Capítulo 1 Prólogo
— Não tenho tempo para joguinhos, Clarice — disse Victor, o herdeiro bilionário do conglomerado da família Corte Real. — Vou te ajudar financeiramente para que saia dessa cidade com a sua irmã e recomece a vida em outro lugar. Em troca, você aceita se casar comigo.
— Você ficou louco? — Clarice deu um passo para trás, encarando-o com choque e desconfiança. — Casar com você? Por quê?
— Porque preciso de você pra afrontar o meu pai e provar que ele não controla a minha vida. Se eu me casar com alguém que os meus pais jamais aceitariam, eles vão desistir desse lance de casamento arranjado.
No fundo, Victor só queria voltar à Itália para ver o seu primeiro amor, enquanto continuava a administrar os negócios da família por lá.
— Isso é ridículo.
— Ridículo é perder uma ótima oportunidade porque você é orgulhosa demais para aceitar ajuda. — Impaciente, esbravejou. — Pense no futuro da sua irmã, Clarice. Por acaso, você acha que consegue mantê-la sem teto e sem recursos?
Clarice fechou os olhos por um segundo, sentindo o peso da realidade esmagá-la. Internamente, ela resmungou: "Não era isso o que eu queria, mas não tenho saída".
— Quais são as suas condições? — Ela o encarou ao perguntar, quase sem forças.
— Um casamento civil, discreto e temporário. Assim que eu resolver a minha situação com o meu pai, nós nos divorciamos e você segue sua vida com a quantia que eu lhe pagar. Sem cobranças e sem qualquer envolvimento emocional.
Clarice continuou mantendo o contato visual com Victor, enxergando a determinação fria nos olhos azuis, até finalmente ceder:
— Aceito.
Um ano depois, os negócios da família Corte Real não iam tão bem. Tanto as empresas quanto a fazenda foram a leilão e a nova proprietária viria tomar posse.
No escritório, Victor perambulava aflito. Questionou o pai sobre a identidade da nova dona da propriedade e do conglomerado, mas o velho se recusou a falar.
Após ir até a janela, ele apoiou o braço direito na parede. Passaram-se cinco minutos desde que o advogado avisou que a cliente estava chegando. De repente, a porta se abriu.
— Com licença!
Ele girou os calcanhares assim que reconheceu aquela voz. Olhava incrédulo para a mulher levemente maquiada. As maçãs do rosto dela estavam mais coradas por causa do blush.
— Clarice? — Apressou-se e parou diante dela. O coração dele estava aos saltos. — Eu estava procurando por você! — Victor sussurrou num barítono aveludado. — Onde você estava?
Ambos se encararam por alguns segundos, sustentavam o olhar um do outro, em igualdade de forças e de paixão.
Não dava para negar que aquele amor intenso ainda queimava dentro do peito.
A aparência do homem mais magro e com barba por fazer era um tanto preocupante. Era a primeira vez que via Victor tão despreocupado com o seu visual.
— Você já comeu? — Alisou seu rosto com o dedo indicador.
Carlos, que estava sentado na poltrona atrás da mesa, pigarrou para chamar a atenção do casal. Naquele instante, percebeu que vender aquela fazenda era a melhor decisão que tomou na vida.
— Eu vou sair para conversar com a Clarice… — segurou a mão dela.
— Não, Victor! — ela se negou com veemência. — Tenho que conversar com o seu pai.
A expressão meiga mudou de repente; era como se tudo desabasse sobre os seus pés.
— Espera... — Olhou de Clarice para os advogados. — Não, não! — Victor riu de nervoso e fitou o pai. — É sério? — Virou o rosto e encarou Clarice. — Você é a nova proprietária?
— Eu explico para você depois! — ela suspirou.
— De onde você tirou esse dinheiro? — Victor deu um passo em direção a ela, aprumando-se.
Por dentro, Clarice exultava. Aquele era apenas o primeiro passo para destruir o homem que um dia a usou e a descartou.
