Capítulo 3 3, O PASSADO DE DAPHINE - PARTE 1

Caleb estava numa crescente dúvida sobre ligar ou não para sua irmã Charlote, pois ela era a pessoa mais próxima de Daphine que ele conhecia. O dilema de não querer preocupá-la o manteve imóvel, olhando o clima lá fora pela janela da sala. O vento frio e o céu completamente escuro refletiam seu estado emocional, cheio de incerteza e medo.

Enquanto isso, Daphine corria entre as árvores, sentindo a terra macia sob suas patas e o ar gélido tocando suavemente seus pelos brilhantes. Cada passo que dava aumentava a sensação de liberdade, embora estivesse ciente da gravidade da situação. As memórias inundavam sua mente enquanto corria, lembrando-se de quando aquilo começou.

5 ANOS ANTES

Daphine estava prestes a completar 18 anos, faltando apenas dois meses, mas sentia-se devastada. Apenas uma semana antes, seu avô havia falecido, o que a abalou profundamente. Além disso, ela havia sido aceita na universidade dos seus sonhos, mas a dor da perda a impedia de sentir qualquer alegria com essa conquista. Sua turbulência emocional era tão intensa que ela sentia como se fosse morrer.

Para tentar aliviar um pouco a tristeza, Daphine saiu com sua melhor amiga, Carla Moreira. Carla, que já tinha completado 18 anos, tinha mais liberdade dos pais e decidiu levar Daphine para um pub. Lá, as duas comeram e conversaram, tentando distrair Daphine das suas preocupações. Elas ainda estavam no pub, quando dois homens se aproximaram delas. Um deles tocou levemente no ombro de Daphine e disse:

— O que acha de sairmos daqui para um lugar mais reservado?

Ele sorriu descaradamente e continuou:

— Percebi que você estava me olhando desde que chegou aqui.

Carla, conhecendo todos os problemas que sua amiga estava enfrentando e sabendo que aquele não era um bom momento para paquerar, interveio:

— Por favor, deixe-nos em paz. Queremos ficar sozinhas.

O homem, de maneira grosseira, respondeu:

— Eu não falei com você. Falei com a loirinha aqui.

Ele acariciou os cabelos de Daphine. Ela, tentando controlar as emoções que borbulhavam dentro dela, começou a perder a paciência. A insistência daquele homem a tirou do sério. Rapidamente, Daphine o segurou pelo braço e deu dois socos violentos em seu estômago. O homem tossiu desconfortavelmente, mas imediatamente avançou sobre ela.

Carla, percebendo a gravidade da situação e temendo que algo pior acontecesse, rapidamente segurou o braço de Daphine e disse:

— Vamos embora daqui!

As duas saíram imediatamente do pub, deixando o homem para trás, ainda se recuperando dos golpes. Uma vez fora do pub, Carla olhou para Daphine com preocupação.

— Você está bem? — perguntou Carla.

Daphine respirou fundo, tentando se acalmar.

— Não sei o que aconteceu comigo. Eu só... não consegui me controlar.

Carla abraçou sua amiga, tentando oferecer algum conforto.

— Está tudo bem. Vamos para casa e tentamos esquecer isso, ok?

Daphine assentiu, ainda sentindo a adrenalina correr por suas veias. As duas caminharam em silêncio, cada uma perdida em seus próprios pensamentos. Daphine sabia que precisava entender o que estava acontecendo dentro de si, mas por enquanto, tudo o que podia fazer era seguir em frente um passo de cada vez.

Elas caminharam apressadas até o carro e saíram rapidamente dali. Após percorrer quase um quilômetro, Carla parou o carro, preocupada com Daphine, que não estava se sentindo bem. Sentindo tonturas e ânsia de vômito, Daphine saiu rapidamente do carro e vomitou na calçada, sua cabeça girando.

Minutos depois, Carla olhou para a amiga com preocupação e falou:

— Vamos ao médico que seu avô recomendou. Estou preocupada com você.

Ela segurou a mão da amiga com carinho.

— Eu prometi não contar para meus pais, mas se você não for ao médico, serei obrigada a falar para eles.

Daphine olhava para o horizonte, perdida em seus pensamentos. Apesar disso, ouviu claramente o que Carla disse e respondeu:

— Certo, eu irei. Que tal agora?

Ela olhou para o relógio que carregava no pulso e disse:

— Ainda são 17 horas. Temos alguns minutos.

Carla sorriu e as duas correram até o carro, seguindo diretamente para a clínica. Ao se aproximarem do prédio, entraram e subiram de elevador até o terceiro andar. Pararam diante de uma porta larga e Carla deu um leve empurrão na amiga, incentivando-a a continuar. Entraram na sala e foram recebidas com o sorriso gentil da assistente, que disse:

— Desculpe, meninas, mas o senhor Windsor já encerrou o expediente.

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