Capítulo 1 Luana
FÊNIX / LUANA
Mais um dia escuro, mais uma noite longa e exaustiva. É exatamente isso que penso comigo mesma ao atravessar as pesadas portas dos fundos da boate onde trabalho. O cheiro de cigarro barato, álcool e suor já impregna o ar antes mesmo de eu pisar no salão principal. Danço para vários homens imundos, suporto diariamente olhares cobiçosos, famintos e maliciosos, mas a dura realidade é que eu não tenho outra escolha. A vida não tem sido nem um pouco gentil comigo. Durante muito tempo, estive me sentindo completamente sozinha, desamparada no mundo, caminhando pelas sombras. Mas eu preciso desesperadamente de dinheiro. Preciso sobreviver. E neste trabalho de dançarina noturna, consigo a renda necessária para me manter de pé e garantir o meu sustento sem precisar me vender.
Bom, vamos às apresentações formais. Meu nome verdadeiro é Luana, mas para a multidão barulhenta e sedenta lá fora, eu sou apenas a Fênix. Não revelo meu nome a ninguém, prefiro e exijo manter meu anonimato absolutamente intacto. Sou uma mulher alta, tenho 1,70 de altura, vinte e sete anos de idade, cabelos escuros e olhos expressivos e intensamente pretos. Namorado? Não tenho, e, com toda a sinceridade, não tenho a menor intenção de ter um. Os homens costumam ser uma decepção constante. Esse é, inclusive, um dos motivos cruciais para que eu não tire essa máscara por nada neste mundo. O mistério me protege, cria um muro impenetrável entre a minha verdadeira essência e a sujeira deste lugar.
Saio abruptamente dos meus devaneios solitários ao ouvir a voz grave do dono da boate ecoar pelo corredor estreito do camarim.
LUAN: — Fênix? De novo sonhando acordada, menina?
Confirmei com um leve aceno de cabeça, ajeitando a minha postura em frente ao espelho, que era iluminado por lâmpadas amareladas e levemente piscantes.
LUAN: — Vamos, você é a próxima a subir no palco. O público já está agitado lá fora e clamando por você.
Luan é o dono da boate. Mais do que meu patrão, ele tem sido um amigo leal e compreensivo. Sempre me ajudou e me estendeu a mão quando eu mais precisei; afinal de contas, foi ele quem me deu um trabalho decente quando eu me encontrava em total desespero, literalmente morando nas ruas, sem um teto sobre a minha cabeça ou comida no estômago.
FÊNIX: — Já estou indo, Luan. Peço que tenha um pouco de calma, ainda falta retocar o batom vermelho. Às vezes eu me sinto tão terrivelmente exposta com essa roupa minúscula...
LUAN: — Não precisa se sentir assim de jeito nenhum, Fênix. Você é uma mulher deslumbrante, e mesmo sendo uma dançarina de pole dance, seu trabalho é totalmente limpo e honesto. Não deixe a mente desses idiotas afetar a sua. E agora, vamos logo, que você já está atrasada para o show!
FÊNIX: — Você é muito exigente e impaciente, sabia?
Eu falei, soltando um pequeno sorriso de canto. Ele deu uma gargalhada alta, concordando, e saiu do camarim para preparar a mesa de som e a iluminação.
Suspirei fundo, sentindo o ar pesar nos meus pulmões. Coloquei minha máscara no rosto com precisão, ajeitando cada borda adornada para garantir que absolutamente nada das minhas feições verdadeiras aparecesse. Ajeitei minha peruca loira, calcei meus saltos altíssimos e caminhei a passos firmes em direção ao palco. A voz do Luan ecoou pelo microfone do salão, anunciando a minha entrada com entusiasmo, e a plateia masculina imediatamente gritou em pura euforia e luxúria. Respirei fundo mais uma vez, joguei os ombros para trás, ergui o queixo e entrei.
As luzes de neon piscaram em tons de roxo e vermelho. Tentei ignorar e apagar da minha mente as dezenas de olhares devoradores que me secavam, focando apenas no compasso grave da batida que tremia o chão. Fechei os olhos e me deixei levar pelo ritmo envolvente e sensual da música. Mantive uma expressão provocante, como exigia o meu ofício, e fui caminhando com graça, rebolando os quadris até a barra vertical de metal no centro do palco. Comecei a dançar. Deixei o som guiar cada movimento do meu corpo. Passei a perna direita em volta da barra de pole dance, apoiei todo o meu peso e movi meu corpo, girando lentamente enquanto exibia minhas curvas. Desci até o chão com um controle absoluto de cada músculo, afastei-me da barra e me posicionei de quatro no meio do palco, movendo os quadris de forma metodicamente ensaiada e sedutora.
Foi então que abri os olhos e o vi.
Fui me arrastando pelo piso do palco, rastejando como uma felina predatória, até parar na frente de um homem específico. Ele estava na primeira fileira, acomodado no sofá de couro da área VIP. Era imensamente forte, dono de uma postura dominadora, exalava uma energia absurdamente intimidadora e perigosa, e era absurdamente lindo. Seus olhos escuros eram marcantes e ferozes, me analisando minuciosamente, como se pudesse ler a minha alma e despir meus segredos por trás da máscara. Fui atraída como um ímã irresistível. Desci do palco, aproximei-me, sentei no colo dele com total confiança e comecei a fazer uma dança particular.
Devo admitir, com um certo embaraço interno e uma pontada de choque, que a pegada dele na minha cintura foi firme, bruta e extremamente possessiva. Suas mãos grandes, rudes e quentes apertaram minhas curvas com voracidade, e aquilo me causou um calafrio inegável na espinha. O ambiente pareceu ficar instantaneamente denso. Pelo jeito, o desejo era violentamente recíproco, pois, sentada sobre ele e roçando meu corpo no dele, foi impossível não notar a sua ereção dura como pedra pulsando contra o tecido da calça jeans dele. Ele me segurou com tanta intensidade, os dedos afundando na minha pele, que, por alguns segundos ensurdecedores, eu simplesmente esqueci onde estava. O som ambiente sumiu. O público sumiu. Só existíamos ele e eu, conectados por um desejo cru, carnal e completamente inexplicável.
Mas a música foi baixando gradativamente, anunciando o fim da minha apresentação. Pulei do colo dele, recuperei imediatamente a minha compostura profissional, alisei o tecido da minha roupa e andei rapidamente para os fundos do palco, seguindo direto para a segurança do meu camarim. Minhas pernas estavam incrivelmente trêmulas e o meu coração batia na garganta.
LUAN: — Arrasou, Fênix! Cada dia mais espetacular. Hoje, sem dúvida alguma, foi uma das suas melhores apresentações. Meus parabéns pelo desempenho. Agora vá se limpar e trocar de roupa. Um dos meus seguranças vai te escoltar em total segurança até a porta da sua casa.
FÊNIX: — Eu agradeço muito, Luan. Até a próxima noite de trabalho.
Sim, eu exijo segurança particular para ir embora. O ambiente noturno é traiçoeiro e, depois dos shows, os homens perdem o senso de limite, ficam totalmente alterados pela bebida e frequentemente tentam me agarrar à força no beco da boate. Preciso cuidar da minha integridade física constantemente para evitar que qualquer tragédia terrível ocorra.
Entrei no meu camarim, bati a porta e girei a tranca, ou pelo menos achei que tinha trancado direito. Fui até o espelho, tirei apenas os adereços extravagantes da apresentação, mas mantive a minha máscara no rosto enquanto procurava a minha roupa civil no fundo da bolsa. De repente, escuto um estrondo violento. Alguém escancarou a porta sem o menor pudor ou hesitação. Quando me viro, assustada, tenho a maior e mais desagradável surpresa da minha vida, o que me deixou completamente em choque e paralisada por um longo instante. Era o homem do palco. O homem da área VIP.
FÊNIX: — Quem é você? O que faz aqui dentro do meu camarim privado?
LOBÃO: — Qual foi? É assim que tu atende os cria na tua contenção, porra?
O homem arrogante e sem o menor resquício de educação entrou no meu espaço sagrado e, como se fosse o dono absoluto do lugar, jogou-se pesadamente na cadeira do meu camarim sem sequer pedir permissão. Meu Deus, o que esse sujeito tem de lindo e imponente, tem em dobro de arrogância e presunção.
FÊNIX: — Em primeiro lugar, eu não tenho "clientes". Segundo, quem lhe concedeu a audácia e a permissão para invadir meu camarim dessa maneira e já ir se acomodando? Por gentileza, levante-se e saia. Meu horário de trabalho acabou e eu preciso ir embora imediatamente.
