Capítulo 7 Divórcio após apenas um dia?
Olivia esfregou os olhos com força, querendo ter certeza de que não estava sonhando — havia mesmo um homem nu deitado ao lado dela.
Ela levantou o lençol para dar uma espiada e entrou em completo desespero. Também não estava vestindo nada, e o ar estava saturado com um cheiro íntimo.
“Droga, o que eu fiz ontem à noite? Eu traí no dia do meu casamento?”
Olivia passou as mãos pelos cabelos, desesperada. Ela queria acordar o homem ao lado dela e perguntar o que tinha acontecido.
Mas, quando a mão pairou sobre o rosto dele, ela congelou.
Não, ela não podia fazer isso. Revelar quem ela era ia dar problema tanto pra ela quanto pro irmão.
Olivia mordeu a língua e se forçou a manter a calma.
Ela precisava voltar pra casa imediatamente e inventar uma desculpa. Ninguém podia saber daquilo.
Olivia se virou para pegar a própria roupa, mas, quando encontrou as peças, ficou completamente chocada — estavam todas rasgadas em tiras.
Será que esse cara era tão agressivo assim?
Ela então notou as roupas dele no chão e, na mesma hora, teve uma ideia.
“Já que você rasgou minhas roupas, eu vou pegar as suas emprestadas. Espero que você não se importe. E se acordar sem nada, aí o problema é seu.”
Olivia vestiu a camisa dele às pressas. Como os botões tinham sido arrancados, ela não conseguiu fechá-la; então amarrou as pontas na barriga, criando sem querer um visual estiloso.
“Vai ter que ser isso. Eu preciso sair daqui.”
Ela murmurou para si mesma enquanto escorregava para fora do quarto.
Alguns segundos depois, voltou até a beira da cama, pegou o celular e tirou uma foto do rosto de Matthew.
“Ele é até bem bonito. Não deve ser tão difícil descobrir quem ele é.”
Dito isso, Olivia finalmente deixou o hotel.
Cerca de dez minutos depois, Matthew acordou. Esfregou os olhos e, por impulso, estendeu a mão para o lado, mas só encontrou o vazio.
Matthew abriu os olhos, olhou em volta do quarto e conferiu o banheiro, confirmando que estava sozinho.
Examinou os próprios braços — nenhuma mancha vermelha. Aquilo não era normal.
“Será que eu sonhei?”
De repente, o pé dele encostou em algo macio no chão. Ele abaixou, pegou o objeto e abriu um sorriso — era um sutiã delicado, rasgado em pedaços.
“Então a noite passada foi real. Mas levar minhas roupas, isso já não foi falta de educação?”
Matthew riu, pegou o celular e ligou para John.
“E aí, John, como tá indo a investigação de ontem?”
Do outro lado da linha, a voz de John estava carregada de cansaço.
“Senhor Howard, eu tô extremamente atarefado agora. O senhor esqueceu que minhas últimas férias foram no ano passado? Sobre aquela mulher, eu já pedi pro pessoal do nosso contato no país investigar. Só me dá um tempo, tá?”
O canto da boca de Matthew tremeu ao se lembrar de que sua decisão de voltar pro país tinha sido tomada em cima da hora, deixando um monte de assuntos no exterior nas mãos de John.
“Me desculpa, John. Quando a gente terminar esse trabalho, eu aprovo umas férias pra você.”
Matthew deu de ombros. “Mas, antes disso, eu preciso que você faça só mais um favor.”
“Meu Deus, eu tô à beira de enlouquecer com tanta coisa! O que mais o senhor precisa?”
John reclamou pelo telefone, mas seus hábitos profissionais ainda o deixavam curioso com o pedido de Matthew.
O tom de Matthew ficou sério.
“A mulher que eu conheci ontem à noite... a gente transou...”
Antes que Matthew pudesse terminar, John deu um grito pelo telefone.
“Meu Deus, você transou! Sr. Howard, o senhor está bem? Está no hospital agora? Espera, está no pronto‑socorro? Eu vou pegar o próximo voo de volta...”
Matthew afastou o celular do ouvido; a voz de John estava tão alta que o assustou.
“Quer calar a boca? Minha voz está parecendo a de alguém em choque anafilático?”
John finalmente percebeu que a voz de Matthew estava normal e perguntou, confuso:
“Então, Sr. Howard, o senhor transou com aquela mulher e o seu corpo não teve nenhuma reação adversa?”
“Isso mesmo. Também acho estranho. Não consigo determinar se é porque essa mulher não desencadeia minha alergia ou se a minha condição simplesmente melhorou de repente. Vou fazer um teste com outra mulher depois, mas, se minha condição não tiver melhorado, você precisa encontrar aquela mulher pra mim.”
“Uau, Sr. Howard, o senhor finalmente virou um homem de verdade! Eu estou realmente muito feliz por você. Não se preocupe, vou cuidar pessoalmente disso e vou encontrar essa mulher. Mesmo que ela tenha namorado, eu dou um jeito de separar os dois!”
O tom de John estava extremamente decidido, o que fez o canto da boca de Matthew tremer de novo.
“Calma. Não é tão complicado assim. Eu nem te disse ainda o que eu preciso que você faça.”
“Do que o senhor precisa?”
“Arruma um advogado pra mim. Eu quero me divorciar.”
O tom de Matthew era firme.
John ficou em silêncio por dois segundos antes de gritar de novo.
“Sr. Howard, o senhor tá brincando? O senhor acabou de casar ontem, e embora nunca tenha conhecido a noiva... bom, acho que agora que o senhor encontrou uma mulher que não dispara a sua alergia, a noiva não importa mais.”
Matthew assentiu, depois de repente se lembrou de algo. Depois de pensar por alguns segundos, disse:
“Eu me lembro que aquela mulher aceitou se casar comigo com a condição de que o Hospital Evergreen tratasse o irmão dela, não é? Vamos incluir o tratamento do irmão dela no acordo de divórcio. Afinal, eu traí na noite de núpcias, então isso é uma compensação pra ela.”
“Tudo bem, Sr. Howard, o senhor é um homem bondoso. Vou providenciar. Mais alguma coisa?”
John perguntou pelo telefone.
Matthew pensou por um momento e balançou a cabeça.
“Só isso. Volta pro trabalho.”
“Certo. Tomara que o senhor encontre logo o seu verdadeiro amor.”
John desligou, e Matthew ligou para Wesley.
Um momento depois, bateram na porta. Wesley entrou com um conjunto de roupas na mão.
Quando viu as roupas espalhadas pelo chão, seus olhos se arregalaram.
E ele soltou um grito agudo.
“Meu Deus, o que é que eu estou vendo? De quem é essa lingerie? Uau, a sua condição foi curada?”
Wesley encarou Matthew, chocado.
Matthew vestiu as roupas que Wesley tinha trazido e balançou a cabeça.
“Ainda não posso ter certeza. Preciso encontrar uma mulher pra testar.”
Enquanto falava, Matthew chamou uma garçonete que passava por ali.
“Moça, você se importa de segurar o meu pulso?”
A garçonete hesitou, depois olhou para o rosto bonito de Matthew. Corando, ela colocou a mão no pulso dele.
