Capítulo 4 — O convite

Enquanto do outro lado, dentro da mansão no alto da colina, aquelas mesmas correntes já rangiam contra os ossos dele. Os corredores prendiam a respiração.

A pedra escutava. E eu — Edward... deixei o silêncio se quebrar sob a minha voz.

— Onde está?!

O telefone pressionava quente contra a minha orelha.

— Como assim o relatório não está pronto? — Minha voz trovejou pela linha. — Vocês tiveram duas semanas!

Uma voz fraca gaguejou de volta:

— S-senhor, os números da filial no exterior ainda não foram compilados...

— Eu não quero desculpas — rosnei. — Eu quero resultados. Meu pai construiu este império com sangue, e agora você quer arrastar o nome dele pela lama com incompetência?

Quero isso na minha mesa até amanhã. Chega de desculpas.

Encerrei a ligação com um estalo e atirei o telefone sobre a escrivaninha. Meu peito ardia.

O jovem guarda parado perto da lareira ficou imóvel, como um coelho assustado.

Virei-me para ele.

— O que você está encarando?

— N-nada, senhor... — Ele baixou a cabeça, a voz pequena.

— Então pare de ficar aí feito uma estátua e saia da minha frente antes que eu encontre um trabalho que combine melhor com você.

Um criado mais velho deu um passo à frente, torcendo as mãos.

— Senhor, gostaria de chá...?

— Eu gostaria de silêncio — interrompi, avançando com a cadeira. — E de competência. Nenhum dos dois parece existir nesta casa.

Os olhos dele foram para a cadeira, rápidos e culpados. Eu vi. Eu senti. Minhas mãos se fecharam em punhos.

— Saia — eu disse.

A porta se fechou depressa atrás dele, deixando apenas o eco da minha própria raiva.

A fechadura fez clique. O silêncio caiu de novo... não um silêncio gentil. Um silêncio grosso, rançoso, que se senta no seu peito e desafia você a respirar debaixo dele.

Inclinei a cabeça para trás e encarei as vigas do teto. Antes, eu não precisava levantar um dedo. Só a minha voz fazia homens correrem.

Só a minha sombra fazia lobos se curvarem. Agora eu precisava de rodas para atravessar um cômodo e de raiva para atravessar uma frase. Cada olhar de pena me arrancava a pele.

Olhei para as minhas pernas... o peso delas sob o cobertor. Pressionei as mãos com força para baixo. Senti o cobertor ceder... mas nada sob ele. Nenhum fogo. Nenhuma corrente. Nenhuma resposta.

Soltei um som amargo que tentou ser uma risada.

— Eu ainda sou o Alfa — eu disse ao quarto vazio. — Eu ainda lidero... eu ainda decido...

As palavras tinham gosto ralo.

Uma batida roçou a porta como a ponta tímida de um dedo.

— Senhor, o senhor precisa de...?

— Eu preciso de silêncio — rosnei. — Vá embora.

Passos recuaram depressa. A porta permaneceu fechada.

Fitei a escrivaninha à minha frente. O telefone estava ali, mudo, como se tivesse engolido toda a minha raiva.

A sombra do meu pai voltou a pressionar o meu peito. Ele governava sem fraqueza.

Ele liderava a alcateia à noite, cada corrida como um trovão sacudindo o chão. Eu costumava estar ao lado dele... forte, intocável.

Agora eu estava sentado nesta cadeira. As rodas rangiam quando eu me movia. O silêncio zombava de mim.

Minhas mãos agarraram os aros até as palmas arderem.

— Ninguém vai me ver assim — sussurrei. — Ninguém.

O quarto prendeu a respiração.

Na base da colina, barras de ferro se erguiam altas e negras. Puxei minha bolsa para perto e parei diante do portão.

A mansão se agigantava além dele, fria e pesada, como se estivesse me esperando o tempo todo.

Os olhos de um guarda me seguiram sem piscar. Mudei o peso de um pé para o outro. Meu peito ficou apertado.

Respirei devagar.

— É só um trabalho — eu disse a mim mesma. — Você precisa comer... precisa pagar o aluguel... precisa terminar a faculdade. Anda.

O cascalho sob meus sapatos fez aquele som de trituração que parece alto demais. A alça da minha bolsa mordia meu ombro.

O ar ao redor das muralhas parecia mais frio do que o da rua lá fora, como se as pedras guardassem o próprio clima.

Uma voz escorreu das sombras perto do arco de entrada — macia, quente, como um sorriso em que você não confia.

— Rosto novo. Você deve estar aqui para trabalhar.

Meus olhos foram até ele antes da minha cabeça. Ele se apoiava na pedra como um quadro que sabia que era bonito.

Mandíbula marcada... camisa preta impecável que assentava perfeitamente nos ombros... com um olhar que poderia mandar o tempo andar.

Forcei o olhar para baixo. Agora não. Não era hora de sonhar com rostos. Meu coração não tinha espaço pra isso. O medo ocupava todos os cômodos.

— Sim — eu disse. — Estou aqui pra trabalhar.

Ele se afastou da parede e se aproximou com aquele andar lento e fácil que diz eu nunca me apresso porque o mundo espera por mim. A boca dele se arqueou.

— Os primeiros dias são divertidos — disse. — Você aprende quem sorri e quem morde.

— Eu aguento os dois — respondi, embora minhas palmas estivessem suando.

— Boa resposta. — Ele me avaliou uma vez — não por muito tempo... mas o suficiente. O olhar que mede. — Qual é o seu nome?

— El— — eu me contive e engoli em seco. — Elara.

— Elara — ele repetiu, saboreando como vinho. — Bem-vinda. — Fez um gesto na direção das portas da frente. — Não se atrase. O Edward não gosta de esperar.

Meus pés se moveram porque a mão dele se moveu. Meu estômago se revirou porque o medo se revirou.

Caminhamos lado a lado sobre a pedra. Perto o bastante para ouvir o couro dos sapatos dele conversando com o chão. Perto o bastante para sentir o perfume dele fazendo o que foi pago para fazer.

Lá dentro, o ar mudou. Madeira antiga, cera, silêncio caro. Aquele tipo de quietude que faz você sentir que deve dinheiro a ela.

Ele me lançou um olhar sem virar a cabeça. O sorriso não saiu da boca dele.

— Relaxa — disse, baixo. — Ninguém morde os novatos. Não até a segunda semana.

— Se isso é uma piada, é uma péssima.

— Horrível — ele concordou... e de algum jeito fez parecer que gostava disso.

Eu continuei andando. Meu peito parecia apertado. Minha pele parecia fina demais. Cada parede guardava um pedaço de uma história que odiava a minha.

Meu nome é Elara... eu disse a ele. Então Damien se apresentou.

Eu sou Damien. Nomes não importam muito pra mim... exceto os que abrem fechaduras. O nome da garota — Elara — não abria fechadura nenhuma de que eu precisasse.

Ainda assim... fechadura bonita. Rosto natural. Olhos que pareciam querer ser corajosos, mesmo enquanto as mãos agarravam aquela bolsa como uma boia.

Não faz meu tipo. Eu gosto de polimento... gelo num copo... diamantes que sabem pegar a luz sob comando. Essa tinha uma suavidade que pertence a bairros ruins e a corações bons.

Corações bons são usados. Corações bons sempre acham que com eles não vai acontecer, pensei comigo.

Andei meio passo à frente e deixei o sorriso lento fazer o trabalho dele. Ela olhava para o chão, não para mim. Esperta... ou assustada. Talvez os dois.

— Não se preocupe — eu disse, ainda olhando para a frente. — O senhor hoje só late.

— Cachorros latem quando estão com medo — ela devolveu, rápida... como se a frase a surpreendesse no instante em que saiu.

Eu quase ri.

— Talvez. Ou talvez eles latam porque todo mundo ao redor está quieto demais.

Viramos o corredor onde os tapetes engolem o som dos sapatos. Retratos observavam das paredes. O grande — o velho Alfa — encarava como um deus que tinha ficado sem paciência.

Ela viu. O ombro dela enrijeceu. O ar ficou preso na garganta. Ela desviou o olhar tão depressa que dava para pensar que a tinta podia queimar.

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