Capítulo 6 Luana

FÊNIX / LUANA

Amanheceu o dia e, com ele, o peso de mais uma jornada rumo àquela boate nojenta, empestada de homens repugnantes e olhares famintos. O que sinto por aquele lugar é um nojo profundo, mas, no momento, é a única fonte de sustento que tenho, e minha cabeça está longe de ter espaço para procurar outro emprego. Decidi passar o dia ao lado da minha mãe. Sinto na pele que ela está escondendo algo sério sobre a saúde dela, e vou descobrir o que é. Pelo menos, isso serve para afastar um pouco os meus próprios pensamentos sombrios.

Fiz minha higiene matinal sem pressa e desci para a cozinha. Minha mãe já estava sentada à mesa.

— Bom dia, meu amor! Achei que ia dormir até mais tarde hoje, você parecia tão cansada — disse ela, esboçando um sorriso fraco.

— Não, mãezinha. Hoje decidi passar o dia inteirinho com a senhora. Faz tempo que não temos um momento só nosso — respondi, puxando a cadeira para me sentar ao seu lado.

— Mas você não vai procurar outro trabalho, filha? Sabe o quanto eu detesto aquele lugar! Você é uma mulher linda, e se um dia descobrirem a beleza que você esconde por trás dessa máscara, esses homens vão te olhar com outras intenções... Me preocupo tanto com você, queria poder ajudar mais em casa.

— A senhora já me ajuda muito cuidando de mim, e sabe o quanto sou grata por tudo. Mas mudando de assunto... Mãe, eu estou achando a senhora muito pálida ultimamente. Tem certeza absoluta de que não quer ir ao médico fazer uns exames?

— Bobagem sua, filha, eu estou ótima. Senta aqui, toma seu café direito, e depois podemos dar uma volta juntas.

Uma sensação estranha e gelada apertou o meu peito. Eu tinha certeza absoluta de que ela estava me escondendo alguma coisa grave.

Terminamos o café e fomos passear. Passamos um dia realmente maravilhoso juntas, algo que não fazíamos há muito tempo. Em alguns momentos, percebi um olhar triste e distante no rosto dela, mas tentei me convencer de que era apenas paranoia da minha cabeça, como ela mesma havia dito.

Aproveitamos o dia, mas as horas voaram, e logo chegou a hora de voltar para casa e me preparar para mais um turno na boate. Eu simplesmente odiava aquele destino.

— Já está indo, filha? — Perguntou minha mãe, me olhando da sala.

— Sim, mãe. Por favor, não me espere acordada. Descanse bastante, porque a senhora está muito estranha, e amanhã sem falta eu te levo ao médico para fazer seus exames de rotina.

— Já disse que estou bem, menina teimosa. Se cuida, minha filha, não esqueça a máscara de jeito nenhum. Vá com Deus, meu amor.

— Amém, fica com Ele.

Peguei um táxi na esquina e fui direto para a boate. Cheguei em poucos minutos e, antes mesmo de sair do carro, ajustei a máscara no meu rosto, pois não posso correr o risco de ninguém ver minhas feições verdadeiras. Agradeci ao motorista, desci e fui direto para o camarim. Lá, dei de cara com a Jenifer, a minha única amiga de verdade naquele inferno, a única que sabe meu nome verdadeiro e conhece meu rosto sem a máscara, além do próprio Luan.

— Vamos, amiga! Já está atrasada de novo, estava sonhando acordada com o príncipe encantado? — Brincou ela, rindo.

— Ah, como eu queria estar sonhando na minha cama, longe daqui... — Ri soprado. — Odeio esse emprego com todas as forças, mas é o único que paga as contas, então não tenho escolha.

— A gente ainda vai dar o fora daqui para um lugar melhor, amiga. Mas agora levanta, que o Luan já passou por aqui te procurando.

Terminei de me arrumar às pressas e, logo em seguida, escutei uma batida firme na porta.

— Você é a próxima, Fênix! E olha, você está deslumbrante hoje — avisou Luan do lado de fora.

— Obrigada, Luan. Já estou saindo.

Coloquei a máscara de volta no rosto, respirei fundo e rumei em direção ao palco.

Luan me anunciou no microfone. Subi os degraus, as luzes coloridas estouraram em cima de mim e comecei minha apresentação. Vistindo apenas um top curto e um shorts colado que desenhavam minhas curvas, dancei no ritmo pesado da música até que meus olhos encontraram os dele na primeira fileira. Aquele babaca de olhos negros. Que olhar penetrante e perigoso ele tem... Tentei desviar a atenção de imediato, mas havia algo magnetizante naquele homem que me puxava de volta. Movida por um impulso ousado, desci do palco rebolando e fui parar bem na frente dele. Senti as mãos grandes dele apertarem a minha cintura com força. No compasso da música, esfreguei meu corpo no dele e pude sentir claramente o volume duro da sua ereção. Que química absurda é essa? Que pegada é essa que mexe com o meu corpo inteiro? Virei de frente para ele, encarei aqueles olhos escuros e, inclinando-me, sussurrei bem rente ao seu ouvido, para que apenas ele ouvisse:

— A única coisa que você vai ter de mim é essa dança e mais nada, seu babaca idiota.

Me afastei logo depois, subindo o palco vitoriosa por ter provocado aquele arrogante. Fiz isso para lembrá-lo de que ele não manda em mim, embora eu precise admitir para mim mesma que aquela pegada me deixou completamente molhada e excitada. Segui pelo corredor de volta ao camarim, mas, de repente, as luzes se apagaram por completo.

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