Capítulo 5 Capítulo 5
A primeira coisa que pensei quando Roman trancou a porta do carro foi que eu tinha cometido um erro.
Um erro enorme.
Talvez o maior da minha vida.
O clique da fechadura pareceu alto demais dentro do silêncio do veículo.
Olhei imediatamente para a porta.
Depois para Roman.
Ele ainda estava no banco do motorista, com as duas mãos apoiadas no volante, olhando para a estrada à frente como se aquilo fosse apenas mais uma viagem qualquer.
Como se não tivesse acabado de sequestrar uma mulher.
Como se eu não estivesse sentada ao lado de um homem que tinha matado alguém na noite anterior.
Como se eu não tivesse passado as últimas horas imaginando se ele viria atrás de mim.
Minha respiração ficou curta.
— Para onde estamos indo?
Roman não respondeu.
Virei o rosto para a janela.
Os prédios da cidade começaram a ficar para trás.
No começo, ainda havia lojas, semáforos e pessoas caminhando pelas calçadas. Depois, as construções ficaram cada vez mais espaçadas. As ruas deram lugar a avenidas largas e, pouco depois, as avenidas desapareceram.
Eu acompanhei a mudança da paisagem com o estômago se apertando.
Casas.
Postos de gasolina.
Terrenos vazios.
Árvores.
Cada vez menos pessoas.
Cada vez menos possibilidades de pedir ajuda.
— Roman.
Nada.
— Eu fiz uma pergunta.
Ele continuou dirigindo.
— Você costuma ignorar todo mundo assim ou é só comigo?
Um pequeno movimento apareceu no canto da boca dele.
Não chegou a ser um sorriso.
— Só com você.
Aquilo deveria ter me tranquilizado?
Não.
Na verdade, piorou.
Cruzei os braços.
— Isso deveria ser engraçado?
— Não.
— Ótimo.
Voltei a olhar pela janela.
O carro continuou avançando.
Eu não fazia ideia de quanto tempo havia passado quando percebi que o asfalto tinha ficado irregular.
Roman entrou em uma estrada estreita cercada por árvores.
Meu coração disparou.
— Onde estamos?
Silêncio.
— Roman.
Ele não respondeu.
— Onde estamos?
Nada.
Virei o corpo para ele.
— Você está me levando para algum lugar onde ninguém vai conseguir me encontrar?
Dessa vez, ele olhou para mim rapidamente.
— Sim.
Meu sangue gelou.
Ele voltou os olhos para a estrada.
Eu fiquei alguns segundos sem conseguir falar.
— Você poderia ter mentido.
— Poderia.
— E preferiu dizer a verdade?
— Você vai descobrir de qualquer maneira.
Engoli em seco.
O carro continuou avançando.
As árvores ficaram mais densas.
Eu comecei a procurar alguma coisa que pudesse usar como arma.
Uma garrafa.
Um objeto no banco traseiro.
Qualquer coisa.
Mas não havia nada.
Apenas aquele maldito carro, Roman e eu.
E então pensei no que aconteceria quando chegássemos.
Talvez ele tivesse me trazido para aquele lugar justamente porque ninguém encontraria meu corpo.
Meu estômago revirou.
Eu apertei os dedos contra a lateral do banco.
Não.
Não podia pensar assim.
Eu precisava manter a cabeça funcionando.
Se Roman realmente quisesse me matar, por que teria aparecido na minha casa?
Por que teria me avisado?
Por que teria me dado uma escolha?
Eu não sabia.
E o fato de não saber era o que mais me assustava.
Depois de mais alguns minutos, apareceu um portão enorme entre as árvores.
Preto.
Alto.
Com câmeras nos dois lados.
Roman reduziu a velocidade.
O portão se abriu automaticamente.
Meu coração afundou.
Atrás dele havia uma estrada particular.
Comprida.
Cercada por árvores perfeitamente alinhadas.
E, ao longe, uma construção enorme começou a surgir.
Não era uma casa.
Era uma propriedade.
Uma mansão.
Grande demais.
Isolada demais.
Perfeita demais.
— Que lugar é esse?
Roman estacionou diante da entrada.
Desligou o motor.
Finalmente olhou para mim.
— Desça.
Fiquei parada.
— Não.
Ele ergueu uma sobrancelha.
— Não?
— Não.
Minha voz tremeu, mas eu não recuei.
— Você não me diz para onde está me levando, me traz para uma propriedade no meio do nada e espera que eu simplesmente saia do carro?
Roman abriu a porta.
— Sim.
— Você é insuportável.
— Já me disseram.
Ele saiu.
Eu permaneci sentada.
Por alguns segundos, considerei simplesmente ficar ali.
Então Roman deu a volta no carro.
Abriu minha porta.
— Stella.
— O quê?
— Saia.
— E se eu não sair?
Ele se inclinou um pouco.
Os olhos escuros encontraram os meus.
— Eu posso carregar você.
Meu coração bateu mais forte.
— Você não faria isso.
— Quer descobrir?
Fechei os olhos por um segundo.
— Eu odeio você.
— Você mal me conhece.
— É suficiente.
Ele estendeu a mão.
Não aceitei.
Saí sozinha.
Assim que meus pés tocaram o chão, percebi o tamanho da propriedade.
A mansão tinha dois andares, paredes claras e enormes janelas. Havia uma piscina ao lado, um jardim impecavelmente cuidado e um caminho de pedras levando até a entrada.
Mas não havia vizinhos.
Não havia casas próximas.
Não havia ninguém na estrada.
Apenas árvores.
E câmeras.
Muitas câmeras.
— Isso é uma prisão.
Roman caminhou ao meu lado.
— Não.
— Parece.
— Uma prisão não teria piscina.
Parei.
Olhei para ele.
— Você realmente está fazendo piada agora?
— Não.
— Você é estranho.
— Também já me disseram isso.
Ele abriu a porta principal.
— Entre.
Eu hesitei.
Olhei para trás.
O portão já estava fechado.
Meu peito apertou.
Entrei.
O interior era ainda mais impressionante do que o exterior.
O chão de mármore brilhava sob a luz dos lustres. Havia móveis escuros, quadros enormes e uma escadaria que levava ao segundo andar.
Tudo parecia caro.
Frio.
Intocável.
Como Roman.
Ele fechou a porta atrás de mim.
O som ecoou pelo hall.
Eu me virei.
— Agora você vai me dizer o que está acontecendo?
Roman não respondeu.
Passou por mim e começou a andar.
— Ei!
Ele continuou.
— Roman!
Parou.
Virou lentamente.
— O quê?
— Onde eu estou?
Ele me encarou por alguns segundos.
— Em uma propriedade minha.
— Isso eu já percebi.
— Então sua pergunta foi respondida.
— Não foi.
Ele suspirou.
— Você faz muitas perguntas.
— E você responde muito pouco.
— Talvez seja por isso que ainda estamos conversando.
Cruzei os braços.
— Quero ir embora.
— Não.
— Você não pode simplesmente decidir isso.
— Posso.
— Por quê?
Ele me encarou.
— Porque você não entende o perigo em que está.
— Então me explique!
O silêncio se estendeu.
Roman parecia decidir se deveria ou não dizer alguma coisa.
Finalmente, desviou os olhos.
— Você precisa de proteção.
— E por que sua proteção precisa parecer um sequestro?
— Porque, neste momento, segurança e liberdade não podem coexistir.
Aquilo me fez ficar em silêncio.
Ele subiu dois degraus.
— Seu quarto está no segundo andar.
— Meu quarto?
— Sim.
— Eu vou ficar aqui?
Ele não respondeu.
Meu coração acelerou.
— Por quanto tempo?
Roman continuou subindo.
— Roman!
Ele parou no meio da escada.
Olhou para mim.
— Até eu decidir que é seguro você sair.
— E se eu não aceitar?
Ele ficou alguns segundos em silêncio.
Depois respondeu:
— Você não está em posição de negociar.
Meu corpo inteiro ficou tenso.
Ele desapareceu no corredor.
Eu permaneci no hall.
Sozinha.
Ou pelo menos pensei que estivesse.
Até ouvir passos atrás de mim.
Virei rapidamente.
Um homem estava parado perto da porta.
Terno preto.
Expressão séria.
Ele não parecia muito mais velho que Roman.
— Quem é você?
— Matteo.
— Você trabalha para ele?
— Sim.
— Então eu quero falar com Roman.
— Ele está ocupado.
— Diga a ele que eu quero ir embora.
Matteo me observou por alguns segundos.
— Não acho que seja uma boa ideia.
— Eu não pedi sua opinião.
Ele quase sorriu.
— Você realmente não tem medo de falar.
— Tenho.
A resposta saiu antes que eu pudesse impedir.
Matteo ficou sério novamente.
— Então deveria confiar no seu medo.
Ele saiu.
Fiquei olhando para a porta.
Aquela frase não ajudou em absolutamente nada.
Subi as escadas.
Meu quarto ficava no final do corredor.
Quando entrei, fiquei surpresa.
Era enorme.
Cama grande.
Banheiro privativo.
Armário.
Uma janela enorme com vista para o jardim.
Sobre a cama havia roupas.
Novas.
Ainda com etiquetas.
Meu tamanho.
Meu coração acelerou.
Ele tinha comprado roupas para mim.
Ou alguém tinha.
Aquilo significava que Roman tinha planejado minha chegada.
Não tinha sido improviso.
Ele já sabia que eu viria.
Sentei na cama.
Passei as mãos pelo rosto.
Eu queria chorar.
Queria gritar.
Queria encontrar uma saída.
Mas, principalmente, queria entender.
Por que eu?
Por que aquele homem precisava tanto de mim?
E o que ele faria comigo se eu continuasse recusando?
Levantei.
Fui até a janela.
Tentei abri-la.
Trancada.
Olhei para a porta.
Também não havia chave pelo lado de dentro.
O pânico começou a subir lentamente.
Eu estava presa.
De verdade.
Voltei para a cama.
Sentei.
Esperei.
Não sei quanto tempo passou.
Talvez vinte minutos.
Talvez uma hora.
Até que ouvi a porta abrir.
Roman entrou.
Sem bater.
Meu corpo ficou rígido.
— Você não sabe bater?
— Sei.
— Então por que não bate?
— Porque essa não é minha casa?
Olhei para ele.
— Essa é a sua casa.
— Exatamente.
— Isso não responde.
Ele fechou a porta atrás de si.
— Você está com fome?
— Não.
Meu estômago roncou.
Roman olhou para baixo.
Depois para mim.
— Claro.
— Eu disse que não.
— Seu estômago discordou.
— Ele não manda em mim.
Roman caminhou até uma pequena mesa onde havia uma bandeja.
— Coma.
— Não quero.
— Stella.
— O quê?
— Você está tremendo.
Olhei para minhas mãos.
Ele tinha razão.
Eu as escondi atrás das costas.
— Estou com medo.
Roman ficou parado.
Pela primeira vez desde que o conheci, algo mudou em seu rosto.
Não foi culpa.
Não foi arrependimento.
Foi algo mais difícil de identificar.
— Eu sei.
— Você sabe?
— Sei.
— Então me deixe ir.
Ele não respondeu.
Aproximou-se lentamente.
Parou a poucos passos de mim.
— Se eu deixar você ir agora, provavelmente estará morta antes do fim do dia.
Meu peito apertou.
— Você está tentando me assustar.
— Não preciso tentar.
Fiquei em silêncio.
Roman colocou as mãos nos bolsos.
— Você testemunhou a morte de um senador.
— Eu já sei.
— E ouviu meu nome.
— Sim.
— Isso faz de você um problema.
Meu corpo ficou frio.
— Para você?
— Para todos.
— Então por que não me matou?
Ele me encarou.
Dessa vez, demorou para responder.
— Porque ainda posso usar você.
Meu coração parou.
— Usar?
Roman se aproximou mais um passo.
— Existe uma maneira de manter você viva.
— Qual?
Ele não respondeu.
Apenas me observou.
— Roman?
Ele desviou o olhar.
— Descanse.
— Não.
— Você precisa dormir.
— Não vou dormir enquanto não me disser o que pretende fazer comigo.
Ele caminhou até a porta.
— Você vai descobrir.
— Quando?
Ele abriu a porta.
— Em breve.
— Roman.
Ele parou.
— O quê?
Eu respirei fundo.
— Você vai me matar?
O silêncio que veio depois pareceu durar uma eternidade.
Roman não respondeu imediatamente.
Apenas me encarou.
Então saiu.
A porta fechou.
Eu fiquei parada.
Aquela resposta era pior do que qualquer ameaça.
Porque ele não tinha dito não.
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Não consegui dormir.
Passei horas sentada na cama.
A propriedade estava silenciosa.
De vez em quando, eu ouvia passos no corredor.
Vozes distantes.
Portas abrindo e fechando.
Mas ninguém entrava.
Até que a porta se abriu novamente.
Roman apareceu.
Dessa vez, não entrou.
— Venha comigo.
Meu coração disparou.
— Para onde?
— Apenas venha.
— Não.
Ele ficou parado.
— Stella.
— Você não respondeu minha pergunta.
— Qual?
— Você vai me matar?
Roman me observou.
Então entrou no quarto.
Fechou a porta.
Caminhou até ficar diante de mim.
— Você quer saber a verdade?
Assenti.
— Sim.
Ele respirou fundo.
— Então venha comigo.
Meu instinto gritava para não ir.
Mas alguma coisa dentro de mim dizia que aquela era a resposta que eu estava procurando.
Levantei.
Segui Roman pelo corredor.
Descemos a escada.
Passamos pela sala.
Ele abriu uma porta lateral que levava para fora.
O ar noturno bateu no meu rosto.
Caminhamos pelo jardim.
Depois pelo gramado.
Quanto mais avançávamos, mais distante a mansão ficava.
As árvores escondiam a casa.
Até que chegamos a uma área cercada por mata.
Roman parou.
Olhei ao redor.
— Por que me trouxe aqui?
Ele não respondeu.
Meu coração começou a bater violentamente.
— Roman?
Ele ficou de costas para mim.
Depois virou.
— Você queria saber o que aconteceria se eu decidisse matar você.
Eu não consegui respirar.
— Sim.
Ele apontou para o chão.
— Aqui.
Olhei.
Havia uma pequena área de terra revolvida.
Uma cova.
Meu sangue gelou.
Dei um passo para trás.
— Não.
Roman continuou me olhando.
— Existem duas opções, Stella.
Minha respiração ficou descontrolada.
— Roman...
Ele deu um passo na minha direção.
— A primeira é simples.
Olhei para a cova.
— Você morre.
As palavras foram ditas com uma calma assustadora.
— E recebe uma cova aqui.
Meu corpo inteiro começou a tremer.
— Não...
— Ninguém vai encontrar você.
Lágrimas começaram a se acumular nos meus olhos.
— Por favor.
Roman não desviou o olhar.
— A segunda opção...
Ele fez uma pausa.
Longa o suficiente para me deixar desesperada.
Então completou:
— É você se tornar minha esposa.
Fiquei completamente imóvel.
— O quê?
Roman se aproximou.
— Minha esposa.
Soltei uma risada nervosa.
— Você está louco.
— Não.
— Você acabou de me dizer que posso morrer ou casar com você?
— Sim.
— Isso não é uma escolha!
— É a única que estou oferecendo.
— Por quanto tempo?
Ele sustentou meu olhar.
— Seis meses.
Meu coração batia tão forte que parecia doer.
— E depois?
— Depois, você estará livre.
— E por que você precisa de uma esposa?
Roman ficou em silêncio.
Então respondeu:
— Porque preciso de uma esposa legítima ao meu lado.
— Para quê?
— Para proteger meus interesses.
— E eu?
Ele se aproximou mais.
— Você será protegida enquanto estiver comigo.
— Isso é uma ameaça?
— É uma proposta.
Olhei novamente para a cova.
Depois para ele.
— Você chama isso de proposta?
— Sim.
— Você é um monstro.
Roman não reagiu.
Apenas continuou olhando para mim.
— Se aceitar, você vive.
— E se eu recusar?
Ele olhou para a terra ao lado.
— Então eu termino o problema que começou naquela noite.
As lágrimas escorreram pelo meu rosto.
Eu odiava aquele homem.
Odiava a forma como ele falava.
Odiava o controle que tinha sobre aquela situação.
Mas, acima de tudo, odiava saber que ele tinha colocado diante de mim uma escolha em que nenhuma das opções parecia realmente minha.
Roman estendeu a mão.
— Pense com cuidado.
Olhei para a mão dele.
Depois para a cova.
E compreendi, naquele instante, que minha vida tinha acabado de mudar para sempre.
Porque, naquela noite, eu não estava escolhendo entre um casamento e a liberdade.
Eu estava escolhendo entre ser enterrada...
ou me tornar a esposa do homem que mais deveria temer.
