Capítulo 3: Posição incômoda

O grito repentino de Celeste assustou todo mundo.

— Pelo amor de Deus, tá doendo! Solta o meu dedo agora! — ela exigiu, a voz tensa de dor.

O chihuahua estava com os dentes cravados no dedo de Celeste, se recusando a soltá-lo. Celeste deu várias palmadas na cabeça do cachorro, mas isso só piorou a situação — quanto mais ela batia, mais forte ele mordia.

— Por favor, não faz isso, você pode machucar a sua mão — Olivia correu até ela, cobrindo os olhos do chihuahua com uma mão enquanto apertava o focinho dele com a outra.

Em poucos segundos, o cachorro afrouxou a mordida. Celeste finalmente puxou a mão, com os olhos marejados ao encarar as marcas de dente sangrando em seu dedo.

— Senhor Cooper, por favor, traga o kit de primeiros socorros rápido — pediu Olivia, virando-se para o mordomo.

Damon saiu apressado e voltou instantes depois com os materiais médicos.

— Senhora, a senhora quer ir ao hospital tomar uma vacina contra raiva? — ele perguntou, a preocupação evidente na voz.

— Se esse chihuahua foi bem cuidado desde que nasceu, a probabilidade de ter raiva é muito baixa, então não precisa tomar vacina — explicou Olivia, fazendo um carinho de leve na cabeça do cachorro.

Enquanto uma empregada cuidava do dedo machucado, Celeste franziu a testa ao ver Olivia segurando o seu chihuahua.

— O que é que ele tem? Por que mordeu a mim e não você?

— Pode ser um problema de pele — Olivia apontou para uma mancha vermelho-clara na pata do cachorro. — Isso aqui é recente. Provavelmente por causa de calor. Menos sol e uma pomada devem resolver.

A expressão de desaprovação de Celeste só aumentou enquanto ela observava Olivia acariciar o chihuahua sem parar. Ela lançou um olhar para outra empregada atrás dela, que assentiu e se aproximou de Olivia, pegando o cachorro de seus braços.

Só quando o chihuahua se afastou de Olivia é que a expressão de Celeste suavizou.

— Você é veterinária? — Celeste perguntou, levantando um pouco o queixo enquanto avaliava Olivia.

Olivia assentiu.

— Sou. Minha mãe amava animais, e eu também. Por isso virei veterinária. Ainda não me formei, mas já comecei o estágio…

— Não tenho o menor interesse na sua carreira — cortou Celeste. — Se as pessoas souberem que a esposa do meu filho é veterinária, vai ser uma vergonha para a nossa família.

“Veterinária? O que é que tem? Eu ganho a minha vida trabalhando honestamente. Quem ela pensa que é pra olhar assim pra mim?” Olivia fervia de raiva por dentro, mas manteve a expressão tranquila.

— Damon, procure um veterinário de verdade para examinar a minha Fofinha — ordenou Celeste.

O mordomo assentiu e saiu.

“Que mulher insuportável, não confia em mim pra nada. Arrogante… bem feito que levou a mordida.” Olivia xingava em silêncio, ao mesmo tempo preocupada com a vida de casada que a esperava. Ela se perguntava se Matthew seria tão desagradável quanto a mãe.

— Senhora, eu trouxe as roupas — aproximou-se Mira, com um conjunto nas mãos.

Celeste voltou-se para Olivia.

— Vista isso. Depois, a Mira vai te levar até o seu quarto e te ensinar as regras desta mansão.

— Tá bem, vou trocar agora mesmo — respondeu Olivia com um sorriso educado, pegou as roupas e voltou para o carro para se trocar.

Quando Olivia saiu do carro já com a roupa nova, Celeste e as outras empregadas tinham sumido, provavelmente tinham voltado para dentro da mansão para fugir do calor escaldante. Felizmente, Mira ainda a esperava na entrada.

"Senhora Olivia Howard, por favor, me acompanhe. Alguém vai se encarregar do seu vestido de noiva. Vou levá-la ao seu quarto agora", disse Mira com o rosto inexpressivo e a voz sem inflexão antes de se virar em direção à mansão.

Olivia seguiu Mira, observando tudo à sua volta. O interior era extraordinariamente luxuoso, exalando um ar de nobreza com cortinas de um roxo intenso. Era como entrar na residência de algum membro da realeza.

As criadas ali usavam todas uniformes preto e branco, a cabeça baixa enquanto trabalhavam com afinco. Não diziam uma palavra, silenciosas como bonecas.

"Este é o seu quarto", anunciou Mira quando chegaram ao terceiro andar. Sua testa se franziu de repente ao abrir a porta, revelando duas criadas que saíram às pressas, claramente assustadas.

"Senhora Parker, nós só estávamos limpando o quarto da senhora Olivia Howard", explicaram, com a cabeça tão baixa que o medo era evidente.

"Tudo bem. Podem ir", dispensou-as Mira, em tom neutro.

Olivia mal deu atenção às duas criadas e já ia entrar quando ouviu a conversa sussurrada delas.

"Então aquela é a senhora Olivia Howard? Bonita até, mas parece azarada."

"É. Já deu azar pra Alice. Quero ver que castigo ela vai levar."

Olivia franziu o cenho e se virou para Mira. "Quem é Alice?"

"Ela é a criada responsável pelo cachorro da Madame."

Sem conseguir mais segurar a frustração, Olivia perguntou, irritada: "O que essas criadas quiseram dizer? Que eu trago azar? A Alice claramente não cuidou direito do cachorro. Como isso é culpa minha?"

"Por favor, refira-se ao animal de estimação da Madame como ‘Sweetie’ daqui pra frente. A Madame não gosta que o chamem simplesmente de ‘cachorro’", declarou Mira com calma, observando Olivia.

Olivia cerrou os punhos. "Essas criadas ficaram fofocando de mim pelas costas. Ninguém faz nada a respeito?"

"Eu não ouvi nada. E, por favor, evite elevar a voz neste Solar. A Madame não gosta", respondeu Mira. Em seus olhos tranquilos, se escondia o mesmo desprezo que Olivia já tinha visto em Celeste.

"Tudo bem. Vou tomar cuidado com isso", disse Olivia, abaixando a voz e forçando um sorriso ao entrar no quarto.

O quarto era luxuosamente decorado, num estilo ostentoso, mas o humor de Olivia estava ruim demais para que ela apreciasse qualquer coisa.

"Está quase na hora do chá da tarde da Madame. Preciso preparar os petiscos dela. Voltarei depois para explicar as regras da casa", anunciou Mira antes de sair, sem fechar a porta.

Olivia quis bater a porta com força, mas se lembrou das regras rígidas e do irmão no hospital. Segurou o impulso e a fechou com cuidado.

A penteadeira estava coberta de cosméticos de grife — um verdadeiro convite para qualquer mulher. O humor de Olivia melhorou um pouco, até ela notar que todos os produtos já estavam abertos e usados. Ao se lembrar das duas criadas atrapalhadas, percebeu que deviam ter sido elas as primeiras a mexer na maquiagem.

"Nesta casa, eu fico abaixo até do cachorro", Olivia riu com amargura da própria situação, sem nem cogitar contar o ocorrido, porque sabia que ninguém se importaria.

De repente, o celular apitou com uma mensagem da amiga Esme Green, convidando-a para uma festa naquela noite — festa essa em que Lucas Williams também estaria.

Ao ver o nome de Lucas, a expressão de Olivia mudou sutilmente.

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