Capítulo 1
Afundada na tela do meu laptop, eu digitava sem parar. Nas últimas duas semanas, tudo o que eu tinha feito era procurar empregos, qualquer emprego, só para sobreviver. Não importava qual, desde que pudesse nos manter à tona.
Meu pai faleceu há um mês, deixando eu, minha mãe e meus dois irmãos mais novos para nos virarmos sozinhos. Quando recebi a notícia de que ele tinha se envolvido em um acidente de carro e morrido na hora, eu congelei. Alguns podem me chamar de insensível, mas o único pensamento que passou pela minha mente foi: Nossa única fonte de renda se foi.
Não é que eu não amasse meu pai. Nós não tínhamos um bom relacionamento, e eu nunca o conheci de verdade. Ele estava sempre fora, consumido pelo trabalho, e nos dava pouco do seu tempo. Ele também não permitia que minha mãe trabalhasse. Ele só queria que ela fosse dona de casa em tempo integral. No começo, parecia que era por cuidado, mas depois percebemos que era apenas um meio distorcido de exercer controle. E agora, com ele morto, fomos deixados para sofrer.
Nossas economias estavam acabando rápido. Minha mãe tinha adoecido, desgastada pelo pensamento da nossa luta inevitável. Meu irmão de dez anos, Daniel, e minha irmã de sete anos, Sofia, eram minha maior preocupação. Eu não suportava a ideia de vê-los sofrer quando o dinheiro acabasse completamente.
Suspirei e bati o laptop, a dor de cabeça que vinha se formando o dia todo finalmente atingindo o ápice. Eu não tinha dormido muito ultimamente, minha mente girando com um milhão de pensamentos, nenhum dos quais fazia sentido. Tudo estava uma bagunça.
"Eva," veio a vozinha de Sofia enquanto ela se aproximava de mim. "Estou com fome." Meu coração apertou. Seu rosto pálido me fez querer gritar com o mundo.
"Hum," murmurei, levantando-me da cadeira. Verifiquei a geladeira, os armários e as panelas. Tudo estava vazio. "Aqui," disse, enfiando a mão no bolso e entregando-lhe algum dinheiro. "Diga ao Daniel para comprar alguns lanches para vocês dois." O rosto dela se iluminou ao pegar o dinheiro e sair correndo.
Lágrimas encheram meus olhos pela centésima vez, mas eu as pisquei para longe. Fui até o quarto da minha mãe. Ela estava dormindo. Sentei ao lado dela e a observei cuidadosamente. Meu peito apertava a cada segundo que passava. Era difícil acreditar como tudo desmoronou tão rapidamente. Não éramos ricos, mas como uma família de classe média, pelo menos tínhamos o necessário. Éramos felizes. Agora, mal estávamos nos segurando.
Mesmo dormindo, minha mãe parecia pálida e quebrada. Ver ela assim me destruía.
"Por favor, melhore logo," sussurrei. Seus olhos se abriram.
"Eva," ela murmurou.
"Mãe, como você está se sentindo?" perguntei suavemente. Ela tentou sorrir, mas falhou, e em vez disso, uma lágrima escorreu de seu olho.
"Estou tão perto de conseguir um emprego, mãe," menti, tentando soar esperançosa. A verdade era que eu ainda não tinha encontrado nada. Mas eu não queria que ela se preocupasse mais do que já estava.
"Eva..." ela começou, sua voz pesada de tristeza.
"Não se preocupe, mãe," interrompi, forçando um sorriso. "Eu não vou fazer nada estúpido ou ilegal, eu prometo." Ela me olhou com olhos cheios de preocupação, mas eu não podia deixá-la saber o quão ruim as coisas estavam.
"Apenas descanse. Vou fazer algo para você tomar com seu remédio," disse. Ela assentiu fracamente, sem discutir.
Assim que saí do quarto dela, todas as lágrimas que eu estava segurando vieram à tona. Cobri a boca com as mãos para abafar os soluços. Meu mundo estava desmoronando, e estava ficando cada vez mais difícil segurar.
Mas eu não podia desistir. Não, eu não era mais uma criança. Eu tinha vinte anos. Eu era uma adulta. Eu tinha que sobreviver a isso. Eu iria sobreviver a isso. Reafirmei para mim mesma.
Enxuguei minhas lágrimas e sentei novamente, abrindo meu laptop mais uma vez. Parecia minha única saída.
Nesse momento, meu celular apitou ao meu lado. Era uma mensagem do meu namorado, Kelvin.
'Você está bem? Não te vi online hoje.'
Suspirei. Como se eu já não tivesse preocupações suficientes, agora tinha que lidar com meu relacionamento também.
'Estou bem, só ocupada. Estarei online em breve,' respondi rapidamente antes de voltar minha atenção para a tela.
Foi então que algo chamou minha atenção no final da página: 'Precisa-se de uma barriga de aluguel.'
Li as palavras em voz alta, franzindo a testa. A curiosidade falou mais alto, e cliquei no link. Um formulário apareceu na tela. Eu estava prestes a fechá-lo quando vi a quantia de dinheiro oferecida.
Cinquenta mil dólares.
Meu queixo praticamente caiu no chão. Não sei o que me deu, mas antes que eu percebesse, eu tinha preenchido o formulário e concordado em me encontrar.
