Capítulo 5
Ponto de vista de Ella
Termino de lavar o último prato do jantar, seco as mãos depressa e praticamente corro em direção ao quarto do alfa. Eu estava dez minutos atrasada, e tinha certeza de que ele me faria pagar por isso de um jeito cruel. Não foi de propósito; o jantar que ele e o círculo íntimo dele estavam tendo começou tarde, porque eles estavam acertando os últimos planos para tomar o controle de mais um bando coitado amanhã. Eu era a responsável por lavar a louça hoje à noite, então não dava para passar para outra pessoa e dizer que eu precisava encontrar o alfa no quarto dele para um romance sincero de coração aberto.
Esta noite marca o décimo mês de aniversário do meu pesadelo. Suspiro por dentro. Isso vai acabar algum dia? Deus, eu espero que sim, porque, se não acabar, eu tinha certeza de que chegaria a um ponto em que eu mesma o mataria — e isso com certeza me renderia uma execução pública. Bem, eu nem estava vivendo para começo de conversa. Isso não é vida. Não, isso é uma morte lenta em sua forma mais pura.
Chego à porta dele e fecho os olhos. Por favor, Deus, me deixe aguentar mais uma noite de tortura e sair dela viva. Bato duas vezes na porta, me preparando para algumas horas de agonia. Você pensaria que passar quase todas as noites sofrendo a mesma coisa, repetidas vezes, já teria me acostumado. Mas toda noite é diferente com o alfa Grey. Toda noite existe um jeito novo de me machucar e me ouvir gritar de dor. Ele abre a porta, impaciente, me puxa para dentro e então tranca.
— Você está atrasada, serva! — o alfa Grey cospe, furioso.
— Eu tive que terminar a louça, alfa, e o jantar começou tarde. Eu tentei o meu melhor para chegar no horário, por favor, me perdoe! — Eu praticamente implorei, com lágrimas nos olhos. Era só uma encenação para tentar diminuir a punição pelo atraso. Às vezes, se humilhar funcionava, mas nem sempre.
Ele me olhou de um jeito brincalhão, com um sorriso ardiloso nos lábios, e disse:
— Desculpe, hoje eu não estou com nenhum humor para perdoar. Amanhã eu tenho uma guerra para travar, e preciso estar no meu melhor, começando por você.
Ele gesticulou para o conjunto de correntes penduradas nos pilares da cama. Suspirei, tirei tudo o que eu estava vestindo e ergui as mãos para que ele pudesse me acorrentar.
— Ora, ora… você está dez minutos atrasada, e você sabe que eu odeio quando me faz esperar. Você devia estar me esperando, serva. Então o que eu deveria fazer com você? — ele começou a passar as mãos por todo o meu corpo.
Eu me agarrei às correntes e puxei, lutando contra a vontade de arrancar a cabeça dele com uma mordida.
— Bem, primeiro o mais importante…
Ele foi até a mesinha de cabeceira e pegou um copinho com um líquido de acônito, enquanto voltava na minha direção.
Tentei instintivamente me afastar dele, mas não consegui, presa pelas correntes que me amarravam.
— Como você sabe, amanhã eu vou embora por alguns dias, então você já sabe como funciona. Acônito e nada de sangue pra você esta noite, pra eu ficar sempre na sua cabeça. Bebe — disse ele, sorrindo para mim de um jeito perverso, enquanto levava o copo aos meus lábios.
Pensei em segurar o líquido na boca e cuspir na cara dele. Aposto que arderia. Mas fazer isso seria como assinar minha própria sentença de morte. Abri a boca, obediente, e bebi. Foi como engolir água fervendo e ácida; queimou tudo no caminho até o estômago. Engasguei e tossi por alguns segundos.
— Agora, o que a gente diz quando eu te dou alguma coisa, serva?
— Obrigada, alfa — consegui dizer, com a voz rouca.
— Então vamos começar a noite, vamos? — ele bateu as mãos, empolgado.
Ele voltou até a mesa de cabeceira para guardar o copo vazio, depois abriu a primeira gaveta e tirou diferentes tipos de chicotes. Colocou todos na cama e começou a avaliar qual usaria primeiro. Consegui engolir em seco e apertar as correntes com mais força, me preparando para a agonia.
Por fim, ele escolheu o chicote de couro, o que doía mais — claro.
— Por estar atrasada, eu te punho com vinte chicotadas. Comece a contar, serva.
— Sim, alfa — respondi com a voz trêmula.
CHICOTADA!
— Uma! — gritei, sentindo um corte imediato nas costas. Aquele chicote não era brincadeira; vinte chicotadas significavam vinte cortes atravessando minhas costas, que não fechariam direito por dias.
CHICOTADA!
— Vinte... — mal sussurrei, quando a última rasgou fundo na minha pele. Meu corpo inteiro tremia com a violência. E nem estávamos na metade da noite, e eu já estava no limite da minha tolerância.
— Alfa, dói... por favor, não me chicoteie mais, eu imploro! — chorei, de dor e desespero.
— A gente só estava tirando do caminho sua punição por estar atrasada. Eu nem comecei ainda, Ella.
Ele agarrou meu cabelo e puxou minha cabeça para trás, para poder sussurrar no meu ouvido:
— No fim da noite, cada centímetro desse corpo delicioso vai estar marcado pelos meus chicotes. Até a gente se ver de novo daqui a alguns dias.
Ele soltou meu cabelo e voltou para o lado da cama, onde guardou o chicote de couro e começou a escolher o próximo.
— Agora me diga: você aprendeu a lição sobre não fazer seu alfa esperar por você, em vez de ser o contrário, ou eu preciso deixar isso mais claro?
— Eu aprendi a lição, alfa. Eu nunca mais vou me atrasar, eu juro — eu disse, tremendo.
— Então vamos continuar a nossa noite — disse o alfa Grey, com um sorriso diabólico.
