Capítulo 3
Aquilo me atingiu como um raio. Fiquei completamente paralisada no lugar.
Margaret suspirou, veio até mim e praticamente me arrastou de volta para a cama, o rosto carregado daquela decepção de “eu te avisei”. “Eu disse que seu corpo está fraco. Eu falei pra você tomar o chocolate quente hoje de manhã por causa dos nutrientes, mas você tinha que fazer escândalo! E olha no que deu! O fiscal ligou dizendo que você desmaiou por hipoglicemia bem no meio da sala de prova, tiveram que te trazer pra casa!”
“Sempre esse chocolate quente... toda santa vez é por causa do chocolate quente!” Segurei a cabeça latejante, dolorida, e três anos de emoções represadas arrebentaram de uma vez. Meus olhos arderam, vermelhos, enquanto eu a encarava e berrava: “Por que eu sempre sofro um acidente logo depois de beber o seu chocolate quente antes da prova da Ordem?! Que diabos você põe nele?!”
Margaret congelou diante do meu grito; um lampejo inconfundível de pânico atravessou seus olhos. “Você... você acha que eu mexi no chocolate?”
“E não mexeu?!” Eu estava praticamente rangendo os dentes.
Antes que ela pudesse continuar mentindo, a porta do quarto escancarou. Ethan e Liam entraram de supetão.
Ethan estava com nojo, apontando direto para o meu rosto e gritando sem nenhum filtro. “Clara, dá pra parar de descontar o seu fracasso na prova da Ordem na minha mãe?! Ela fez chocolate pra você se nutrir, e você acha que ela tá tentando te machucar? Tá de sacanagem?”
Liam entrou na conversa com uma risada fria, cheia de desprezo. “É, gênio de Harvard. Se tivesse alguma coisa errada com o chocolate quente, você vem bebendo isso há anos e não morreu. Por que só te derruba bem antes da prova da Ordem?”
Eu tremia com as palavras deles, mas então congelei por completo.
As palavras de Liam me acertaram como uma marreta.
Ele tinha razão. Se havia alguma coisa errada com o chocolate quente, desta vez — na manhã da prova — eu não bebi uma única gota! Eu mesma tinha despejado o chocolate da noite anterior no vaso de flores!
Então por que eu ainda desmaiei na sala de prova, do nada?! Que porra estava acontecendo?
Ao me ver pensativa, sem rebater, Margaret imediatamente trocou para aquela expressão amorosa e sofrida. Ela trouxe de volta à minha boca aquela xícara fumegante de chocolate, com a voz baixa e acolhedora. “Pronto, para de pensar demais. Você ficou dormindo três dias e não comeu nada. Toma o chocolate primeiro pra assentar o estômago; mais tarde eu faço uma refeição bem grande pra você.”
Aquele cheiro enjoativamente doce atingiu meu nariz de novo e me deu vontade de vomitar. Eu encarei o rosto preocupado de Margaret, engoli a náusea, hesitei por dois segundos e, então, obediente, peguei a xícara e virei tudo na frente deles.
Quando terminei até a última gota, Margaret enfim soltou um suspiro enorme, puxou Ethan e Liam e se virou para sair.
No segundo em que a porta fez clique ao fechar, eu me sentei num salto, corri para o banheiro, tranquei a porta e enfiei dois dedos na garganta!
Eu engasguei e ânsiei, vomitando cada gota daquele chocolate quente que eu tinha acabado de beber, juntando tudo, sem deixar nada, dentro de um frasco de amostra limpo e lacrado.
Mesmo que eu não tivesse bebido naquela manhã, e se eu tivesse bebido tanto antes que as toxinas já tivessem entrado no meu sistema nervoso?
Eu precisava descobrir. Liguei imediatamente para um laboratório médico de ponta, totalmente particular, e enviei a amostra para análise urgente.
