Capítulo 4

Aurora

Eu estava ali, entorpecida; as palavras deles ecoavam na minha cabeça.

Não vamos contar para ninguém. Depende. Lobisomens são reais. Licantropos. Companheiro. Laços. Transformação.

Eu havia entrado em uma realidade completamente diferente—e agora estava presa nela.

"Acho que preciso deitar um pouco," eu disse suavemente, olhando para o chão de madeira.

"Nem pensar," disse Mira, surgindo como uma mola. "Você precisa comer."

"O jantar termina às nove e meia." Lira acrescentou. "E o toque de recolher é rigoroso para calouros."

"Lobos ficam irritados de fome." Mira sorriu. "Você não quer ver Selene irritada de fome."

"Estou bem aqui," Selene disse secamente, mas já estava vestindo uma jaqueta de couro e ajustando o bracelete de prata no pulso.

Eu pisquei. "Espera, não podemos simplesmente... depois de tudo que vocês disseram? Vocês querem ir comer como se nada tivesse acontecido?"

"Sim," Riven disse, calma como sempre.

"Porque o resto da escola não sabe, eu espero, e você vai chamar mais atenção faltando ao jantar do que aparecendo."

"Ela está certa." Lira disse gentilmente. "Você vai se sentir melhor depois de comer algo quente. Isso ajuda."

Eu hesitei. Minhas pernas não queriam se mover. Minha cabeça definitivamente não queria, mas Mira já estava me puxando pelo braço como uma garota em uma missão.

"Vamos lá, garota humana. Você tem muito para processar e zero tempo para fazer isso. Além disso, o bar de purê de batatas é realmente uma delícia."

Eu deixei ela me puxar em direção à porta, ainda atordoada. Tudo dentro de mim gritava que isso estava errado, que eu deveria correr, fazer as malas, fingir uma apendicite—qualquer coisa menos ir jantar cercada por criaturas que podiam sentir o cheiro do meu sangue do outro lado da sala.

Mas eles não estavam me dando escolha.

Os corredores estavam mais silenciosos agora, iluminados por arandelas tremeluzentes que projetavam longas sombras nas pedras antigas. Meus tênis ecoavam contra o chão enquanto os outros andavam em silêncio suave e praticado. Eles se moviam como lobos mesmo quando eram humanos—suavemente, quase instintivamente, percebendo cada rangido no chão e mudança no ar.

Eu tropecei uma vez, e Mira me segurou.

"Você está bem?" ela perguntou baixinho.

"Não," eu sussurrei. "Nem um pouco."

"Justo," ela disse, então sorriu um pouco. "Mas você está indo muito bem. Honestamente. A maioria dos humanos já teria desmaiado."

"Eu ainda posso desmaiar."

Viramos uma esquina e passamos por um par de alunos mais velhos—altos, confiantes, com olhos dourados brilhantes que definitivamente não eram humanos. Um deles farejou enquanto passávamos. Apenas uma leve inclinação da cabeça, como um cachorro captando um cheiro desconhecido.

Minha coluna enrijeceu.

Selene casualmente se colocou entre mim e eles, como se estivesse bloqueando a visão de propósito.

Eles continuaram andando.

Eu soltei um suspiro que não sabia que estava prendendo.

Quando chegamos ao refeitório, eu estava suando e tremendo ao mesmo tempo.

O salão de jantar parecia saído de um filme de fantasia. Teto abobadado tão alto que desaparecia nas sombras. Mesas longas de madeira escura percorriam o comprimento da sala, iluminadas por lanternas flutuantes que tremeluziam com um brilho suave e azulado. O cheiro de carne assada, alho e algo vagamente herbal preenchia o ar. Deveria ser reconfortante. Não era.

Havia tantos alunos.

E todos olharam quando entramos.

Não todos de uma vez. Mas gradualmente. Cabeças se virando, conversas diminuindo. Ninguém disse uma palavra, mas eu senti.

Selene murmurou baixinho. "Mantenha a cabeça erguida. Não vacile. Não fareje muito."

"Fareje?"

"Muitos cheiros aqui. Linhagens. Laços. Magia. É um verdadeiro espetáculo."

"Odeio tudo nessa frase." Eu sussurrei.

Mira nos levou até uma mesa longa do outro lado, mais perto da lareira onde um fogo crepitava com chamas azul-brancas. Ao passarmos por um grupo de alunos mais velhos, ouvi alguém sussurrar algo—baixo demais para entender—mas Selene olhou por cima do ombro, e quem quer que fosse, calou-se rápido.

Nos sentamos.

Ou eles se sentaram.

Eu fiquei pairando desajeitadamente, olhando para a fila do refeitório.

Não era um sistema de bandejas como eu esperava. Em vez disso, havia estações de comida—estações de comida com aparência mística. Uma área brilhava com luz do luar; outra estava alinhada com potes fervendo que cheiravam a ervas e caldo de ossos. Uma tinha apenas carne crua. Fingi que não vi essa.

"Vai," Mira disse, me cutucando com o pé. "Eles não mordem. Pelo menos não sem pedir primeiro."

"Não tem graça."

Ela piscou.

Caminhei em direção à estação que parecia mais segura—onde purê de batatas, legumes assados e algum tipo de ensopado eram servidos por uma mulher mais velha em um uniforme preto. Seus olhos brilhavam levemente dourados também. Mas ela sorriu quando me aproximei.

"Primeira semana?" ela perguntou.

"Sim," eu disse, surpresa por conseguir falar.

Ela colocou a comida em um prato de madeira e o entregou. "Você vai ficar bem."

Eu queria perguntar como ela sabia—se ela sabia o que eu era—mas não perguntei. Apenas assenti e voltei, cabeça baixa.

Quando me sentei, os outros já estavam na metade da comida.

"Viu?" Mira disse com a boca cheia de legumes assados. "Você não explodiu espontaneamente."

"Ainda."

"Você está indo bem." Lira ofereceu com um sorriso encorajador. "Ninguém tentou te desafiar."

"Me desafiar?"

"Pela dominância," Riven disse sem levantar o olhar. "Acontece às vezes. Especialmente quando o cheiro de alguém é... desconhecido."

Olhei para o meu prato.

"Relaxa," Mira disse. "Você está sob proteção do dormitório agora. Todos nós nos protegemos."

Eu não disse nada.

Não consegui.

Porque tudo isso parecia errado. Muito estranho, muito grande, muito distante de qualquer coisa que eu já conheci. E ainda assim...

E ainda assim, ninguém me chamou atenção. Não publicamente. Ainda não.

Talvez eu pudesse sobreviver a isso.

Talvez.


Quando voltamos para nosso dormitório, os corredores estavam novamente silenciosos, exceto por um sussurro ocasional ou risada atrás de uma porta fechada ou o ranger suave da madeira antiga se acomodando. O ar lá fora estava mais frio agora, fresco e afiado como se toda a floresta tivesse exalado para a noite.

Não conversamos muito no caminho de volta. Até Mira, que tinha energia para três pessoas, ficou em silêncio. Eu podia perceber que ela estava me observando, porém—como se eu fosse uma vela tremulando em uma brisa inesperada.

Eu não a culpava. Eu me sentia assim.

Dentro do dormitório, tudo estava novamente iluminado de forma suave e quente—confortável de um jeito estranho e assombrado. Alguém havia acendido um maço de sálvia em uma tigela rasa perto da janela, e isso enchia o espaço com um cheiro reconfortante e terroso. O fogo crepitava baixo na lareira.

Fiquei na entrada por um segundo, sem saber o que fazer. Então fui em direção às minhas malas, abri uma, e tirei uma pequena necessaire. Limpei a garganta.

"Ei... Onde fica o banheiro?"

Mira olhou de onde estava esparramada na cama. "No final do corredor, do lado esquerdo. Os chuveiros ficam atrás da segunda porta. Não use o do meio—ele alaga."

"Bom saber."

"Ah—e leve sua chave," Lira disse. "As portas trancam às dez. Feitiços de proteção. Você vai ficar presa do lado de fora pela noite."

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