Capítulo 4 4. O PASSADO DE DAPHINE - PARTE 2

No mesmo instante, sem dizer uma palavra, Daphine deu as costas para sair, mas Carla segurou seu braço e disse para a assistente:

— Por favor, é urgente. Somente diga que é a senhorita Jones.

A assistente balançou a cabeça em negação, mas antes que pudesse dizer qualquer coisa, a porta do consultório se abriu imediatamente e um rosto extremamente lindo apareceu. Daphine o olhou por alguns segundos, mas seu transe foi interrompido pela voz firme do médico:

— Senhorita Jones, que bom revê-la. Entrem.

As duas amigas se entreolharam, confusas pela familiaridade na expressão do médico. Era a primeira vez que estavam ali, mas ele continuou olhando para sua assistente e disse:

— Cintia, se quiser pode ir embora. Eu fecho tudo quando sair.

Assim que o médico fechou a porta atrás de si, um sorriso caloroso se formou em seus lábios e ele falou com alegria:

— Senti seu cheiro quando chegou aqui.

Daphine ficou séria, olhando para o médico, e falou envergonhada:

— Você sentiu meu cheiro?

Ela cheirou suas roupas e continuou:

— Credo, estou fedendo a vômito. Posso usar seu banheiro?

O médico sorriu e apontou para um canto da sala, indicando onde ficava o banheiro. Enquanto Daphine seguia para lá, Carla olhou para o médico e falou em tom de cochicho:

— O vovô Jones pediu para ela vir até aqui. Ele faleceu há uma semana e Daphine não está nada bem. Você realmente pode nos ajudar?

Daphine revirou os olhos e disse de onde estava:

— Carla, não esqueça que posso te ouvir.

Não demorou muito e ela saiu do banheiro, se sentou em frente ao médico. Ele a olhou minuciosamente e disse:

— Suas pupilas estão muito dilatadas. O que você está sentindo?

Daphine suspirou, relutante. O médico percebeu o desconforto e disse:

— Bom, eu não quero que se sinta desconfortável.

Ele sorriu amigavelmente e começou:

— Eu sou o Bruce Windsor. Estou nessa profissão há uns dois anos, me formei muito cedo.

Ele deu uma pausa e disse:

— Agora é sua vez.

Daphine, decidida a falar, se acomodou confortavelmente no divã e começou:

— Eu sou uma bomba-relógio, prestes a explodir a qualquer momento.

— Quando isso começou? — perguntou Bruce.

Daphine olhou para ele, confusa, e respondeu com outra pergunta:

— Começou o quê?

— Quando você começou a ficar agressiva de repente, a sentir tonturas, ânsia de vômito, perda de memória? Quando tudo isso começou?

Daphine suspirou, sem querer lembrar do passado, mas disse:

— Bom, a primeira vez que perdi o controle, eu tinha uns 12 anos. Eu agredi um garoto da minha classe e meu professor. Mas minha mãe me levou ao médico e, desde então, tomo remédio. O médico me diagnosticou com psicose maníaca.

— Os remédios estão com você? — perguntou o médico.

— Sim.

— Suspenda o uso imediatamente.

Após conversarem por alguns minutos, Daphine teve certeza de que aqueles remédios estavam piorando sua saúde e decidiu suspender o uso.

Já havia se passado trinta dias desde que Daphine suspendeu o uso dos remédios, seguindo rigorosamente as orientações de Bruce. Ela corria todas as manhãs e se mantinha bem hidratada. Todo aquele novo regime a fez se sentir bem e revigorada; os sintomas que antes a atormentavam haviam desaparecido, e ela começava a retomar sua vida.

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