Capítulo 7 O Território do Rei Alfa

Ponto de vista de Olivia

A noite chegou em silêncio.

Silêncio demais.

Acordei com a luz pálida da lua filtrando pelas cortinas pesadas, pintando as paredes de pedra com um dourado suave. Por um instante, esqueci onde estava. Meu corpo parecia descansado — descansado demais — e a cama sob mim ainda era impossivelmente macia.

Devagar, sentei, apertando o cobertor contra o peito enquanto olhava o quarto de novo. Tudo ainda parecia irreal — grande demais, polido demais, poderoso demais para pertencer a alguém como eu. Aquilo não era um quarto de hóspedes.

Era uma suíte.

Uma feita para Alfas visitantes ou convidados de honra.

Ou prisioneiras vestidas como rainhas.

Lucy se mexeu dentro de mim.

Hoje importa, ela murmurou. A matilha vai sentir você. Você precisa demonstrar força como uma Luna.

Meu estômago se revirou, dolorosamente.

— Eu não quero que eles sintam — sussurrei.

Uma batida suave interrompeu meus pensamentos.

Eu congelei.

A porta se abriu com cuidado — não de forma ousada como a do Alfa Kingsley antes.

Uma mulher entrou. Era de meia-idade, com uma postura respeitosa, porém rígida. Os olhos dela correram até o meu rosto e, em seguida, baixaram imediatamente, como se ela não soubesse se tinha permissão para me encarar diretamente.

— Boa noite, Luna — disse ela, inclinando a cabeça.

A palavra me atingiu como um tapa.

— Eu… — Minha voz falhou. Limpei a garganta. — Por favor, não me chame assim.

As sobrancelhas dela se franziram, confusas.

— Como desejar… senhorita Olivia.

Ela gesticulou para uma roupa cuidadosamente arrumada sobre uma cadeira — um vestido simples, de tecido macio, discreto, mas elegante.

— O Alfa solicita sua presença para o jantar na casa da matilha — disse, num tom uniforme. — Você não tem permissão para se atrasar.

Então era assim que seria.

Controlada.

Vigiada.

Contida.

Assenti, rígida.

Quando ela saiu, me vesti devagar, com as mãos tremendo. O espelho refletiu uma versão de mim que eu mal reconhecia — limpa, bem cuidada, envolta em roupas que não tentavam me esconder por completo.

Eu ainda parecia gorda.

Ainda parecia eu.

Só que agora eu estava no coração da casa de um Alfa poderoso, implacável e amaldiçoado — chamada de companheira dele — sem saber se eu sobreviveria ao próximo encontro sob a lua.

As portas do salão principal da casa da matilha se abriram, e o barulho me atingiu na hora.

Vozes.

Risos.

O tilintar de pratos.

Então — silêncio.

Todas as cabeças se viraram.

Eu senti na mesma hora.

Olhares me varreram. Alguns curiosos. Alguns afiados. Alguns abertamente hostis.

Sussurros vieram em seguida.

— Ela é a companheira?

— É ela?

— A Deusa da Lua cometeu um erro.

Meus passos vacilaram.

Lucy rosnou baixo dentro de mim.

Cabeça erguida, Luna.

Levantei o queixo e caminhei para a frente, calma por fora, mesmo enquanto a ansiedade me arranhava o peito com ferocidade. Eu não sabia se estava convencendo alguém — mas me obriguei a continuar andando.

O salão era magnífico, uma arquitetura antiga se erguendo em elegância e poder. Eu nunca tinha entrado na casa da minha própria matilha, mas eu sabia — mesmo sem comparação — que ela jamais poderia ser tão grandiosa.

Na cabeceira da mesa comprida estava sentado o Alfa Kingsley.

Ele não olhou para mim.

Aquilo doeu mais do que eu esperava.

Só quando cheguei à cadeira colocada ao lado dele é que ele finalmente ergueu o olhar. A expressão continuou neutra, mas o maxilar se contraiu, quase imperceptivelmente.

— Você está atrasada — disse ele, com calma.

“Eu não sabia que tinha sido convidada”, respondi baixo, mas com sinceridade. Na minha matilha, eu nunca tinha sido autorizada a entrar na casa da matilha.

Uma onda de tensão percorreu o salão.

Ele fez um gesto para eu me sentar.

No instante em que me sentei, o peso da atenção da matilha dobrou. Era como ficar nua diante de predadores.

“Esta é Olivia”, anunciou o Alfa Kingsley. “Ela está sob a minha proteção.”

Não a minha companheira.

Não a sua Luna.

Apenas… protegida.

Foi de propósito.

E a matilha percebeu.

Uma mulher linda sentada do outro lado da mesa enrijeceu. O olhar dela foi de mim para Kingsley, e algo sombrio e possessivo cintilou em seus olhos.

Engoli em seco.

O jantar passou num silêncio tenso. Cada garfada tinha gosto de cinza. Comi quieta, rezando para aquilo acabar — rezando para voltar ao meu quarto, onde eu pudesse respirar. Eu não queria atenção. Nem interação.

“Então”, por fim uma voz cortou a tensão, pingando deboche. “Conte pra gente, senhorita Olivia… o que você faz?”

Ergui o olhar.

Era a mulher linda.

“Ou você é só uma dona de casa—” ela fez uma pausa deliberada, os lábios se curvando, “—nada?”

Minhas mãos endureceram em torno dos talheres. Olhei para o Alfa Kingsley.

Ele não olhou para mim.

O rosto dele permaneceu frio, composto, enquanto comia com uma graça sem esforço — como se o próprio ato de jantar fosse uma arte.

Desviei o olhar e voltei para ela.

“Eu não faço nada”, disse baixo. “Ainda não consigo me transformar.”

Uma risada aguda escapou dela.

“Ah, é?” Ela inclinou a cabeça. “Então o que temos aqui é uma sem lobo, sem trabalho, gorda—”

Alguns suspiros soaram.

“E…” ela fez um gesto displicente com a mão, “…um erro.”

Meu peito ardeu.

Olhei para o Alfa Kingsley de novo.

Ele estava sentado como uma estátua.

Em silêncio.

Impassível.

Como se nada daquilo importasse.

“Chega, Kate”, um homem ao lado dela ralhou. “Pare de ser grossa com a nossa convidada.”

Kate bufou. “Eu não fui grossa. Eu só disse fatos.”

Ele suspirou e se virou para mim. “Peço desculpas pela falta de respeito da minha irmã. Ela é… mimada.” Ele fez um aceno educado. “Eu sou Andrew, o Beta desta matilha. Ao meu lado está a minha companheira, Maria.”

“Tudo bem”, respondi baixo. “Prazer em conhecer vocês.”

Murmúrios voltaram a encher o salão — empolgação, curiosidade, julgamento. Eu me senti como se mil olhos perfurassem a minha pele. Eu tinha passado a maior parte da vida escondida das pessoas.

Aquilo era sufocante.

Empurrei a cadeira para trás e me levantei.

“Eu terminei”, falei, com a voz tremendo ao me virar para o Alfa Kingsley. “Vou voltar para os meus aposentos.”

Não esperei permissão.

Eu mal tinha dado cinco passos quando—

Eu caí.

Comida e bebidas se derramaram sobre mim, encharcando meu vestido, respingando no chão.

Risos explodiram.

“Não basta ser gorda?”, Kate zombou alto. “Agora você também é desajeitada?”

Minhas mãos tremiam enquanto eu me apoiava para me levantar. “V-você fez isso de propósito… não fez?”

Ela ergueu as sobrancelhas com inocência. “Eu não fiz nada. Você não é gorda e cega agora, é?”

Ela soltou uma risadinha.

Fiquei ali, com a humilhação queimando por dentro enquanto as lágrimas escorriam pelo meu rosto.

Eu me ergui de supetão e corri.

“Olivia, espera!”

A voz do Alfa Kingsley cortou o salão — pela segunda vez desde que eu tinha chegado.

Mas eu não parei.

Não olhei para trás.

Corri até o meu quarto, com o coração se estilhaçando a cada passo.

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