Capítulo 2

Acordei num sobressalto quando a dor atravessou meu coração. Eu sentia a Hera uivando de dor também. Eu sabia exatamente o que estava acontecendo quando a fisgada voltou, mas eu não podia gritar; precisei abafar meus gritos para não acordar minha garotinha.

Ele estava com alguém de novo, e eu não podia fazer nada além de sentir aquela dor. Era por isso que ele tinha me proibido de aceitar a rejeição dele: para que eu sentisse a dor sempre que ele transasse com outra mulher.

Por que ele está fazendo isso com a gente? Hera chorou, enquanto eu me punha de pé e seguia em direção à porta. A gente está amaldiçoada? Por que o nosso próprio companheiro nos odeia tanto?

Eu não sei, Hera — eu gemi, abrindo a porta e saindo do porão.

Eu lutei para me manter de pé enquanto subia as escadas.

O que você está fazendo? ela me perguntou.

Eu não sei.

E eu realmente não sabia. Eu subi e me guiei pela casa da matilha. Estava tudo em silêncio; todo mundo dormia. Eu atravessei os corredores e subi mais degraus, indo para onde o meu coração me puxava.

Eu caminhei até chegar diante da porta. Dessa vez, outra onda de dor atravessou todo o meu corpo, e eu senti meus joelhos cederem.

Nyx, não! Que porra você está fazendo? Hera perguntou quando eu estendi a mão e bati na porta. Eu conseguia ouvir nitidamente os grunhidos e os gemidos de prazer. Eu bati mais forte, e, conforme a dor se intensificava, os sons lá dentro aumentavam.

Eu ia bater de novo quando a porta foi escancarada e, de imediato, eu baixei a cabeça em submissão, tomada pela aura do Alfa.

Ele estava ali, completamente nu, os olhos ardendo de raiva enquanto me encarava.

— Por que você está fazendo isso comigo, Titan? — eu gritei, com dor, chamando-o pelo nome, sem o título.

Eu não tive tempo nem de reagir: fui prensada contra a parede, e a mão dele, com as garras se alongando, se fechou em volta do meu pescoço.

— Sua vira-lata! — ele rosnou. — Como você se atreve a me questionar e a falar comigo com tamanha falta de respeito?

Um tapa acertou meu rosto. Eu soltei um gemido de dor, e a Hera uivou ao mesmo tempo.

— Você pediu por isso! — Eu vi os olhos dele escurecerem e soube que ele estava fazendo um elo mental.

Ele me largou, e eu caí no chão com um baque. Em poucos segundos, guerreiros surgiram do nada, me agarraram e me arrastaram para fora da casa da matilha, enquanto outros membros saíam dos quartos; os murmúrios e resmungos foram crescendo.

Eles me levaram para fora, para o campo aberto, com guerreiros da matilha ao meu lado apertando ainda mais as mãos nos meus braços. Logo, outros membros se juntaram, parando para olhar com expressões confusas, sem entender o que estava acontecendo.

O Alfa Titan também saiu da casa. Agora estava vestido e trazia uma expressão assustadora. Eu me vi tomada por medo e curiosidade — mas principalmente medo —, imaginando o que ele faria comigo.

— Silêncio! — ele berrou para os membros da matilha, e as conversas cessaram na hora. — Hoje, eu vou ensinar esta Ômega. — O olhar dele se fixou em mim. — A nunca mais me desafiar!

Eu gemi, sabendo que era o meu companheiro falando comigo assim e me causando aquela dor.

— Tragam ele aqui! — ele gritou, e eu vi meu pai sendo arrastado para fora da casa da matilha, abatido como sempre. Eles o largaram no chão, a alguns passos de onde o Alfa estava.

— Pai... — eu gritei, alarmada, tentando correr até ele, mas fui segurada na mesma hora pelos guerreiros.

— O que você vai fazer? — eu gritei para o Alfa Titan. Os membros da matilha prenderam a respiração diante da minha ousadia. — Deixa ele fora disso. Fui eu que te enfureci.

— Não, minha querida companheira. Não. — O sorriso dele era sinistro. — Eu sei que isso vai te destruir ainda mais, e você vai carregar essa culpa pelo resto da vida.

Que culpa? eu me perguntei, enquanto via ele se transformar no enorme lobo marrom.

E, diante dos meus olhos, ele avançou em cima do meu pai — e então eu entendi o que ele queria dizer com culpa. Eu assisti enquanto ele saltava sobre meu pai e quebrava o pescoço dele entre as mandíbulas de lobo. O estalo seco me embrulhou o estômago, e o sangue espirrou.

Eu desabei no chão, escapando das mãos dos guerreiros, enquanto via meu pai morrer diante de mim — uma morte que eu tinha causado.

Eu uivei de dor.

Eu só queria um dia que não fosse completamente feliz — porque eu sabia que não podia ser feliz —, mas pelo menos em paz, porque era um dia especial. O que eu não esperava era ser a causa da morte do meu próprio pai no meu aniversário de 21 anos.

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