Capítulo 2
Ponto de vista de Thomas
Estou sentado no carro do lado de fora do salão de baile, bem no centro da Alcateia Moonshadow. Dá para perceber que o Alfa Aiden não economizou em nada quando se tratou desta festa de acasalamento em particular para a filha do meio. Pelo que eu entendo, ela é bem rebelde e não é exatamente material para Luna.
Se eu for honesto comigo mesmo, este é o último lugar em que eu quero estar. Se não fosse pelo conselho de anciãos no meu pé, pressionando para que eu produzisse um herdeiro, eu nem teria me dado ao trabalho de aparecer. Mas esses velhos têm sido implacáveis desde que eu voltei da Alcateia Paxton sem uma companheira no braço.
Meu Beta, Dylan, sai do salão e bate no meu vidro com um sorrisinho no rosto. Ainda me recusando a sair do carro, eu abaixo a janela só o suficiente para ele falar comigo.
— Cara — Dylan ri de mim. — Você tem que sair do carro. Os anciãos estão lá dentro esperando você aparecer, como prometeu.
— Você conseguiu dar uma olhada nela? — pergunto a Dylan.
— Consegui — Dylan diz, mas não dá mais detalhes.
— E?! — eu grito para ele.
— Ela é jovem — Dylan responde.
— Você não ajuda em nada — resmungo, subindo a janela e, por fim, saindo do carro.
Jogo o paletó do terno por cima enquanto caminho em direção ao salão de baile. Já é quase meia-noite; a festa devia estar chegando ao fim. Talvez eu consiga entrar e sair rápido sem ser notado.
Assim que entro no prédio, o Ancião West me encurrala.
— Fico feliz em ver que você finalmente decidiu entrar — diz o Ancião West, com uma expressão rabugenta no rosto.
— Eu tinha escolha? — resmungo, em voz alta.
— Acho que não — diz o Ancião West com um sorriso de canto. — Você precisa de um herdeiro, e Mia Turner é a escolha perfeita. Ela ainda é jovem. A idade perfeita para procriar.
— Ela é uma pessoa, não gado de reprodução — retruco, ríspido, para o Ancião West.
O Ancião West ignora meu rompante e olha por cima do ombro.
— Você devia ir lá — diz ele, virando-se de volta para mim. — O Alfa Richard está cravando as garras na garota neste exato momento.
Solto um bufar alto.
— Alfa Richard, da Alcateia Night Moon? Ele não tem, tipo, sessenta anos?
— A idade dele não importa. A senhorita Mia parece estar bem interessada nele — diz o Ancião West, dando um tapinha no meu ombro.
Eu acho que ele vai se afastar, mas, em vez disso, me empurra para dentro do salão. Um silêncio abafado cai sobre o salão de baile assim que eu entro. Todos os olhares se viram para mim, e não consigo evitar me sentir absurdamente constrangido. Parado na entrada do salão, deixo meus olhos correrem pelo ambiente.
Estou prestes a ir até o Alfa Aiden e sua companheira, Madison, quando meu olhar cai sobre uma jovem linda usando um vestido amarelo horrível. O cabelo dourado desce em ondas suaves pelas costas. Os olhos verdes dela brilham de interesse quando encontram os meus.
As sobrancelhas dela se franzem e é quase como se ela estivesse me implorando para eu ir resgatá-la do Alfa Richard, que tagarela alto no salão de baile silencioso. Há algo no olhar dela, e eu sei que não consigo recusá-la, então caminho até onde ela e o Alfa Richard estão.
— Alfa Thomas, estou surpreso em ver você aqui depois da humilhação que sofreu na Matilha Paxton. — A voz do Alfa Richard ferve de raiva pelo fato de eu ter interrompido a conversa dele com a jovem no vestido amarelo.
É preciso cada grama da minha energia para não revirar os olhos para esse elefante de homem parado à frente dela. Não existe a menor chance de essa jovem estar interessada nele.
— Esta é Mia Turner. Pretendo fazê-la minha segunda companheira destinada. — diz o Alfa Richard, com um sorriso cada vez mais presunçoso no rosto.
De repente, Mia se vira para mim e passa o braço por trás do meu pescoço.
— Desculpa — ela murmura baixo, antes de pressionar os lábios nos meus.
Eu fico ali, em choque, enquanto Mia mantém os lábios colados aos meus. Quando fica claro que ela não vai me soltar tão cedo, decido dar um espetáculo ao velho Alfa Richard. Entreabro os lábios e passo a língua pelo lábio inferior dela. Espero que ela abra a boca para eu aprofundar o beijo, mas ela não abre. Em vez disso, ela se afasta e volta a atenção para o Alfa Richard.
— Desculpe. Mas receio que o Alfa Thomas seja o melhor pretendente aqui para mim. — diz Mia, com um sorriso de canto.
— Sua mãe vai ficar sabendo disso. — O Alfa Richard bufou, antes de sair pisando duro.
Mia se vira para mim, com as bochechas corando.
— Desculpa por aquilo — ela me diz. — Mas não existe a menor chance de eu ser a segunda companheira destinada dele.
Mia enfia os dedos na garganta e finge ter ânsia. Apesar desse vestido de cor horrível que ela está usando, ela é gracinha.
— Com licença — diz ela, virando-se para ir embora. — Preciso apagar esse incêndio com a minha madrasta.
Eu seguro a mão dela e a puxo de volta para perto de mim.
— Acho que isso pode esperar — digo a ela. — Vamos dançar.
O rosto de Mia fica vermelho em vários tons.
— Acho que não, Alfa Thomas. Acho que minha noite chegou ao fim.
Eu me recuso a soltar a mão dela e começo a andar em direção à porta do salão de baile. Dylan está me esperando do lado de fora. Mia começa a tremer de forma incontrolável, e eu sei que ela está com medo.
— Dylan — digo, seco. — Leve a senhorita Mia até o meu carro. Quero ter uma conversa particular com ela.
