Capítulo 7: Rosie me pediu para encontrar você
Depois de escolher um vestido para Amelia, Jenny e Rachel foram levadas às pressas por Nia para encontrar os melhores maquiadores.
Outro funcionário se aproximou de Amelia e, com um ar constrangido, disse: “Srta. Martinez, nossos estilistas fixos estão com a agenda lotada. O primeiro horário disponível é só daqui a umas duas horas e meia. Serve?”
“Sem problema, eu espero.” Amelia deu de ombros com naturalidade e foi se sentar num sofá ali perto. Pegou uma revista da mesa e começou a folheá-la.
A matéria de abertura trazia uma entrevista exclusiva com o Sr. Bennett.
Ele quase não aparecia em público, mas, depois de ser fotografado produzindo uma celebridade, sua beleza marcante roubara a cena e lhe rendera, de repente, uma legião de fãs enorme, rivalizando com a de alguns ídolos.
Ele quase nunca dava entrevistas. Aquela era uma das poucas.
Na entrevista, o repórter perguntou ao Sr. Bennett, agora com vinte e cinco anos, se ele tinha planos de namorar. O Sr. Bennett respondeu, direto, que já havia alguém de quem ele gostava.
Quando insistiram para saber quem ela era, ele disse que conhecê-la tinha sido sua maior sorte.
“Ela é a chama que dissipa meu frio e minha escuridão, a luz que me guia quando estou confuso, a rosa mais única e deslumbrante que nasce da terra.”
Para ser exato, não era só um gostar superficial; ele a admirava, a reverenciava, e nutria por ela uma paixão secreta e unilateral.
A reportagem partiu muitos corações entre os fãs dele na época.
Amelia fechou a revista.
Cerca de duas horas depois, Amelia ainda estava no sofá, enquanto Jenny e Rachel já tinham terminado de se arrumar.
Jenny parecia régia, e Rachel tinha abraçado por completo o visual de jovem aristocrata.
Seus cabelos castanhos, grossos e encaracolados caíam sobre os ombros arredondados, adornados por uma tiara em forma de flor cravejada de strass cintilantes.
A pele dela estava impecável, e ela usava um vestido branco estilo balonê, com a barra rodada. O blush, num rosa perfeito, lhe dava um ar doce e nobre.
“Oh, Amelia”, Rachel fingiu surpresa ao ver Amelia no sofá. “Você ainda não foi atendida? Já faz mais de duas horas!”
“É”, a expressão de Amelia não mudou enquanto ela sorria de leve para Rachel. “O pessoal disse que eu precisava esperar mais um pouco.”
“Então, Amelia, você deveria continuar esperando aqui. Afinal, não dá pra apressar esse tipo de coisa.”
“O banquete é daqui a duas horas. Mamãe e eu vamos fazer as unhas”, disse Rachel. “Você pode pegar um táxi pro local depois. Vai ficar bem sozinha, né?”
“Sem problema.” O sorriso de Amelia não vacilou. “Não se preocupe, eu consigo chamar um táxi, mesmo não tendo nenhum no interior.”
Satisfeita, Rachel foi embora com Jenny.
Vai saber quando vai chegar a vez da Amelia — com aquele vestido feio e ultrapassado e uma maquiagem feita às pressas, é claro que vão rir dela quando ela aparecer hoje à noite.
Depois de vê-las sair, Amelia pegou uma caneta e um papel destinados aos comentários dos clientes e escreveu um bilhete rapidamente. Em seguida, chamou uma funcionária chamada Zola.
“Com licença, você pode me ajudar com uma coisa?” Zola parecia recém-formada na faculdade e ficou um pouco atrapalhada ao ser chamada.
— Eu estava me perguntando se o sr. Bennett está aqui hoje — perguntou Amelia.
— O sr. Bennett vem ao estúdio todos os dias. Ele fica no escritório até tarde da noite — respondeu Zola.
— Você poderia entregar uma coisa a ele por mim? — Amelia estendeu o bilhete dobrado.
— Desculpe, mas temos uma política rígida. Sem a permissão do sr. Bennett, ninguém pode incomodá-lo no escritório — disse Zola, balançando a cabeça.
— Eu sou amiga do sr. Bennett — disse Amelia. — Acredite, se você entregar isso a ele, ele não vai ver como uma interrupção.
— Isso...
Zola hesitou, encarando Amelia — ela parecia jovem demais para ser amiga do sr. Bennett. Será que era uma fã obcecada tentando passar seu contato?
Mas todo mundo que vinha à Crystal para se arrumar era rico ou influente. Amelia podia parecer comum, mas podia, sim, ter alguma ligação com o sr. Bennett.
— Só entregue este bilhete a ele — acrescentou Amelia. — Vou me lembrar da sua gentileza.
Zola pensou por um momento e então pegou o bilhete com um aceno decidido. — Por favor, espere aqui.
O pior que podia acontecer era levar uma bronca por incomodar o sr. Bennett, mas ganhar um favor de alguém como Amelia poderia render recompensas inesperadas.
Zola pegou o bilhete e seguiu para a área interna do estúdio, as mãos tremendo enquanto batia à porta do escritório. Uma voz fria respondeu lá de dentro:
— Entre.
— Olá, sr. Bennett. — Zola respirou fundo e começou, nervosa.
O sr. Bennett ergueu os olhos, o rosto impassível e frio.
— O que foi?
— Tem uma cliente lá fora que diz ser sua amiga. Ela me pediu para lhe entregar este bilhete — disse Zola, dando um passo à frente para colocar o papel sobre a mesa.
Zola tinha lido o bilhete às escondidas antes, por precaução. Não era contato nem brincadeira: apenas um verso de um poema em inglês.
“Em mim, o tigre fareja a rosa.”
Zola, que tinha estudado literatura na faculdade, reconheceu: era um verso famoso do poema de Siegfried Sassoon, “In Me, Past, Present, Future”.
Ela achou que o sr. Bennett talvez realmente conhecesse Amelia, mas não esperava a reação dele. Ele franziu a testa para o bilhete e, de repente, arregalou os olhos em choque, levantando-se de supetão.
— Quem lhe deu este bilhete? Onde ela está agora? — O sr. Bennett respirou fundo para se manter calmo, mas a mão que segurava o papel tremia visivelmente.
— Uma cliente lá fora... ela está esperando no lounge, perto da área de roupas — gaguejou Zola, assustada com a reação do sr. Bennett.
— Traga-a até mim. Não... eu mesmo vou procurá-la. — O sr. Bennett não esperou Zola terminar, saiu de trás da mesa e a deixou perplexa.
[Salão]
Amelia estava sentada no sofá, observando o relógio na parede marcar o tempo.
No instante seguinte, uma voz trêmula veio de trás dela:
— Rosie, você...
Ao se virar, Amelia encontrou os olhos do esguio e impressionantemente bonito sr. Bennett.
Ao ver que Amelia não era quem ele pensava — Rosie Simmons —, o entusiasmo do sr. Bennett se apagou na mesma hora.
— Quem é você? Por que escreveu esse verso e mandou me entregar? — perguntou o sr. Bennett, respirando fundo.
— Olá, sr. Bennett. Meu nome é Amelia — disse ela, com um sorriso gentil. — A srta. Simmons me mandou encontrá-lo.
