Capítulo 5 Configuração

Wesley era amigo de infância de Matthew e a pessoa que mais conhecia seus segredos; tirando seu assistente, John Mitchell, também era em quem Matthew mais confiava.

Wesley levou Matthew até a piscina na cobertura do hotel, onde um grupo considerável de homens e mulheres bem-vestidos já se reunia de maiô e sunga.

Mulheres de biquíni estiloso estavam espalhadas ao redor da piscina, com drinks na mão, se refrescando na água ou batendo papo entre elas.

Quando Matthew apareceu perto da piscina, atraiu imediatamente a atenção de várias jovens.

— Boa noite, senhor Howard.

— Boa noite, Lucy! Seu corpo está mais definido, você tem malhado?

— Catherine, sua pele está um pouco mais escura. Quer que eu passe um protetor em você na praia amanhã?

— Jessica, você está diferente, a maternidade caiu muito bem em você. Quer dividir umas dicas de criação hoje à noite?

Wesley parecia conhecer a maioria das mulheres presentes e as cumprimentava com intimidade enquanto atravessava a área. Depois de trocar rápidas gentilezas com ele, as mulheres logo voltavam a concentrar a atenção em Matthew.

Matthew sentiu os olhares avaliadores em volta e lançou um olhar de reprovação para Wesley.

— A gente precisava mesmo se encontrar aqui? Você sabe que eu odeio esse tipo de lugar.

— Sr. Brown, esse é seu amigo? Ele é muito gato. Será que tem namorada? — uma loira de biquíni com estampa de oncinha se aproximou, lançando um olhar insinuante para Matthew.

— Ele não tem namorada — respondeu Wesley.

Os olhos da loira brilharam ao ouvir isso.

Mas Wesley emendou:

— Só que ele se casou hoje.

A expressão dela murchou.

— Desculpa incomodar. Sr. Howard, o senhor gostaria de tomar um drink hoje à noite? — ela perguntou, antes de voltar a atenção para Wesley, que era conhecido por ser solteiro.

— Claro. Espera a minha ligação — disse Wesley, piscando e fazendo com a mão o gesto de telefone.

Quando ela se afastou, Matthew se virou para Wesley:

— Se você me chamou aqui só pra me ver constrangido, eu já já te jogo dentro dessa piscina.

Wesley ergueu as mãos em rendição, rápido:

— Calma, eu só tava brincando. Vem cá.

Ele deu uns tapinhas no braço de Matthew e o conduziu até umas espreguiçadeiras ali perto. Vários seguranças estavam posicionados ao redor, mantendo os outros à distância.

— Antes de você ir pro exterior, você me pediu pra ficar de olho em certos membros da sua família. Eu fiz isso. Tá aqui o que eu descobri. — Wesley jogou um saco de papel para Matthew.

Matthew abriu o pacote e examinou o conteúdo, enquanto um sorriso de deboche se espalhava pelo rosto.

— Parece que a família tá precisando de uma boa faxina interna. Sempre tem parasita que acha que o sangue dá direito de mamar nas tetas do patrimônio.

— Às vezes uma grande árvore não cai por causa do que vem de fora — ela apodrece por causa das pragas de dentro. Só não vai citar meu nome quando você for resolver isso. Prefiro não arrumar inimigos.

Wesley deu de ombros, depois abriu um sorriso maroto e se inclinou na direção de Matthew.

— Você voltou hoje só por causa desses documentos? Fiquei sabendo que a sua noiva é bem bonita.

Matthew guardou os papéis e encarou, friamente, a expressão curiosa de Wesley.

— Isso foi só pra cumprir o desejo da minha família. Eles queriam me ver casado. Você sabe que eu sou alérgico a mulher.

Wesley ergueu as mãos em rendição outra vez.

— Tá bom, mas você não vai se explicar? O pessoal anda dizendo por aí que você é impotente. Se eu tivesse esse problema, eu ia morrer de vergonha.

Wesley fingiu colocar um laço em volta do pescoço e apertá‑lo, depois deixou a cabeça cair para o lado, com os olhos esbugalhados e a língua para fora, tudo de forma exagerada.

Matthew observava a atuação ridícula do amigo enquanto pegava uma uva da mesa ao lado e colocava na boca.

— Como Shakespeare disse, você só se importa de verdade com algumas poucas pessoas na vida. Não precisa se preocupar com uma plateia que não importa.

— Shakespeare disse isso mesmo?

— Eu não sei. Vamos dizer que disse.

Wesley revirou os olhos.

— Que desperdício. Você nunca vai saber como é com as mulheres.

Wesley se levantou da espreguiçadeira e caminhou em direção à piscina.

— Ei, meninas! O príncipe de vocês chegou! Qual Cinderela quer experimentar o sapatinho de cristal hoje à noite?

Dito isso, ele pulou na piscina, levantando um jato de água. Mulheres lindas se juntaram em volta dele como sereias.

— Olha! Isso sim é diversão! — gritou Wesley, enquanto as mãos dele deslizavam entre as mulheres à sua volta. A piscina se encheu de risadinhas e suspiros suaves.

Matthew balançou a cabeça, pegou os documentos sobre a mesa e foi embora.

Enquanto isso, Olivia sentiu uma onda de calor estranha na sala reservada. Ela conferiu o relógio e viu que o horário que Celeste tinha lhe dado estava quase acabando, então decidiu voltar.

— Desculpem, gente, eu preciso ir. Como recém‑casada, tenho que causar uma boa impressão nos Howards.

Olivia deu de ombros num pedido de desculpas, enquanto as amigas a acompanhavam até a porta. Esme se ofereceu para levá‑la em casa, mas Olivia recusou com educação.

— Não precisa, eu fico bem sozinha.

Olivia sorriu, preocupada por dentro que, se Esme fosse com ela, Celeste pudesse dizer algo desagradável.

Esme assentiu e ficou olhando Olivia entrar no elevador. Assim que as portas se fecharam, um sorriso de desprezo se espalhou pelo rosto dela.

— Espero que aproveite a sua noite, minha querida amiga. Mal posso esperar para ver seu nome nas manchetes amanhã.

De pé dentro do elevador, Olivia de repente sentiu uma onda de calor atravessar o corpo. Sua respiração ficou acelerada.

— O que está acontecendo? Meu coração está disparado.

Olivia arfava, sem entender por que o corpo inteiro formigava ou por que sentia uma necessidade avassaladora de contato físico.

Nesse momento, as portas do elevador se abriram e Matthew entrou. Ao notar Olivia, ele franziu a testa e se colocou de lado, mantendo distância dela.

Matthew nunca tinha visto uma foto de Olivia e a considerava apenas mais uma mulher insignificante, então não percebeu que ela era sua esposa.

Conforme o elevador descia andar por andar, a mente de Olivia ficava cada vez mais turva, até que um cheiro masculino forte chegou até ela.

Matthew de repente percebeu uma respiração ofegante bem perto dele. Virou‑se, contrariado, apenas para ver Olivia desabando em seus braços.

— Droga, sai de cima de mim! — ordenou Matthew, mas Olivia se agarrou a ele como um coala.

— Merda, vou ter uma reação alérgica. Cadê o meu remédio…?

Matthew tateou desesperado os bolsos em busca dos comprimidos, mas, quando puxou o frasco, percebeu, surpreso, que não havia nenhum sinal da erupção de sempre em seus pulsos.

— O que está acontecendo? Nada de vermelhidão, e minha respiração e meu coração estão normais. Meu problema melhorou ou é por causa dessa mulher…?

Enquanto Matthew pensava nisso, os lábios macios de Olivia se pressionaram contra os dele.

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