Capítulo 5 VIVIENNE
A cidade não apenas fervilhava com a notícia do casamento de Ethan Sinclair; ela praticamente tinha explodido como uma bomba atômica. Desde o momento em que o anúncio chegou à imprensa, o caos reinou por toda Melbourne. Comentaristas debatiam, investidores especulavam, e todo o conselho de diretores se agitava a portas fechadas, chocado e completamente pego de surpresa pela brilhante frieza da jogada de Ethan.
Agora, cada sussurro e cada manchete colidiam em um espetáculo singular no grande salão de festas do Hotel Saint Regis. Limusines formavam um rio prateado do lado de fora, e vestidos caros cravejados de joias preciosas deslizavam pelos tapetes vermelhos. Bilionários e socialites lotavam o salão como se fosse a coroação de um rei — e, de certa forma... era.
O noivo estava no altar, bonito e imponente, como se fosse feito de mármore e ambição; seu smoking preto estava impecável até o menor fio, e sua expressão permanecia presa à mesma indiferença glacial com que havia construído um império.
— Sabe — murmurou Hugo ao lado dele, ajustando os abotoaduras e sorrindo de canto —, para um homem que não liga pra porra nenhuma, você sabe muito bem escolher uma deslumbrante.
Ethan não deu nem o menor sinal facial em resposta ao elogio.
— Isso não tem a ver com aparência — disse ele secamente. — É negócio, e, desde que ela saiba o lugar dela, pode fazer a merda que quiser.
— Encantador — resmungou Hugo baixinho, balançando a cabeça com um sorriso. — Você é um verdadeiro romântico, Sinclair.
A música mudou, e a multidão inteira se virou para a grande escadaria... E então ela apareceu.
Lena.
O mundo prendeu a respiração.
O vestido... Meu Deus, o vestido que ela usava era uma obra-prima, seda e sombra e luz ao mesmo tempo, abraçando suas belas curvas de um jeito que fez até as socialites mais blasées se endireitarem nas cadeiras, e algumas esposas ciumentas lançarem olhares fulminantes aos maridos. Seu cabelo escuro estava moldado em ondas soltas, e sua maquiagem era feroz... lábios vermelhos clássicos e um delineado gatinho afiado o bastante para matar. Ela desceu os degraus devagar, cada movimento lento e confiante, como se estivesse desafiando o salão inteiro a subestimá-la.
As câmeras disparavam flashes. Os repórteres escreviam furiosamente.
Ethan a observava com uma expressão pétrea. Nenhuma emoção. Nenhuma reação. Mas, bem no fundo, algo se retorceu uma vez... uma sensação repentina que ele não ousou acolher e que precisou esmagar imediatamente. Quando Lena finalmente chegou até ele, os olhos dela se ergueram de supetão para encontrar os dele, desafiadores e insolentes. Ele lhe ofereceu o braço, e ela o aceitou, os dedos frios contra seu pulso.
A cerimônia foi um borrão de palavras vazias e obrigação.
— Na alegria e na tristeza...
Nada sobre amor. Nada sobre lealdade.
Apenas um contrato selado com papel e tinta.
— Pode beijar a noiva.
Ethan se inclinou, e sua boca roçou a dela com desinteresse. O beijo mal tocou seus lábios antes que ele se afastasse, oferecendo apenas o que o dever exigia e nada mais.
O salão explodiu em aplausos.
Vieram as fotografias... posadas, artificiais e exaustivas para o casal relutante. O sorriso de Lena era forçado para as câmeras, mantendo a mão leve no braço de Ethan enquanto queimava por dentro. Ele nem sequer tinha olhado para ela direito, nem reconhecido que havia uma mulher ao seu lado, muito menos uma parceira.
“Saia do meu caminho.” Foi isso que o distanciamento frio dele disse claramente a ela. Não que ela realmente se importasse com isso, mas, ainda assim, era o casamento dela, fosse falso ou não. Depois de uma hora exaustiva de conversa fiada e interações ensaiadas, a festa realmente começou. Ethan conversava com um senador, enquanto Lena encantava um artista famoso e Hugo fazia piadas com metade do salão.
Foi durante uma dessas conversas dispersas que Lena a viu. A mulher se movia como o perigo encarnado, com um vestido vermelho sexy, cabelos escuros e brilhantes e um sorriso perverso que prometia ruína e destruição. As cabeças se viravam quando ela passava. Homens e mulheres, igualmente, não conseguiam evitar encará-la.
Quando ela se aproximou de Ethan, Lena enrijeceu por instinto.
O cumprimento foi breve, mas deixava claro que definitivamente havia história entre os dois.
“Vivienne”, disse Ethan, num cumprimento frio e sem emoção.
O sorriso de Vivienne permaneceu intacto enquanto dedos perfeitamente manicures tocavam de leve o pulso dele... o gesto parecia um velho hábito, casual e familiar... e ela soltou uma risada baixa no fundo da garganta.
Lena viu tudo, mas desviou o olhar, recusando-se a dar a Vivienne essa satisfação... Ela não se importava.
Até Vivienne decidir que ela se importava.
Meia hora depois, enquanto Ethan estava preso numa conversa com dois ministros estrangeiros, Lena foi até uma parte mais silenciosa do salão, precisando de um momento para respirar longe das câmeras intermináveis e do escrutínio dos convidados, que provavelmente ainda estavam se perguntando como Ethan tinha acabado se casando com alguém tão distante do círculo social dele. Ela girava o champanhe na taça quando sentiu uma presença ao seu lado.
“Cerimônia linda”, disse Vivienne docemente.
Lena se virou, arqueando uma sobrancelha devagar. “Não foi mesmo?”
O sorriso de Vivienne era puro veneno coberto de doçura e charme.
“Você deve estar exausta, entrando num casamento tão às pressas... é muita coisa para absorver, não é?”
Lena deu de ombros. “Algumas coisas realmente valem a pressa.”
Vivienne inclinou a cabeça, fingindo considerar o comentário.
“E algumas coisas valem a briga”, disse ela com leveza, passando um dedo pela borda da taça de martíni. “Veja bem, eu conheço Ethan... intimamente, mais do que você jamais poderia esperar conhecer.”
O pulso de Lena nem sequer acelerou. Ela se apoiou com indolência na coluna de mármore, lançando a Vivienne um olhar lento e desdenhoso de cima a baixo.
“Você e metade da cidade conhecem ele muito bem, se os tabloides estiverem certos.”
Pela primeira vez, a fachada de Vivienne mostrou sinais de fraqueza, e seu sorriso falso vacilou.
“Você é ousada”, disse ela. “Vai ser interessante assistir enquanto você desmorona e se queima.”
Os lábios de Lena se curvaram num sorriso tão frio quanto o de Ethan.
“Você vai assistir da lateral, querida. Tente não engasgar com o próprio ciúme.”
Vivienne deu um passo à frente, tão perto que os perfumes das duas colidiram... uma guerra doce e perfumada.
Então, numa voz que soava como uma adaga linda, Vivienne sussurrou... “Você só está mantendo meu lugar aquecido. Não fique confortável.”
