladora. A dor rasgou meu crânio quando cambaleei para trás, com o terror agarrando cada parte de mim. Minhas pernas tremiam violentamente sob o meu peso, mal conseguindo me manter de pé.
Naquele instante, tudo o que tinha acontecido naquela noite desabou sobre mim de uma vez — a rejeição, a humilhação, o medo. Meu peito se apertou enquanto minha respiração ficava curta.
Ele ia me matar também?
O pensamento se insinuou na minha mente, frágil e desesperado, mal se formando antes que o pânico o engolisse por completo.
Minha visão embaçou.
A escuridão foi se aproximando lentamente pelas bordas, roubando o mundo pedaço por pedaço. Eu já não conseguia sentir o chão sob meus pés quando o resto das minhas forças se esgotou.
A última sensação que registrei foi o ar frio da noite passando por mim enquanto eu caía na inconsciência.
Ponto de vista do Alfa Kingsley
Caminhei de um lado a outro pelos meus aposentos, meus passos pesados ecoando com nitidez contra o piso de mármore. A inquietação se agarrava a mim como uma maldição, meus pensamentos repassando os acontecimentos da cerimônia de acasalamento repetidas vezes, num ciclo interminável.
Eu nem tinha planejado ir.
No último momento, mudei de ideia — decidindo que eu apenas observaria, veria o destino unir os outros enquanto eu permanecia intocado por ele.
Eu nunca esperei que o destino me arrastasse direto para suas garras.
— Uma companheira — zombei em voz alta, a palavra amarga na língua.
Quanto tempo ela sequer sobreviveria no meu mundo?
Eu era amaldiçoado — condenado a governar sem calor, a carregar poder sem felicidade. A solidão tinha sido minha companheira por tanto tempo que eu a aceitara como destino.
A felicidade nunca foi feita para mim.
Então por que ela?
Ela não era o que alguém chamaria de ideal.
Gordinha.
Comum.
Ignorada.
Ainda assim, não era a aparência dela que me inquietava.
Eu tinha visto o bastante do mundo para saber que beleza é uma mentira — uma que muitas vezes esconde as verdades mais feias. Espinhos sempre se escondem sob as rosas mais bonitas.
Mesmo assim… havia algo nela.
Algo silencioso.
Sutil.
Quase distante.
Como uma força oculta enterrada sob anos de dor e negligência.
Eu não conseguia dar nome àquilo, e isso me perturbava muito mais do que eu gostaria de admitir.
Meu lobo se agitou.
Argon rosnou no fundo de mim, tenso e alerta.
— Companheira… perigo…
Antes que eu pudesse processar o aviso, ele avançou — tomando o controle.
O poder inundou minhas veias enquanto o instinto assumia, e meu corpo já se movia.
Disparei para dentro da floresta.
As árvores viraram borrões enquanto eu rasgava a escuridão em velocidade cegante, saltando por cima de galhos caídos e atravessando a vegetação fechada sem diminuir. O ar noturno queimava contra a minha pele, a urgência me empurrando cada vez mais forte e mais rápido.
Então eu a vi.
Cercada.
Renegados.
Algo dentro de mim se partiu.
A fúria — crua, violenta, incontrolável — explodiu no meu peito. O poder irrompeu para fora numa onda mortal, golpeando a floresta e prendendo tudo no lugar.
— Como ousam tocar no que é meu — trovejei, minha voz fazendo o próprio chão tremer.
Argon não esperou permissão.
O líder mal teve tempo de gritar antes de ter a cabeça arrancada do corpo com um golpe limpo. O sangue espirrou pelo chão da floresta enquanto o cadáver sem vida desabava.
Os dois restantes se viraram para fugir, o terror estampado no rosto.
Patéticos.
Não foram longe.
Em questão de segundos, seus corpos bateram no chão — imóveis e silenciosos.
Fiquei ali, respirando com dificuldade, os punhos cerrados ao lado do corpo.
Eu talvez não a quisesse.
Talvez eu a tivesse aceitado apenas para garantir poder político.
Mas ela ainda era minha.
Ao me virar para ela, a raiva se enroscou com força no meu peito enquanto eu observava seu corpo trêmulo.
— Por que você me desobedeceu? — exigi, com a fúria queimando nos meus olhos.
Eu odiava ser desafiado.
Eu odiava perder o controle.
Ela não respondeu.
Não conseguia.
O medo a tinha esvaziado por completo — os olhos arregalados e sem foco, a respiração curta e irregular. Um olhar bastou para eu saber que ela tinha chegado ao limite.
O corpo dela cedeu.
Ela desabou.
— Merda — rosnou Argon. — Você assustou ela.
Soltei o ar com força, passando a mão pelo cabelo enquanto a frustração pesava sobre mim.
— Você não está vendo o que ela acabou de passar? — Argon continuou. — Ela quase morreu. Seja gentil com ela. Ela é a nossa companheira.
— Ela trouxe isso para si — retruquei, ríspido.
Ainda assim, ao encarar o corpo inconsciente dela, a incerteza se insinuou em mim apesar de tudo.
— O que eu deveria fazer com ela agora? — murmurei.
— Você a carrega de volta — respondeu Argon, calmo. — E cuida da nossa Luna.
— Cala a boca, Argon — rosnei. — Eu não a marquei. Eu só a aceitei para garantir a presidência do conselho. Assim que isso estiver feito, eu vou descartá-la. Você conhece a maldição — sem companheira, sem felicidade.
— Talvez o destino esteja nos dando uma chance — ele murmurou.
Eu me recusei a responder.
Erguendo-a nos braços, comecei a voltar em direção à alcateia. O corpo dela estava quente — mais leve do que eu esperava — enquanto repousava contra o meu peito.
A cada passo, o conflito se agitava dentro de mim.
Eu deveria levá-la de volta para a casa dos pais dela?
Ou para a minha?
— Não — resmunguei. — Eu não vou entrar na casa dela pelado com ela inconsciente nos meus braços.
Fofoca nunca me incomodou — mas desta vez era diferente. Politicamente, tudo estava delicado.
Eu não podia me dar ao luxo de errar.
Essa foi a desculpa que eu dei a mim mesmo.
Ainda assim, uma parte de mim sabia a verdade.
Eu não queria que ela fugisse.
Eu a levei para a minha alcateia.
Nos meus aposentos, limpei-a com cuidado e troquei suas roupas, mantendo meus movimentos controlados e contidos. Recusei-me a reconhecer os pensamentos que ameaçavam vir à tona, descartando-os como nada além do vínculo interferindo nos meus sentidos.
Argon não estava convencido.
Deitei-a com delicadeza na minha cama e me sentei ao lado dela, o cansaço finalmente se instalando nos meus ossos. O cheiro dela permanecia no ar — suave, inquietante, viciante.
— Maldito vínculo — murmurei.
Controle sempre tinha sido a minha maior força. Perdê-lo, mesmo que por um instante, fazia minha pele se arrepiar.
Por fim, deitei ao lado dela, mantendo distância. Minhas presas latejavam, a pressão aumentando enquanto o instinto gritava para que eu reivindicasse o que o destino tinha me dado.
Eu me obriguei a respirar devagar, de propósito, até que o sono finalmente me dominou.
Ainda assim, um pensamento permaneceu — pesado e inflexível.
Eu precisava garantir a presidência.
Rápido.
Quando isso estivesse feito...
Eu lidaria com esse vínculo.
Argon soltou um riso de desdém, baixo, dentro da minha mente.
E, pela primeira vez em muito tempo, eu não tinha certeza absoluta de que ele estivesse errado.
