Capítulo 2 2
Mia Narrando,
Medo, eu nem sabia mais o que era isso, um desespero louco passava por todo o meu corpo e eu não sabia a qual momento seria o meu fim, era como se toda a minha vida estivesse passando diante dos meus olhos, todas as burradas que já cometi na minha vida essa literalmente bateu todos os recordes, não valeu a pena conquistar um emprego dos sonhos para morrer na semana seguinte. Lúcifer era igualzinho a série, mandão prepotente e o dono da razão, gato porém faltava apenas as assas e os chifres. Ele colocou um pano na minha boca para que eu não gritasse, mas estava me sufocando, ele entrou em uma das portas do quatro ficou lá acho que mais de uma hora, depois saiu e entrou na porta ao lado e mais meia hora ele saiu de banho tomado e com uma bermuda folgada e sem cueca, eu não estou entendendo essa prisão não. Ele pegou uma tesoura e eu comecei a me desesperar meu cabelo batia no quadril e era o meu xodó, ele veio na minha direção olhando rindo debochado e segurou meu cabelo em um rabo de cavalo passando a tesoura de qualquer jeito, o mesmo ficou na altura dos ombros, eu queria chorar mas sabia que só daria a ele o gostinho da vitória.
— Bem vinda ao inferno jornalistazinha.
Lúcifer Narrando,
Eu estava muito bravo, a mina não deu nenhum pio enquanto eu cortava seu cabelo e mesmo curto e mal cortado ela continuava bonita, apenas balançou a cabeça quando eu terminei, me olhou sem interesse e virou o rosto, como se aquilo não tivesse afetado ela, as mulheres ficam loucas quando o assunto é cabelo e ela nem ligou, os caras começaram a falar no rádio algo sobre a entrevista e um delegado estava dando uma entrevista, eu liguei a tv do quarto e comecei a prestar atenção, ela olhava atenta tudo que era dito ali, eles iriam invadir o morro iriam revirar até me achar.
Olha a que você arrumou pra minha comunidade, não to preocupado comigo ta ligado, mas muitos inocentes ficam no fogo cruzado e até morrem isso tudo pelo seu ego de ter um emprego em uma empresa estúpida.
— Meu sonho não é estupido, você sim é e a vida que leva é pior ainda.
Afiada né, tenho muitos planos para toda essa marra.
— Faz o que quiser, vou morrer de todo jeito.
Não gosto de ser desafiado.
— Não gosta é de ser contrariado, acha que todo mundo tem que ser pau mandado seu.- Eu olhei pra ela irritado, saquei a arma e dei uma sequência de tiros no chão, ela ficou apavorada e começou a chorar, ela precisava entender que aqui sou eu quem mando.
Fica na sua mina, aqui você não tem moral nenhuma, e se bobear quanto antes nem sua vida você vai ter mais.
Complexo da Penha registra intenso confronto durante operação policial
Morador foi atingido por bala perdida dentro de casa. Equipes do Bope e da Draco prenderam um homem e apreenderam drogas
Operação no Complexo da Penha teve trocas de tiros desde a madrugada, com apreensões de drogas e carros e motos roubados apreendidos dentro da comunidade. Foto: Pedro Ivo/ Agência O DiaPedro Ivo/ Agência O Dia
Publicado 16/05/2023 07:22
Rio - Moradores do Complexo da Penha, na Zona Norte, foram acordados por um intenso confronto na madrugada desta terça-feira (16). Com apoio do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope), a Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas e Inquéritos Especiais (Draco) realizou uma operação para localizar bandidos e lideranças de facções de outros estados escondidos na comunidade. Entre os alvos estão Ao todo, um homem foi preso e drogas foram apreendidas. Os agentes também mapearam e levantaram informações de inteligência.
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Operação mira criminosos de outros estados e envolvidos em explosão de agência bancáia escondidos no Complexo da PenhaPedro Ivo/Agência O Dia
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De acordo com relatos, um morador foi baleado dentro de casa durante o confronto. Em áudios que circulam nas redes sociais e que foram atribuídos a ele, o homem se identifica como músico integrante da roda de samba do Pelé e diz que foi atingido e que chegou a perder sangue, mas que estava com medo de sair de casa e ser confundido com criminosos pela polícia. Fábio Gomes, de 42 anos, conseguiu ser socorrido para o Hospital Estadual Getúlio Vargas e, segundo a Secretaria de Estado de Saúde (SES), apresenta quadro clínico estável.
"Eu estou dentro de casa, levantei para ir ao banheiro e quando eu voltava para o meu quarto, eu tomei um tiro no braço. Eu não sei se a bala está alojada ou foi de raspão, eu sei que eu perdi sangue, tentei fazer um torniquete no braço (...) Eu preciso saber como é que eu faço, porque eu moro sozinho e eu estou com medo de sair e eles acharem que eu sou bandido e fazerem qualquer coisa comigo, mas eu preciso de ajuda", relatou o músico.
O Fogo Cruzado e o Onde Tem Tiroteio informaram que os disparos tiveram início por volta das 4h e, segundo as plataformas, ainda havia registro de troca de tiros na manhã de hoje. Nas redes sociais, moradores se queixaram da violência e compartilharam imagens do intenso confronto. Em um vídeo, é possível ver diversas viaturas do Bope a caminho da comunidade. Confira abaixo. "Café da manhã na Penha hoje foi bala", ironizou um. "4h da manhã e os tiros já estavam 'comendo solto' aqui no meu país Penha", relatou outro. "Complexo da Penha acordou em baixo de tiro, já virou rotina, infelizmente!", lamentou mais um. "Nunca ouvi tanto tiro aqui na Penha igual ouvi essa madrugada", disse um comentário. "Não se pode morar na Penha e ter paz", desabafou um internauta.
Mia Narrando,
A televisão ainda continuava ligada, as notícias não paravam e eram horrível pois eu escutei cada tiro, isso é realmente uma loucura, os gritos dos moradores os pedidos de socorro e nunca pensei que um confronto direto poderia ser tão desesperador vivenciando de dentro da comunidade, eu realmente não imaginava que tudo poderia ser assim, e um desespero por culpa batia no meu peito, eu não sabia que as pessoas aqui apesar de estarem a mercê do tráfico, elas vivem a vida delas tranquilas, eu realmente estava arrependida de fato a vida de ninguém aqui vale mais que a minha vaga de emprego, eu iria morrer e isso era fato porém eu iria com a certeza que reconheceria meu erro, e deixaria claro isso, a realidade aqui é outra e isso pode mudar toda a minha percepção de vida.
A minha vida já não importava mais, então talvez eu poderia morrer em paz.
Lúcifer Narrando,
Eu estava tão cansado, havia tomado um tiro na perna de raspão e não aguentava correr como antes o cansaço estava tomando conta do meu corpo, o posto da comunidade estava fechado e não tinha um enfermeiro no morro, com muito custo eu cheguei em casa depois do confronto mais longo da minha vida, a mina dormia sentada mas se assustou com o barulho que fiz ao esbarrar na cômoda estava muito fraco e o sangue escorria, por mais que tinha sido de raspão a bala perfurou a pele rasgando por onde passava e sangrava bastante.
— Meu Deus você está sangrando.
Fica suave mina. - Eu fui para o banheiro, precisava de um banho e um remédio para dor ou um litro de conhaque para aguentar.
— Me solta aqui eu posso te ajudar.
Eu não confio em você.
—Eu não vou fugir, eu fiz um curso técnico de enfermagem podo te ajudar e eu também quero ir ao banheiro.
Se tentar fugir já sabe.
— Sim eu sei. - Eu soltei ela que no mesmo momento correu para o banheiro, depois voltou e veio me ajudar mesmo eu conseguindo andar sozinho escorando nos móveis.
Nessa caixa ai tem coisas de farmácia, vê se alguma coisa serve.
— Vai tomar seu banho, e lava o ferimento e enxague bem.- Não gosto de seguir ordens mas eu tomei o banho e lavei a perna, sai ela não estava no banheiro fui até meu guarda roupa e peguei apenas uma bermuda, ela sentada na cadeira me olhava atenta, bom pelo menos não tentou fugir, eu sentei na beirada da cama esticando a perna e ela sem dizer nada começou a passar uma pomada que parecia ser anestésica e mandada enfiou a agulha sem do e me deu 5 pontos, fez o curativo e me deu um remédio para dor.
Valeu ai.
— Não foi nada, posso tomar um banho.
Vai lá, pega uma blusa ai pra tu. - Ela não disse nada pegou uma blusa e uma cueca, demorou mais de meia hora e eu cheguei a pensar que ela havia pulado a janela, mas ai a mandada saiu com os cabelos molhados e a blusa havia ficado feito um vestido, e por um momento cheguei a pensar que eu gostaria de ver isso mais vezes.
— Pode me arrumar uma coberta.
Deita ai mina e dorme, amanha eu vejo o que faço com tu hoje eu estou cansado de mais. - Ela nada disse, se deitou na beirada da cama e se cobriu e não demorou muito para perceber que ela estava dormindo, o cheiro do meu shampoo no seu cabelo era melhor de se sentir, eu não sei em que momento eu dormi, mas quando acordei para ir ao banheiro eu estava abraçado a cintura dela, e nossos corpos pareciam muito confortáveis com isso, mas era apenas pensamentos idiotas, eu fiquei afim dela desde quando a vi pela primeira vez, se ela não tivesse cagado tudo eu ia botar maior fé nessa mina. O dia amanheceu já rendendo muitos assuntos, isso porque o meu segurança entrou no meu quarto para me chamar e viu a mina dormindo, ninguém sabia que a matéria era dela, eu sabia pois tudo que aconteceu nas imagens eu estava na casa dela então era óbvio de saber quem era, mas nenhum segurança meu sabia, e não demorou muito para ele espalhar a notícia que eu estava morando com uma mina ai. Agora eu nem podia deixar a mina presa no quarto, dei logo a ordem que não queria ninguém na minha casa, eu precisava de cuidado.
— Vou ficar quanto tempo presa aqui antes de me matar.
Tá com presa?
— Nem um pouco, mas vão sentir falta minha no serviço e vão atrás de mim, e com isso podem ligar os fatos, isso se alguma câmera não tiver pegado você.
To ligado e não me importo, eles vão apenas soltar mais uma matéria, e depois te dar como morta.
— É talvez eu não faça tanta falta assim.
O que quer dizer com isso?
— Nada não. - Ela não disse mais nada, eu sai e comprei o café disse que ela podia ficar a vontade na casa, mas estava proibida de sair, ela só concordou, era duas da tarde quando eu fui em casa e cheirava a almoço fresco, ela dormia no sofá e em cima da mesa havia um prato e um copo sinal e já havia almoçado, e eu comi sentindo uma sensação estranha, o sabor da comida era bom, sai logo depois deixando ela dormi e so desliguei a televisão, meu dia foi corrido mas eu ainda mantinha aquela sensação estranha por dentro, eu não sabia o que isso poderia significar.
Mia Narrando,
Em algum momento do dia eu admirei o silêncio em que tudo estava, eu não sei se era pelo meu sono profundo após o almoço ou se tudo havia se desligado, quando acordei assustada era o meu telefone que tocava por sorte ele estava no bolso da minha calça então veio comigo, o pessoal da empresa me ligava pois estavam loucos atrás de mim, eu disse que precisei fazer uma viagem de última hora pois minha mãe havia se acidentado, ninguém ali sabia da minha vida pessoa, então ninguém saberia que era mentira pois meus pais morreram há anos atrás,
No momento eu não queria ninguém atrás de mim, eu não sei o que vai me acontecer, e entendi que me salvar ninguém vai conseguir, então eu ssó queria entender como funciona as coisas aqui, porque o Lúcifer da a vida por essa comunidade, o que de fato acontece aqui e o que ele é para esses moradores.
Era noite e ele chegou meio mancando e fazendo cara de dor, ele me viu na sala mas não falou nada, e nem eu apenas permaneci no mesmo lugar, mas não demorou muito para ele descer de banho tomado e com a sacola da farmácia na mão.
— Pode da uma olhada aqui, acho que o ponto estorou. - Eu só concordei e fui olhar, dois pontos haviam estourados e estavam inflamando, limpei e refiz o ponto disse que ele precisava de um antibiótico, passei o nome de um que eu conhecia e ele pediu para o vapor comprar junto com outras coisas que pedi, entre elas coisas pessoais que ele disse que eu poderia comprar, não nego que fiquei admirada com a atitude dele, principalmente que ele só foi agressivo no primeiro dia, mas em nenhum momento ele me agrediu, eu não vou me iludir pois a qualquer momento ele pode se virar então vou ficar quieta.
— Suas coisas ai mina, alguém do seu trabalho já entrou em contato com você?
Me ligaram, mas eu disse que precisei fazer uma viagem de urgência.
— E porque não disse que estava aqui, e que eu fui atrás de você?
De início ninguém iria acreditar, principalmente por eu estar com o celular, eles fariam muitos questionamentos.
— Porque te mandaram pra cá e quem?
Meu chefe, eu estagiei no jornal por quase dois anos, e disse que se eu quisesse ser efetivada eu precisava dessa matéria.
— O seu chefe sabe bem como comandar e manipular as pessoas, talvez ele sabia que se você morresse não daria nada, ele teria a matéria perfeita.
Porque está me dizendo isso, o que você sabe que eu ainda não sei?
— Sei de muitas coisas, principalmente que ele queria outra coisa aqui além da matéria.
E o que seria?
— Seu querido chefe atua junto com a milícia, e eles pegam os entorpecentes nas invasões e revendem tendo o dobro do lucro que teria nas comunidades.
E como você descobriu isso, tem provas?
— Todas as provas, podemos fazer um trato.
E qual seria?
— Sua vida em troca de uma nova matéria.
Eles vão me matar você sabe.
— A matéria será anônima, você sabe fazer essas paradas, todas as provas você vai por nela até o governador está no meio.
Eles podem rastrear e vão ver o sinal de envio aqui da comunidade, e vão vim atrás de você.
— É isso que eu quero, eu te protejo nessa.
E depois vai me deixar livre?
—Talvez, mas vou te deixar viva eu cumpro com a minha palavra, sempre.
Certo, me mostre as provas e eu público a matéria.
— Acho bom você se demitir, assim você recebe suas paradas não sei como é sua vida, assim que tiver saído de lá você escreve e publica a matéria.
Eu sonhei muito com esse emprego, me dói ter que desistir assim.
— Você não está desistido, mente aberta mina, depois você vai arrumar um trampo melhor e com um chefe honesto.
Valeu ai a ajuda, sobe e vai dormi. - Ele disse e subiu, eu ainda fiquei mais uns minutos ali pensando, estava curiosa querendo saber quais eram as provas, e qual era o pobre do renomado governador, talvez eu ainda não tenha tido a matéria dos meus sonhos e essa possa ser um divisor de águas, isso se eu continuar viva. Subi e ela já parecia dormi, fui ao banheiro e depois deitei, permaneci acordada até de madrugada ele roncava baixo mas dava para ouvir, e em um determinado momento ele me abraçou, eu cheguei a segurar o ar e senti meu corpo esquentar, eu nunca tive um namorado e ter essa sensação é diferente e ao mesmo tempo gostosa, eu soltei o ar devagar e fiquei quietinha sentindo aquela abraço quente e seguro, mesmo sendo todo errado por um momento eu até poderia imaginar uma vida assim, porém eu sabia que não viveria essa vida, era algo totalmente for a da minha realidade.
