Capítulo 6 A tragédia
— Não foi nada, mamãe.
Ela tocou o queixo de Bryan, levantou o rosto do garoto e viu lágrimas nos olhos azuis.
— Com licença, signorita Delacroix! — A professora abordou Justine. — O Bryan foi suspenso por três dias por brigar com o colega de classe. Vou pedir mais uma vez que converse com o seu filho.
— Por que você bateu no seu colega, Bryan? — Justine redarguiu com veemência.
— Ele falou para todo mundo que sou um bastardo porque não tenho pai… por isso, eu bati nele.
— O outro aluno também foi suspenso por agredir o Bryan verbal e fisicamente. — Ao mencionar, a professora uniu as mãos na frente da barriga.
Dando um olhar enviesado para o filho, Justine negou com a cabeça.
— Não devemos resolver tudo na base da violência… — A professora falava. — O Bryan deveria me contar que estava sofrendo bullying, ao invés de agredir o colega.
— Pardón! — Justine pediu meio sem graça. — Vou conversar com o meu filho, isso não vai se repetir.
— Que assim seja! — Exclamou a professora. — Com licença. — Empinou o nariz e voltou para dentro da escola.
Segurando a mão do garotinho, Justine caminhava pela rua ao lado do filho. Quando pararam, ela fitou os olhos azuis do menino.
— Não devia ter agredido o seu colega.
— Ele vive dizendo que vou para o orfanato se você morrer. Por que todos têm um pai e só eu não tenho? — A voz infantil indagou. — Não queria que o meu pai tivesse morrido. Eu preferia que o papai estivesse aqui.
Aquelas palavras foram como uma pancada no coração de Justine. Não era fácil ver a tristeza estampada no rosto do filho e continuar sustentando a mentira. Kevin era extremamente vingativo e Justine temia que ele hostilizasse Bryan devido a seus erros do passado.
— Eu consegui o dinheiro para comprar uma bola de futebol nova pra você.
— Oba! — Bryan se animou. — Posso ver?
Vendo o filho sorrir, Justine não conseguiu dizer não. Pegou a nota de €20 na bolsa e entregou para o filho.
A mente de Justine ia e voltava para o que vivenciou há sete anos enquanto caminhavam dispersos pela rua. Lembrava-se claramente do dia em que Kevin mandou-a embora e nem lhe deu a chance de se explicar. Perdida em seus pensamentos, não se deu conta quando o filho abriu a mochila e pegou a carteira. Ela nem mesmo percebeu quando um homem encapuzado se aproximou sorrateiramente e, de repente, agarrou o menino pelo braço e tentou roubar a carteira.
— Solta, isso é meu! — Bryan puxou.
De repente, houve um som de um estampido e corpo do menino caiu no chão. O homem de capuz saiu correndo, largando a carteira para trás.
— Não, não, não! — Desesperada, ela berrava — Bryan, acorda. — Tocou a cabeça dele e ficou ainda mais assustada quando sentiu o líquido quente descendo por sua mão.
— Ele levou um tiro. — Alguém gritou.
— Chamem a ambulância, tem uma criança baleada. — Outra pessoa clamou por ajuda ao ver a tragédia.
O carro de polícia parou ao lado da mãe desolada, que continuou ajoelhada no chão. Justine chorava sem parar, abraçando o corpo inerte do pequeno Bryan, que levou um tiro na cabeça.
— Não, não! Kevin não podia ter feito isso com o meu filho. — Desesperada, ela gritava em meio ao choro angustiado.
