Capítulo 3

Ponto de vista de Kayden:

— Ah, sim... Por favor, Alfa, por favor... — geme a loba sob meu corpo enquanto eu meto nela sem parar.

A voz dela está começando a me irritar. Sempre odiei quando as lobas exageram nos gemidos durante o sexo. Acaba com o clima. Mas, por mais que eu já tenha dito isso, ela nunca escuta.

Saio de dentro dela e a viro de barriga para baixo. Seguro-a pela cintura e levanto o quadril, deixando a bunda empinada. Penetro de uma só vez , abafando seu grito ao empurrar o rosto dela contra os travesseiros.

Os gritos, misturados aos resmungos do meu lobo, estão acabando com a minha concentração. E a última coisa de que preciso é perder a ereção. O que diriam se descobrissem que fiquei de pau mole no meio do sexo?

Que humilhação.

Acelero em busca do orgasmo, concentrado na bunda farta e suculenta à minha frente. Dou algumas palmadas fortes e admiro as marcas da minha mão na pele branca da loba enquanto observo meu pau entrar e sair da boceta dela.

Já estou de saco cheio. Só quero que ela vá embora.

Pouco depois, gozo dentro da camisinha e saio de dentro dela. Levanto da cama, visto o short de basquete e passo a mão pelo cabelo para ajeitá-lo.

— Kayden, isso foi incrível — ronrona ela atrás de mim, ainda na cama.

Nunca fui o tipo de cara que fica dando atenção a uma garota depois que tudo termina, e ela sabe muito bem disso. Christiane sabe que não me envolvo em relacionamentos. Se fosse preciso me definir, eu diria que sou do tipo que fica só uma noite. Ainda assim, sempre me limitei a uma única loba: a mesma que agora me devora com os olhos.

Apenas assinto e entro no closet para pegar uma camisa. Espero que ela entenda o recado e dê o fora.

Mas, quando volto, Chrissy ou Christiane — seja lá qual for o nome dela — continua ali. Completamente nua, encarando meu abdômen com desejo enquanto visto a camisa.

Não é a primeira vez dela aqui. Transamos há algum tempo, e ela sabe que não gosto que fique depois. Ultimamente, porém, está cada vez mais grudenta. Provavelmente vou precisar me livrar dela em breve.

— Alfa...

Eu a interrompo antes que consiga terminar:

— Chrissy, cai fora. Você sabe como funciona. E nem se dê ao trabalho de voltar se não parar com essa atitude grudenta.

— É Christiane — sussurra ela.

Bem, pelo menos eu sabia que era um dos dois.

Ao olhar em sua direção, vejo lágrimas se acumulando nos olhos dela. Christiane se abaixa e veste o moletom enorme que arranquei de seu corpo antes.

Deusa, por favor.

Não preciso de drama agora. Já estou estressado com a coroação de amanhã e não tenho disposição nenhuma para aguentar o chilique de uma loba.

— Por que você faz isso, Kayden? Nós nos conhecemos desde o ensino médio e fazemos amor há cinco anos. Você não dorme com ninguém além de mim. Você me conhece. Não acha que deveríamos dar um passo adiante no nosso relacionamento? Juro pela Deusa que posso fazer você feliz. Vou ser uma ótima namorada e, no futuro, uma Luna...

Antes que ela continue, solto um rosnado baixo de advertência.

— Em primeiro lugar, Christiane, nós nunca fizemos amor. Nós transamos. E foi só isso. Luxúria e sexo bruto. Nunca foi amor e nunca será. Desde a primeira vez que levei você para a minha cama, deixei claro que jamais seríamos mais do que parceiros de cama, e você concordou. Só nunca dormi com outra pessoa porque não quero que toda a população de lobos pense que saio me prostituindo por cada boceta do reino. Então sugiro que vá embora agora, antes que eu perca a cabeça e faça algo de que possa me arrepender.

Minha aura de Alfa se espalha em ondas. Christiane solta um guincho e baixa os olhos diante de seu príncipe, em sinal de submissão.

Percebendo a tensão da situação, ela não diz mais nada. Expõe o pescoço, levanta-se, faz uma pequena reverência e praticamente corre até a porta.

Antes que consiga abri-la, eu me viro.

— E não se esqueça de uma coisa: nem você nem qualquer outra loba será a Luna minha e de Jayden. Esse título pertence à nossa companheira predestinada, e isso nunca vai mudar. Se não a encontrarmos, reinaremos sozinhos.

Minha voz sai rouca quando meu lobo vem à superfície, deixando sua presença evidente.

Christiane assente, tremendo. O medo emana dela em ondas. Ela abre a porta e sai correndo do quarto.

Pelo elo mental, peço ao nosso Beta, Tim, que mande um Ômega trocar as fronhas e os lençóis da cama. Depois entro no banheiro. Preciso me acalmar. Aquela loba exaustiva quase me fez perder a cabeça, e um banho frio é exatamente o que preciso.

Tiro a roupa, ajusto a temperatura e entro debaixo do chuveiro. Molho o cabelo, apoio as duas mãos na parede e abaixo a cabeça.

Já faz quase onze anos desde que meu irmão, Jayden, e eu completamos dezoito. E ainda não encontramos nossa companheira e Luna.

Isso não é incomum, já que os lobos foram agraciados com a vida eterna. Paramos de envelhecer aos vinte e um anos. Embora a maioria encontre seu companheiro entre os dezoito e os vinte e um, existem casos de lobos que só encontram o seu no fim dos trinta ou até dos quarenta.

Mesmo assim, onze anos já se passaram.

E nada da nossa companheira.

Jayden e eu nos mantivemos castos por ela. Prometemos que guardaríamos nossa primeira vez para ela. Com o passar do tempo, porém, nós dois ficamos frustrados.

Ainda assim, a frustração não foi a gota d'água.

Na noite do nosso vigésimo quarto aniversário, saímos com alguns amigos para uma boate e bebemos demais. Uma coisa levou à outra. Quinze garrafas de vodca de lobisomem depois, veio o golpe definitivo: fui encontrado na cama com Christiane, enquanto Jayden estava com a irmã dela, Chrissy. Se é que esse é mesmo o nome dela.

No dia seguinte, Jayden e eu ficamos pasmos. Em geral, é difícil um lobo ficar bêbado. Além disso, éramos os futuros reis. Nossa tolerância deveria ser absurda.

Mesmo assim, ficamos bêbados.

Não importa quantas vezes eu me lembre daquela noite, a dor continua a mesma. Eu queria que ela fosse minha companheira. Nossa companheira.

Mas ela não era.

E nunca será, se não encontrarmos aquela que nos foi destinada.

Apesar da culpa que sentimos por nossas ações, acabamos nos tornando hipócritas. Depois daquela noite, passamos a convidar as duas garotas para nossas camas de vez em quando.

Não por amor.

Quando a frustração chegava ao limite, precisávamos extravasar. Era melhor do que sair quebrando tudo pelo palácio. Reis ou não, nossa mãe acabaria com a gente.

Lavo rapidamente o cabelo com xampu e tiro do corpo o cheiro daquela loba. Quando termino, amarro um roupão na cintura e volto para o quarto.

— Ei, irmão. Vi Christiane chorando. O que você fez desta vez? — pergunta Jayden assim que me vê sair.

Um sorriso debochado curva os lábios dele. Aquele desgraçado provavelmente sabe muito bem por que estou irritado com ela. Só quer me provocar.

— Irmãozinho, sugiro que feche a boca. Não estou no meu melhor humor agora — aviso, seguindo para o closet.

— Que bicho te mordeu? Enfim, papai quer a gente na sala do trono em dez minutos. Ele quer revisar conosco o juramento de amanhã.

Enquanto ele fala, visto um short de basquete e uma camiseta branca.

Ah, claro. O juramento.

Nosso pai, o Rei Alfa Rowco, deixará o trono amanhã, e Jayden e eu assumiremos seu lugar. Por mais assustador que isso devesse parecer, não sinto medo. Fomos preparados a vida inteira para esse momento.

Mesmo assim, parece que falta alguma coisa.

Papai encontrou mamãe antes de assumir o trono. Por isso, tinha sua Rainha Luna ao lado dele.

Jayden e eu não temos ninguém.

Sei que ele sente o mesmo. É coisa de gêmeos. Sempre sabemos o que o outro está pensando. Somos idênticos. Um Alfa em dois corpos. Por isso sabemos que teremos a mesma Luna.

— Sim. Deixe só eu pegar meu celular e podemos ir agora.

Pego o aparelho na mesinha de cabeceira e saímos juntos. Caminhamos lado a lado pelo corredor, ambos em silêncio, perdidos em nossos pensamentos.

— Nós vamos encontrá-la, irmão. Eu sei que vamos — diz Jayden.

Espero que sim, irmão.

Espero mesmo.

Amanhã, podemos nos tornar Reis Alfa e ter tudo. Mas, sem ela, ainda vai faltar o essencial.

Nossa companheira.

Nossa Rainha Luna.

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