Uma dança de dominação

A cabine parecia mais fria que o normal, as sombras se estendendo longas pelo chão enquanto a luz do lampião tremeluzia. O capitão Blackthorn estava parado diante de mim, a presença dele pesada, predatória. Os olhos brilhavam como mares em tempestade quando ele deu a ordem, a voz baixa e perigosa.

— Pet, abre bem as pernas pra mim.

— O que você está fazendo?

— Você vai se dirigir a mim como mestre.

Num único movimento rápido, ele puxou meu vestido até a cintura, me expondo ao ar gelado. A mão dele traçou um caminho firme pela minha coxa. Ele forçou minhas pernas a se abrirem. O ar prendeu na minha garganta quando os lábios dele encontraram o meu clitóris, enviando ondas de sensação pelo meu corpo. Minhas unhas cravaram nos lençóis de cetim. Eu odiava ele, odiava o controle que tinha sobre mim. Meu corpo me traía. Um gemido escapou dos meus lábios quando a língua dele se movia com precisão, acendendo um prazer proibido que eu não conseguia reprimir. O quarto girou. As mãos dele apertaram minhas coxas, abrindo-as ainda mais. Cada passada da língua fazia meu corpo tremer, dilacerado entre a raiva, a vergonha e uma necessidade crescente, avassaladora. Eu tentei me afastar, resistir. Meu corpo se recusou a obedecer. Meu quadril se arqueou sem controle, se aproximando dele, ansiando pelo êxtase que ele me forçava a sentir. Os dedos dele apertaram mais forte a minha pele, como se antecipassem minha luta, me mantendo cativa.

— Para — eu sussurrei, quase inaudível, a voz sumindo sob o som da minha respiração entrecortada.

Ele não parou. Meu protesto fraco parecia só atiçá‑lo. Os movimentos ficaram mais urgentes. Um som entrecortado rasgou minha garganta. Meio soluço, meio gemido, enquanto a tensão crescia, ameaçando me despedaçar. O quarto se fechou ao meu redor, minha visão ficou turva. Eu cambaleava à beira do orgasmo. Eu queria odiá‑lo, empurrá‑lo para longe. Tudo o que eu conseguia fazer era me render. Com um último suspiro trêmulo, a tensão se despfez. Ondas de prazer me consumiram. Minha coluna se arqueou para fora da cama. Minhas unhas rasgaram os lençóis enquanto meu corpo convulsionava em prazer. Sem fôlego e tremendo, fiquei ali deitada enquanto a realidade do que tinha acabado de acontecer começava a se impor. Ele se afastou. O hálito quente dele roçava a parte interna da minha coxa enquanto ele subia, beijando um rastro pelo meu corpo. Eu fiquei encarando o teto, a mente um caos de emoções em conflito. Ódio, humilhação e o prazer inegável que ele tinha arrancado de mim.

— Por que você luta contra isso? Você quer tanto quanto eu.

Virei o rosto para ele, encarando o olhar dele com desafio, apesar da fraqueza nos meus membros.

— Eu nunca vou te querer.

Ele enfiou dois dedos em mim, com força e rapidez. Eu arfei. Meu corpo arqueou na cama quando uma nova onda de sensações tomou conta de mim. Os dedos dele se curvaram dentro de mim, encontrando aquele ponto sensível que me fazia ver estrelas. Meu quadril se mexeu involuntariamente, acompanhando o ritmo dele, apesar da voz na minha cabeça gritando para resistir. A outra mão dele agarrou meu seio, apertando-o com força enquanto o polegar roçava no meu mamilo. As duas sensações ao mesmo tempo eram demais. Eu estava perdendo o controle, me desfazendo sob o toque dele.

— Você não pode negar isso. Seu corpo sabe o que quer.

Eu queria discutir, negar. Mas tudo o que saiu foi um gemido estrangulado. O ritmo dele acelerou, e meu corpo ficou tenso. A pressão dentro de mim chegou ao limite. Com um último grito desesperado, eu gozei, tremendo em volta dos dedos dele enquanto o orgasmo me rasgava por dentro. Ele tirou os dedos devagar. Tinha um sorriso satisfeito no rosto enquanto me observava recuperar o fôlego. Eu tremia com a intensidade de tudo aquilo. Os lábios dele roçaram no meu ouvido, o hálito quente.

— Você é minha, pet.

Virei o rosto, incapaz de encarar o olhar dele. A verdade daquelas palavras cortava mais fundo do que qualquer dor física. Naquele momento, eu odiava ele mais do que nunca. Eu não podia negar o poder que ele tinha sobre mim. E era isso que mais me apavorava. Sem hesitar, ele tirou a calça e a cueca, revelando o pau já ereto e duro. Subiu na cama, se posicionando entre as minhas pernas. O olhar dele não se afastou do meu em nenhum momento. Havia um brilho predador nos olhos dele, uma fome escura que ao mesmo tempo me assustava e me excitava. Ele segurou meus quadris, puxando-me para mais perto. Se alinhou na minha entrada. A cabeça do pau roçou em mim. Eu sentia o calor e a dureza. Não houve pergunta, nem hesitação. Ele avançou, devagar, de forma implacável, me alongando enquanto entrava. Arfei com a sensação, meu corpo se contraindo em volta dele. Uma mistura de dor e prazer enquanto ele me preenchia.

O hálito dele queimava no meu pescoço quando se aproximou ainda mais. Minhas mãos apertaram os lençóis com força, os nós dos dedos brancos de tanto esforço. Cada nervo do meu corpo estava em alerta, hiperconsciente da ligação entre nós. Ele começou a se mover. Saindo quase todo para depois entrar de novo, com um ritmo firme e implacável. Cada investida mandava ondas de sensação pelo meu corpo. O atrito acendia faíscas de prazer que corriam pelas minhas veias. Meu corpo respondia apesar da minha resistência. Meu quadril se ergueu para encontrar as estocadas dele, uma dança primitiva de necessidade e desejo. Ele se inclinou, capturando meus lábios num beijo feroz. A língua dele exigiu passagem. Eu resisti por um momento antes de ceder.

Abri a boca para ele, nossas respirações se misturando enquanto o beijo se aprofundava. As mãos dele percorriam meu corpo, uma apertando meu seio, a outra segurando meu quadril para me manter no lugar. A cama rangia embaixo de nós, o som de nossos corpos se movendo juntos preenchendo o quarto. Cada investida me empurrava mais perto do limite, a mola do prazer voltando a se apertar no fundo do meu ventre. Eu sentia os músculos dele enrijecendo. O suor na pele dele se misturava ao meu. O ritmo dele acelerou. Cada estocada era mais forte, mais urgente, empurrando nós dois rumo ao clímax inevitável. O prazer era avassalador, crescendo até um crescendo que me deixava sem fôlego, à beira do abismo. Com uma última estocada, profunda e poderosa, ele se enterrou dentro de mim. O pau dele pulsou quando encontrou o próprio alívio. A sensação me jogou além do limite, e eu gritei, meu corpo convulsionando ao redor dele enquanto eu gozava. O prazer me inundou em onda após onda de êxtase. O rosto dele escureceu.

— Pet, se limpe. Você vai dormir na jaula até aprender o seu lugar.

— Eu não vou dormir numa jaula. Eu sou sua esposa, não seu brinquedo.

O ar pareceu mudar. A mão dele avançou, um clarão de movimento, e a dor explodiu quente e aguda na minha bochecha. Eu cambaleei, engasgando com a ardência, minha visão embaçando com as lágrimas. Antes que eu conseguisse recuperar o fôlego, ele me bateu de novo, mais forte dessa vez, me tirando o equilíbrio. O quarto girou ao meu redor. Dedos se enroscaram no meu cabelo, me puxando de volta para cima. A voz dele rosnou baixa no meu ouvido:

— Vai se limpar. Você vai aprender a obedecer.

Ele me empurrou em direção ao pequeno banheiro, o aperto em mim implacável até eu tropeçar para dentro. Me limpei em silêncio, a água gelada contra a pele, tentando esfregar para longe a vergonha, a dor, a lembrança. Quando saí de novo, ele estava esperando. Espalhado na cama como um predador em repouso, os olhos dele acompanhavam cada um dos meus movimentos. Em dois passos ele encurtou a distância, a mão dele agarrando meu cabelo outra vez. A dor explodiu no meu couro cabeludo enquanto ele me arrastava até o canto do quarto. Com um giro cruel, ele me enfiou dentro da jaula, as barras de ferro geladas mordendo a minha pele. Meus pulsos foram amarrados com uma corda áspera, cada puxão do nó cravando mais fundo na minha carne. O colchão dentro da jaula era fino, duro, uma paródia da cama a poucos passos dali.

— Amanhã, pet, eu vou te apresentar à tripulação. Você vai aprender o seu lugar entre nós.

Cerrei os punhos, engolindo o grito que arranhava a minha garganta.

— Você vai ser vista, não ouvida. Se sair da linha, vai ser punida. Entendeu, pet?

Minha voz saiu num sussurro, frágil como vidro.

— Entendi.

Os dedos dele se curvaram debaixo do meu queixo, me forçando a encarar o olhar dele.

— Eu perguntei se você entendeu.

O aperto dele se intensificou. Assenti, o coração disparado.

— Sim, mestre — murmurei, as palavras como cinza na minha boca.

Um sorriso lento e cruel se espalhou pelo rosto dele.

— Durma bem, pet.

Ele bateu a porta da jaula com força. O som reverberou pela cabine pequena, agudo e definitivo, como uma sentença cravada em ferro. Eu estremeci com o impacto, o peito apertando enquanto o eco se desfazia, deixando só o silêncio opressivo. O farfalhar dos lençóis veio em seguida, quando ele apagou as velas, mergulhando o quarto numa escuridão que parecia prensar minha pele de todos os lados, espessa e sufocante. Puxei a corda que prendia meus pulsos, sentindo a ardência do atrito morder minha carne, minhas unhas raspando nas fibras rudes com uma força desesperada. Cada puxão inútil deixava linhas ardidas na minha pele, e mesmo assim eu me recusava a ceder, cada pequeno ato de resistência uma afirmação frágil de quem eu era.

A respiração dele era constante, rasa e controlada, um predador em paz no escuro. A minha era irregular, entrecortada, chacoalhando no meu peito enquanto eu tentava acalmar o coração disparado. Sozinha na jaula gelada, pressionei o corpo contra as barras duras de metal, o frio penetrando nos ossos. A dor nos meus pulsos pulsava no mesmo ritmo das batidas do meu coração, um lembrete cruel do poder que ele tinha. Não era a dor, nem a humilhação, que mais me apavoravam. Não. Era o jeito como ele conseguia me reduzir àquilo, como dobrava meu corpo e minha mente à vontade dele com tanta facilidade, e a percepção rasteira, assustadora, de que alguma parte de mim podia quebrar o suficiente para ceder. Um barulho súbito do lado de fora da cabine, um rangido de tábua, um sussurro de movimento, me fez congelar. Meu pulso disparou, meus ouvidos se aguçando naquela escuridão sufocante. As sombras pareciam se mexer, vivas, com uma intenção invisível. Prendi a respiração e pressionei o rosto contra a jaula, tentando enxergar através do escuro, todos os meus sentidos gritando que o perigo estava perto. Algo estava vindo.

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