Capítulo 3
No dia seguinte, deixei Daniel e Sofia aos cuidados da Dona Abril, nossa vizinha. Meus nervos estavam à flor da pele, mas eu precisava fazer isso. O endereço que digitei no meu celular me levou a um prédio enorme e impecável que exalava riqueza. Meu coração batia mais forte a cada passo que eu dava em direção à porta. Toquei a campainha e, após um momento, uma jovem em um uniforme minúsculo abriu a porta, mal me reconhecendo enquanto se afastava para me deixar entrar.
Engoli em seco e entrei. O lugar era impecável, quase estéril em sua perfeição. Os pisos brilhavam como espelhos, refletindo as paredes prateadas e brilhantes. A casa inteira irradiava luxo. Cada centímetro dela gritava bilionário.
"Senhorita Eva, presumo?" Uma voz suave interrompeu meu deslumbramento, e eu me virei para encarar um homem. Ele era mais jovem do que eu esperava, alto, magro, com pele bronzeada e traços marcantes. Ele não poderia ter mais do que seus vinte e poucos anos. Minha mente girava com perguntas. Por que um cara como ele precisaria de uma barriga de aluguel? Ele poderia facilmente conseguir qualquer garota que quisesse.
"Senhorita Eva?" ele repetiu quando eu não respondi imediatamente.
"Sim, mas me chame de Eva, por favor," consegui dizer.
"Prefiro manter as coisas estritamente profissionais," ele disse, sua voz elegante e distante.
"Por favor, sente-se," ele gesticulou em direção à sala de estar. Hesitei por um momento antes de me sentar no sofá branco brilhante, aterrorizada de que minha mera presença pudesse estragá-lo.
"Vou direto ao ponto, Senhorita Eva," ele disse, sentando-se à minha frente. Meu coração acelerou quando ele estalou os dedos, e a mulher no uniforme minúsculo apareceu do nada com uma pasta na mão. Ela a entregou a ele antes de desaparecer novamente.
"Se você está aqui, já sabe a natureza deste acordo, então não vou perder tempo explicando." Ele me entregou a pasta. "Você precisará ler e assinar. Eu já assinei minha parte."
Peguei a pasta dele, folheando as cinco páginas. Minha mente estava a mil. Eu não precisava ler, eu não podia. Se eu lesse, poderia mudar de ideia, e eu não podia me dar ao luxo disso.
"Se você quiser tempo para pensar..." ele começou.
"Não," interrompi, surpreendendo a ambos. "Não preciso de tempo. Posso ter uma caneta, por favor?"
"Você deveria ler primeiro," ele insistiu, seu tom firme.
"Não, estou bem," respondi, forçando-me a manter a calma. Se eu lesse uma única linha, sabia que desistiria, e eu não podia me dar ao luxo disso. Eu precisava do dinheiro desesperadamente. "Tenho certeza de que não há nada aqui que eu não possa lidar, certo?" perguntei, olhando diretamente para ele, esperando sua resposta.
Ele inclinou a cabeça, me estudando por um momento. "Isso depende de você, Senhorita Eva."
"Vou tomar isso como um sim," sorri nervosamente e assinei todas as cinco páginas sem ler uma palavra. Minhas mãos tremiam levemente enquanto eu devolvia a pasta para ele. Deus, espero poder lidar com tudo isso, pensei.
"Pronto," disse baixinho.
"Muito bem, estamos todos acertados então." Ele se levantou, e eu o segui.
"Cem mil," soltei de repente.
Ele franziu a testa, parecendo confuso. "Desculpe?"
"Cem mil dólares," repeti, minha voz mais confiante do que eu me sentia. "É quanto você vai me pagar por isso."
Ele me encarou, seu silêncio me fazendo duvidar da minha ousadia. Será que fui longe demais? Mas eu precisava negociar alto. Isso ia me custar muito; tinha que valer a pena.
Depois do que pareceu uma eternidade, ele finalmente assentiu. "Ok."
Meus olhos se arregalaram de incredulidade. Eu não esperava que ele concordasse tão facilmente. Engoli minha excitação e pressionei mais um pouco. "Preciso de vinte por cento adiantado antes de começar qualquer coisa."
Seu olhar escureceu, e eu temi ter ido longe demais. "Não gosto de receber condições," ele disse friamente, sua mão escorregando para o bolso, mas seus olhos permaneceram fixos nos meus. "Mas sim."
Mal contive meu alívio. Por dentro, eu estava gritando de alegria. Essa era minha chance, minha única chance. Um sorriso surgiu no meu rosto, apesar de tudo.
"Foi um prazer fazer negócios com você, Sr...?" hesitei, percebendo que nem sabia seu nome.
Pela primeira vez, vi um vislumbre de sorriso, breve e quase imperceptível, mas era alguma coisa.
"Leonard," ele respondeu.
"Sr. Leonard," repeti com um aceno de cabeça. "Nos vemos em duas semanas."
Mais tarde naquela noite, visitei minha mãe no hospital antes de ir para a casa do Kelvin. O pensamento do que eu tinha que contar a ele pesava no meu peito. Ele não iria gostar. Na verdade, ele poderia me odiar por isso, mas eu não tinha escolha. Não podia desistir agora.
Jantamos, assistimos a um filme e nos aconchegamos, mas eu não conseguia afastar a inquietação. A culpa me corroía, e eu continuava imaginando sua reação quando eu contasse. Quando o filme terminou, não consegui mais segurar.
"Kelvin," sussurrei, minha voz trêmula.
"Sim, amor?" Ele se virou para me encarar, seus olhos suaves e calorosos.
"Por favor, me perdoe." Reposicionei-me, sentando-me mais ereta. Sua expressão mudou completamente, uma carranca se formando em seu rosto.
"Pelo quê?" Sua voz estava calma, mas eu podia sentir a tensão crescendo.
"Eu..." Respirei fundo, me preparando. "Eu assinei o contrato. Aceitei o trabalho. Me encontrei com ele hoje e assinei tudo."
Seus olhos se fecharam com força, e ele respirou lenta e deliberadamente. O silêncio era ensurdecedor. Quando ele finalmente falou, sua voz estava fria, distante.
"Acabou."
As palavras me atingiram como um golpe físico. Meu coração pulou dolorosamente. "O quê?"
"Acabou entre nós," ele repetiu, levantando-se.
"Não," minha voz quebrou, "Kelvin, por favor. Você não pode..."
"Eu não posso fazer isso, Eva!" Sua voz aumentou, e sua frustração era palpável. "Eu não posso namorar uma garota que vai carregar o filho de outro homem por nove meses. Eu simplesmente... não posso."
Meu coração estava disparado, meu peito apertado de pânico. "Amor, você realmente está me fazendo escolher?" implorei. "Minha mãe está no hospital. Não temos dinheiro. Mal conseguimos comer agora."
"Eu pedi para você esperar," ele retrucou, sua voz crua de emoção. "Só um pouco mais de paciência."
"Por quanto tempo, Kelvin?" retruquei, o desespero invadindo meu tom.
"Se você seguir com isso, estamos acabados," ele disse friamente. Suas palavras me perfuraram.
"Por favor, amor, me escute." Lágrimas escorriam pelo meu rosto agora, minha visão embaçada pela dor.
"Não," ele disse firmemente, balançando a cabeça. "Não suporto a ideia de você com outra pessoa."
"Mas eu não estou com ele. Só estou carregando o filho dele."
"E depois?" ele perguntou amargamente. "Você acha que depois de nove meses não vai desenvolver sentimentos? Você acha que pode passar por isso e não ser mudada?"
"Eu não vou. Eu te amo," insisti, minha voz falhando.
"Desculpe, Eva." Ele se virou, de costas para mim. "Você pode ir quando estiver pronta."
Fiquei ali, de coração partido, minhas lágrimas caindo silenciosamente enquanto percebia que o tinha perdido.
