Capítulo 7

Um silêncio frágil pairou no ar após suas palavras.

Claire abaixou-se, retirou uma pasta fina de sua bolsa e avançou com serenidade.

Estendeu-a a Nelson, a voz calma e precisa. "Os papéis do divórcio já estão assinados por mim. Só falta a sua assinatura."

Aquele conjunto de documentos parecia pesar mais que uma pedra.

O olhar de Nelson prendeu-se a eles, uma onda confusa de frustração, incredulidade e uma pressão opressiva crescendo em seu peito.

"Claire." Sua voz saiu tensa, cada sílaba carregada. "Quando você assinou isso?"

Ele não conseguia processar.

Ela havia retornado apenas ontem. Aquela era, tecnicamente, a primeira conversa real entre eles desde sua chegada.

E já trazia os papéis prontos?

Era para isso que ela voltara?

Para pôr um fim em tudo?

O tom de Claire era neutro, distante. "Importa quando? O resultado é o mesmo."

"Importa, sim!" Elena irrompeu, a voz afiada de irritação. "Divórcio não é algo que se joga sobre a mesa assim. Mas, Nelson, se ela está tão determinada, talvez não deva complicar mais do que o necessário. Pode ser melhor assim — para todos."

Ela não mencionou o nome de Serena. Não precisava.

A insinuação pairou no ar como fumaça tóxica.

E, como se fosse cronometrado, Serena lançou um olhar rápido do abraço de Elena. Seus cílios ainda estavam úmidos, mas um pequeno e satisfeito sorriso tocava seus lábios. Fungou delicadamente e murmurou: "Maninha, por favor, não entenda mal. Nelson e eu… na verdade, já havíamos conversado sobre isso. Ele disse que lhe entregaria os papéis logo após esta noite."

Nelson contraiu-se.

Era verdade.

Ele havia preparado os documentos semanas antes, antes mesmo de Claire retornar. Talvez até antes.

Estava cansado da guerra fria entre eles, do silêncio, da distância.

Mas agora, vendo Claire empurrar calmamente a pasta em sua direção… a sensação era totalmente diferente. Mais pesada. Mais definitiva.

Sua garganta moveu-se ao engolir seco.

"…É."

Como esperado.

Claire soltou uma risada suave — seca, amarga, breve.

Então era isso.

Todos estavam à espera do fim deste casamento.

Todos, exceto ela.

Ela fora a única ingênua o bastante para acreditar que ainda restava algo a salvar.

Claire respirou fundo e empurrou a pasta delicadamente para mais perto dele. Sua voz já não guardava nenhuma suavidade ou calor.

"Então, por favor, Sr. Cooper?"

Fria. Educada. Intocável.

Nelson fitou os papéis, um aperto estranho e desconfortável tomando conta de seu peito.

Ele deveria sentir-se aliviado.

Era o que ele queria.

Mas, em vez disso, sua mente retrocedeu três anos.

Claire em seu vestido branco, de pé no altar. Seus olhos, então, cheios de uma esperança luminosa, de uma confiança tranquila. Nele.

Ele estendeu a mão para a pasta, e seus dedos roçaram os dela — apenas por uma fração de segundo.

Ela afastou a mão imediatamente.

Aquele pequeno e instintivo movimento doeu mais do que qualquer palavra poderia.

Sua mão cerrou-se ao redor da pasta, as bordas rígidas cravando-se em sua palma.

Ele forçou-se a olhar para ela. Seus olhos estavam calmos, a expressão impenetrável.

"Vou assinar," disse ele, por fim. "Deixarei o advogado cuidar de todo o resto."

Claire assentiu, seus lábios formando um leve e quase gentil sorriso. "Obrigada," disse ela, com leveza. "Espero que não demore muito."

Nelson não respondeu.

Seus olhos estreitaram-se levemente.

Aquele aperto estranho no peito — que ele imaginara que desapareceria com a decisão — ainda lá estava.

Pior: estava crescendo.

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