Capítulo 1
PONTO DE VISTA DA SUMMER
Odeio meu cabelo. Odeio a cor dos meus olhos. Odeio tudo em mim. Por que eu estava me submetendo a isso? Mesmo se eu encontrasse meu companheiro esta noite, ele provavelmente daria uma olhada para mim e me rejeitaria. É só disso que eu preciso, não é? Ser humilhada publicamente desse jeito. Meu pai, o Alfa, ficaria tão orgulhoso de mim então, não é? Sei que ele só quer se apressar e me casar logo para que eu saia do caminho e meu irmão mais velho possa assumir como Alfa, finalmente. Não sei por que ele está esperando até que eu saia de casa para passar o comando. Ele simplesmente estava. Meu pai fazia muitas coisas que não faziam muito sentido para as outras pessoas, exceto para ele mesmo.
Eu não sabia por que estava realmente me submetendo a isso. E se eu acabasse com um companheiro que fosse um completo fracassado ou um babaca total? O que eu faria então?
— Summer! — Minha mãe chamou num tom cantariolado, batendo na porta do meu quarto.
— Oi! — Respondi no mesmo tom, e ela abriu a porta e entrou. Ela parou assim que me viu de pé em frente à penteadeira e levou a mão à boca ao me ver usando o vestido branco brilhante, longo e com decote ombro a ombro, com uma pequena cauda na parte de trás, e meu cabelo castanho preso com algumas mechas cacheadas soltas ao redor do meu rosto.
— Você está tão linda. — Ela diz, aproximando-se lentamente de mim.
— Não. Não estou. — Digo, aplicando um pouco mais de maquiagem. Eu estava tentando consertar tudo o que havia de errado com o meu rosto, mas minha mãe me impediu, segurando minhas mãos.
— Você não precisa de mais maquiagem. Você está deslumbrante. Acredite em mim.
— Eu realmente preciso ir a esse baile de acasalamento?
— É um rito de passagem. Todos vão quando completam 18 anos. E seu irmão estará lá.
— É. Só porque ele não consegue encontrar a companheira dele. — Eu digo. Meu irmão Ryker tinha 22 anos e ainda ia a esses bailes de acasalamento todos os anos, esperando que sua companheira estivesse lá. Ele não tem tido muita sorte.
Minha mãe estava de olho na hora e, pela primeira vez na vida, desejei que o relógio simplesmente parasse. Em vez de passar mais rápido, eu queria que parasse completamente para que eu não tivesse que ir.
Mas eu nunca tive tanta sorte, e minha mãe rapidamente me conduziu para fora do quarto, em direção ao longo corredor. Eu precisava ir devagar, porque nunca usava salto alto. Eles já estavam me torturando.
Tivemos que descer três lances de escada naqueles saltos e, quando chegamos ao pé da escada, meu pai — que sempre tinha que estar com a melhor aparência possível, vestido em um terno caro e com os cabelos grisalhos penteados para trás — estava arrumando a gravata do meu irmão Ryker.
— Você está muito elegante. Nenhuma garota vai conseguir tirar as mãos de você esta noite. — Meu pai se gabou.
— Não sei não. Não tive muita sorte no passado. — Ryker diz. E minha mãe pigarreou para avisar que estávamos ali.
— Sério? É isso que você vai vestir? — Meu pai suspirou.
— O que tem de errado? — Perguntei.
— Branco nunca foi a sua cor. Eu já te disse isso. Por que você faz isso? Está tentando me envergonhar? Depois de hoje à noite, todos vão saber que você é minha filha. E sou eu quem vai ter que ouvir comentários sobre como você apareceu tão mal-arrumada em um baile de acasalamento. — Meu pai gritou, apertando a ponte do nariz. — Eu não sei o que diabos vou fazer com você. — Ele disse, balançando a cabeça.
— Do que você está falando, pai? Eu acho que ela está absolutamente linda. — Ryker diz.
— Ela parece uma vagabunda. — Papai esbravejou.
— Como você pode dizer isso da sua própria filha? Ela está deslumbrante. Qualquer homem teria sorte de tê-la. — Minha mãe interveio.
— E esse cabelo? Por que você tem esses fios desgrenhados em volta do rosto? — Meu pai perguntou, afastando-os do meu rosto com um gesto brusco, e eu empurrei a mão dele.
— É o estilo, pai. Emoldura o meu rosto. — Retruquei.
— Bem, provavelmente é por isso que eu os odeio. Prenda isso. — Ele ordenou.
— Não. — Respondi rispidamente. E ele virou a cabeça de volta para olhar para mim e então, sem nenhum aviso, me deu um tapa no rosto.
— Pai! — Ryker gritou.
— Everett! — Mamãe gritou.
— Nunca mais diga não para mim. — Papai ameaçou entredentes. E eu olhei lentamente de volta para o papai, mas notei que Ryker e minha mãe o encaravam em choque. Eu estava tentando não deixar a ardência no meu rosto me dominar. Não levei a mão ao rosto porque não queria que meu pai soubesse que ele realmente havia me machucado quando fez aquilo.
Quando recuperei a compostura, olhei bem no fundo dos olhos dele e não disse nada. Apenas o encarei, de forma desafiadora. Eu não ia prender o meu cabelo. Quer ele gostasse ou não.
— Não acredito que você acabou de fazer isso — mamãe esbravejou com ele. Mas meu pai virou a cabeça bruscamente e rosnou para a minha mãe.
Coloquei a mão no braço da minha mãe, e ela se virou para olhar para mim, e eu balancei levemente a cabeça. Dizendo a ela para não se preocupar com isso. Mas ela não me deu ouvidos.
— Custaria alguma coisa encorajar a garota? Só uma vez? — mamãe perguntou.
— Qual é o sentido de encorajar isso? Ela nunca vai encontrar um companheiro. E se encontrar, ele vai olhar para ela uma vez e rejeitá-la na hora. Ninguém nunca vai querer levá-la para casa para conhecer os pais — meu pai me repreendeu.
— Pai. Por que você não pode simplesmente dizer uma coisa legal para a sua filha antes da maior noite da vida dela? Acho que não te mataria — Ryker disse, exasperado.
— Como diabos você sabe disso? Provavelmente me daria a porra de um ataque cardíaco — o pai disse, virando as costas para mim e se olhando no espelho para garantir que cada fio de seu cabelo estivesse no lugar.
Ele tinha muito orgulho de sua aparência; sempre teve. Sempre achei que isso o tornava muito vaidoso e egocêntrico. E eu sabia que estava certa. Era exatamente isso que ele era. Mas eu tinha aprendido a ignorar isso ao longo dos anos. Se ao menos eu tivesse a coragem de dizer a ele que, se perdesse alguns quilos, ele poderia realmente ser metade do homem que costumava ser. Quem me dera.
Alguém então bateu na porta, então meu pai atendeu, e era o motorista da limusine que nos levaria à festa. Então peguei minha bolsa de mão que eu tinha colocado no armário perto das escadas, e Ryker colocou um braço protetor nas minhas costas, e me guiou para fora.
Mamãe e papai nos seguiram até a varanda, e o pai estava dando a Ryker todo o encorajamento do mundo. Dizendo a ele que este era o seu ano. Ele podia sentir isso. Ele sabia que ia encontrar sua Luna esta noite. Mas quando olhei para ele, ele apenas franziu a testa. Mas minha mãe tinha um sorriso no rosto, não importava o que acontecesse. Ela sempre tinha um sorriso no rosto. Pelo menos quando se tratava de mim, ela tinha. Mamãe deu uma cotovelada nas costelas do meu pai, e ele parou de fechar a cara para mim por um momento.
— Boa sorte, Summer. Você vai precisar de toda a sorte que conseguir — o pai zombou.
Nunca entendi o motivo pelo qual meu pai me odeia do jeito que odeia. Não me lembro de ter feito nada para aborrecê-lo a ponto de ele me odiar dessa maneira. Sempre presumi que fosse porque nasci menina. Ele só queria filhos homens. Nunca o ouvi dizer isso. Não até alguns anos atrás, quando acidentalmente descobri o que ele realmente pensava das mulheres, quando o vi arrastando aquelas pobres garotas sequestradas pela casa e trancando-as na masmorra. Tudo por causa do seu tráfico humano e para tentar ganhar alguns dólares extras usando-as.
Bem quando Ryker e eu estamos prestes a entrar na limusine, o pai desce um degrau da varanda para chamar nossa atenção.
— Não se esqueça de dizer olá ao Alfa James esta noite. Ele está muito animado para ver você de novo — o pai disse com um sorriso malicioso no rosto.
E assim que o nome Alfa James foi mencionado, eu congelei. O que deu ao meu pai uma grande satisfação. Ele parecia extremamente satisfeito consigo mesmo enquanto eu ficava ali, incapaz de me mover.
Minha mãe ficou com um olhar de preocupação, e eu podia sentir os braços de Ryker em mim enquanto ele me puxava em direção à limusine, e me ajudava a entrar. Eu estava absolutamente atordoada e chocada, e nem sabia quais eram as outras emoções que flutuavam dentro de mim. Não até o pânico se instalar. Eu sabia que o pai tinha armado isso. Não havia razão para o Alfa James estar neste baile de acasalamento. Ele não tinha uma companheira, mas eu sei que ele evitava esses bailes de acasalamento em todos os outros anos. Então, por que ele iria logo no meu primeiro ano participando?
De repente, senti náuseas e realmente não queria ir a essa festa. Mas eu não tinha escolha. Ryker estava fazendo de tudo para me acalmar, mas eu não conseguia nem formar palavras a essa altura. Eu sei como o Alfa James é. Ele é um dos melhores amigos do meu pai e está de olho em mim desde que eu tinha 13 anos. Eu não gosto dele há anos, não desde que ele tentou me tocar pela primeira vez.
Sei que Ryker vai me ajudar esta noite, mas se o Alfa James for estar lá, quem mais vai me ajudar? Ele tem ficado cada vez mais abusado com as mãos à medida que eu fico mais velha. Alguém vai impedi-lo ou estarei por conta própria? Sei o que ele fez com outras garotas e morro de medo de que ele faça isso comigo. Sempre acreditei em me guardar para o meu companheiro. Eu não queria que aquele sanguessuga tirasse isso de mim. E eu não duvido nada que ele tente isso no baile. Não se ele conseguisse me pegar sozinha.
