Capítulo 2 O desafio
Raven chegou ao auditório e, ao abrir a porta, entrou. O lugar já estava lotado. Ela se surpreendeu ao ver que quase a faculdade inteira estava ali para passar pela entrevista. Encontrou um assento vazio e se sentou, observando alguns homens de aparência distinta interagirem com o chefe do setor de recrutamento e estágios da faculdade. Todos pareciam profissionais, com seus trajes formais!
— Vamos realizar agora uma prova escrita surpresa. Por favor, preencham seus dados com atenção no formulário que vamos distribuir. Também será entregue a vocês uma folha de questões com cinco situações da vida real, e vocês precisam explicar como lidariam com cada uma delas. Vocês têm 30 minutos para responder e, por favor, respeitem o limite de palavras especificado. Selecionaremos apenas 10 de vocês para a entrevista. Quem ainda estiver interessado pode permanecer sentado, e os demais podem sair agora, antes que a porta se feche — anunciou um voluntário.
Raven viu que quase metade dos alunos correu para sair, assustada ao ouvir a palavra “prova”. Depois, os alunos que ficaram receberam o formulário e a folha de questões.
— O tempo de vocês começa agora — disse o homem.
Os professores circulavam pelo auditório, fiscalizando a prova. Em seguida, cada aluno teve de entregar suas coisas e sair do local.
— Voltem para a sala de aula. Se forem selecionados, nós chamaremos vocês.
Raven entregou a sua e voltou para a sala. Estava atrasada e teria de dar muitas explicações.
As aulas seguiram normalmente. Cinco minutos depois de a aula dela terminar, um funcionário entrou para chamá-la, junto com outro rapaz, Tom Harvey, ao auditório.
— Você fez a prova? — perguntou Tom.
— Fiz — respondeu Raven.
Eles caminharam em direção ao setor de recrutamento, onde as entrevistas seriam realizadas. Esperaram na recepção, onde outros oito alunos já estavam reunidos, todos no limite. Aquilo era pior do que as provas finais do semestre!
Depois de dez minutos, as entrevistas começaram e, um por um, os alunos entravam e saíam com o rosto pálido. Raven descobriu que escolheriam apenas três estagiários entre os dez. Por fim, todos os candidatos já tinham saído depois da entrevista, e ainda assim o nome dela não tinha sido chamado. Raven mordeu o lábio. Será que tinham se esquecido dela? Sentou-se, nervosa, quando finalmente anunciaram seu nome e ela se levantou para encarar aquilo. Batendo na porta, esperou a permissão para entrar.
— Entre — disse uma voz masculina retumbante, fazendo os pelos de seus braços se arrepiarem.
Ela abriu a porta e entrou, vendo dois homens sentados, vestindo ternos caros.
Ternos? Os olhos de Raven se arregalaram, e ela fixou o olhar no homem de aparência familiar sentado à sua frente. Imediatamente, paralisou de pavor quando seus olhos encontraram os verdes, penetrantes, dele. Na mesma hora, soube quem ele era! Era o mesmo homem que ela tinha beijado no café!
Os olhos dela se arregalaram, incrédulos. O que ele estava fazendo ali? A primeira reação foi fugir, mas o outro homem levantou o olhar e reconheceu sua presença.
— Raven Porterfield? — perguntou o outro homem.
— Sim, senhor. Bom dia, senhor — disse ela, concentrando a atenção no outro homem, que assentiu em reconhecimento. Então olhou para o estranho de terno azul, embora suas mãos já estivessem frias e úmidas de nervosismo.
— Bom dia, senhor — gaguejou, nervosa, mas ele apenas a encarou sem reação, sem nem piscar. Raven sentia o olhar furioso dele o tempo todo. Não fazia ideia do que se passava na mente dele e só desejava poder simplesmente desaparecer em algum lugar. Não havia a menor chance de conseguir aquele estágio.
— Sente-se, Srta. Porterfield — disse o outro homem.
— Podemos começar, senhor? — perguntou ele ao estranho de terno azul, e os olhos de Raven se arregalaram de surpresa. O homem de terno azul era o chefe dele? Meu Deus! No que ela tinha se metido? Eles assentiram um para o outro, e Raven se sentou na ponta da cadeira, roendo o lábio inferior, nervosa, olhando para as próprias mãos e depois para o outro homem.
— Eu sou Anthony Baker, gerente de Produção da JC Group Inc., filial de Londres, e este é Ralph Van Halen, chefe de Produção mundial, sócio e fundador da JC Group Inc. — apresentou o Sr. Baker.
Raven assentiu, tensa, sem ter coragem de encarar o grande chefe. A realização a atingiu em cheio! Então ele era o único e inconfundível Ralph Van Halen! Ela já tinha visto o nome dele em revistas de moda, mas nunca soube como ele era pessoalmente. Estranhamente, ele não tinha dito uma palavra até então; apenas a observava em silêncio, fitando-a. Aquilo a deixava muito nervosa. Por que ele tinha de conduzir a entrevista? Será que não tinha nenhum outro trabalho importante?
“Srta. Porterfield, suas respostas são excepcionalmente boas. Tem certeza de que não são teóricas demais?”, perguntou o Sr. Baker.
“Obrigada, senhor. No papel, elas podem parecer teóricas demais, mas, na vida real, todos nós adotamos essas teorias de acordo com as circunstâncias e então agimos. Quanto mais enfrentamos situações variadas assim, mais eficientes nos tornamos em lidar com elas. Tenho certeza de que eu também ficarei, se me derem a oportunidade”, disse ela, com convicção e confiança.
“Como você conciliaria um trabalho exigente com os estudos?”, perguntou o Sr. Baker.
“Vou optar por aulas aos fins de semana e online, senhor”, respondeu ela, olhando para ele com confiança.
“É bom ouvir isso. Você está disposta a viajar? Temos operações no mundo todo. Se o seu trabalho exigir viagens, você conseguiria viajar, Srta. Porterfield?”, perguntou o Sr. Baker.
“Sim, senhor, eu consigo viajar”, respondeu ela.
“Estamos procurando jovens estagiários empreendedores para serem efetivados na empresa após um ano de treinamento. Portanto, você não poderá deixar o emprego pelos próximos cinco anos. Está disposta a assinar um contrato de cinco anos conosco?”, perguntou o Sr. Baker.
“Sim, senhor”, disse Raven. Ela ganharia experiência e especialização com isso, então por que não?
“Muito bem, então. Agora é com o senhor”, disse o Sr. Baker. Os olhos de Raven se arregalaram ao perceber que agora teria de encará-lo.
“Obrigado, Anthony”, disse Ralph Van Halen em sua voz grave e rica, que fez os pelos da nuca dela se arrepiarem. Ele então fixou nela os olhos verdes, observando-a minuciosamente. Ela se sentiu como uma mosca sob um microscópio. Para seu horror, Anthony Baker se retirou e saiu da sala, deixando-a sozinha com a pessoa que ela mais temia enfrentar.
“Então, Srta. Porterfield, quão importante é este emprego para você?”, perguntou ele, observando as reações dela, as bochechas vermelhas, o rosto corado e a boca quente. Ele não conseguia acreditar que realmente a tinha beijado, uma desconhecida, com tanta paixão. Seus lábios ainda formigavam por causa daquele beijo. Ele ainda conseguia sentir o gosto dela nele.
Raven corou ainda mais ao perceber onde o olhar dele estava fixo: em seus lábios. “Eu preciso dele para pagar meus estudos, senhor”, disse nervosamente. Ela só queria desaparecer da sala, mas isso era impossível.
“Em quanto tempo você pode começar conosco?”, perguntou ele, para sua surpresa.
“Quando o senhor quiser, senhor”, informou ela, tentando olhá-lo discretamente, mas, para seu desespero, ele ainda a encarava.
“Agora?”, perguntou Ralph Van Halen.
Raven ficou olhando para ele, com o queixo caído. “A-agora?”, gaguejou. Ela tinha aulas agora.
“Eu quero você agora”, afirmou ele, ainda observando-a. Raven corou ainda mais, sem saber ao certo o que ele queria dizer com aquilo.
“Dê-me um tempinho para me dispensar do restante das minhas aulas e remarcá-las para o fim de semana, senhor”, disse ela com coragem, sem querer se deixar intimidar por ele.
“Quanto tempo isso vai levar?”, perguntou ele, levantando-se da cadeira. Dentro dos limites fechados da sala, ele parecia mais alto e mais musculoso, preenchendo o ambiente inteiro. Raven também se levantou, com uma expressão confusa no rosto. Ele estava mesmo pensando em fazê-la entrar para a empresa dele agora? Qual era a urgência? Todos os outros estagiários também começariam agora?
“Srta. Porterfield, eu lhe fiz uma pergunta”, disparou ele, enquanto contornava a mesa. Raven voltou a se concentrar nele, saindo do transe.
“Sim, senhor, dê-me dez minutos, por favor. Vou apenas falar com o chefe do meu departamento”, informou ela, erguendo os olhos e vendo que ele ainda a estudava.
“Claro. Anthony a levará até o escritório. Vejo você em uma hora”, disse Ralph Van Halen. Ele estava indo embora? Raven se sentiu um pouco melhor com esse pensamento. Ela levantou os olhos, apenas para vê-lo encarando seus lábios de novo.
Raven corou ainda mais. “Sim, senhor”, murmurou incoerentemente, já atordoada por tudo o que tinha acontecido tão de repente. Ele assentiu para ela e saiu da sala em passos largos. Raven soltou o ar que estava prendendo, recompôs-se e foi ver o chefe do seu departamento. Depois, caminhou até o Departamento de Colocação Profissional e encontrou Anthony Baker esperando por ela.
“Vamos?”, perguntou Anthony, parecendo mais relaxado do que durante a entrevista.
“Sim, senhor”, respondeu ela. Anthony sorriu e a conduziu até seu carro, e logo estavam a caminho do escritório dele.
“Senhor, eu vou ter de começar a trabalhar agora mesmo?”, perguntou ela, hesitante.
“É o que parece”, disse Anthony Baker, com um pequeno sorriso torto.
“E os outros estagiários, senhor?”
“Você foi a única que o senhor selecionou”, informou ele, e o queixo dela foi parar no banco do carro.
