Capítulo 7

Kiara, aos nove anos

Ponto de vista de Jayden:

— Ah, porra! Mais forte, Jayden, por favor. Me fode mais forte! — implorou Chrissy debaixo de mim enquanto eu metia nela com brutalidade.

A voz dela já estava começando a me irritar. Com a coroação marcada para o dia seguinte, eu só precisava de uma foda intensa para aliviar a tensão, não de aturar os gemidos insuportáveis daquela loba.

Quando não aguentei mais ouvi-la, saí de dentro dela, enfiei a calcinha vermelha de renda já rasgada na boca dela para amordaçá-la e a virei de lado. Ergui os quadris de Chrissy sem qualquer delicadeza, deixando-a de quatro, e dei um tapa forte o bastante para deixar a marca da minha mão na sua pele.

Enterrei o pau na buceta encharcada dela e passei a meter com ainda mais força, determinado a gozar. Mesmo amordaçada, Chrissy continuava soltando sons abafados.

Ao mesmo tempo, eu sentia Kayden forçando a barreira que tinha erguido no nosso elo mental. Precisava acabar logo com aquilo. Segurei Chrissy pelos quadris com as duas mãos e nos virei, colocando-a por cima de mim. Fiz o corpo dela subir e descer pelo meu pau num ritmo alucinante enquanto a penetrava por baixo. Ela agarrou os próprios seios, apertando-os e beliscando os mamilos.

— PORRA! — rosnei.

Depois de mais algumas estocadas, gozei dentro da camisinha. Chrissy tinha chegado ao orgasmo muito antes de mim e parecia completamente esgotada. Quando saiu de cima do meu pau, desabou na cama ao meu lado. Eu me levantei de imediato.

— Você sabe como funciona, Chrissy.

Ao contrário de Kayden, que só dormia com a irmã de Chrissy, Christiane, eu transava com várias lobas. Todas sabiam que eu não fazia carinho depois do sexo. Nenhuma delas era minha companheira, portanto não receberia esse tipo de afeto de mim.

Ainda assim, aquelas putas insistiam em tentar a sorte. Chrissy era a pior de todas. Aquilo me irritava pra caralho, porque ela sabia muito bem. Assim como todas as outras garotas que eu já tinha fodido. Eram teimosas demais para entender algo tão simples.

— Você conhece o procedimento, Chrissy. Preciso sair para receber os Alfas visitantes. Enquanto isso, trate de ir embora.

Falei sem me virar, sem sequer olhar para ela, e entrei no banheiro. Assim que fechei a porta, ouvi um ruído de tecido sendo arrastado do outro lado, seguido pela porta do quarto abrindo e fechando.

Ela tinha ido embora, graças à Deusa. Eu não estava com paciência para escândalos naquele dia. Já me sentia tenso o bastante por causa do que aconteceria no dia seguinte.

Outra onda de pressão bateu contra minha barreira mental. Dessa vez, eu a abaixei, permitindo que a voz de Kayden entrasse na minha cabeça através do elo.

"Que porra é essa, Jay? Estou tentando falar com você há uma eternidade", rosnou Kayden.

Eu ri.

"Estava ocupado, irmão. O que foi?"

Fui em direção ao chuveiro. O cheiro de Chrissy impregnava meu corpo, e eu queria me livrar dele.

"Quer correr um pouco antes de sairmos para encontrar os Alfas que estão chegando?"

Uma corrida parecia uma ótima ideia. Meu lobo já estava enlouquecendo para sair. Nem mesmo foder Chrissy tinha aliviado a tensão. Correr certamente ajudaria.

"Claro. Me encontra nos fundos em dez minutos."

Fechei o elo mental e entrei no chuveiro. Esfreguei a pele até eliminar qualquer vestígio do cheiro dela. Depois, me sequei, vesti um short de basquete e saí à procura de Kayden. Os Ômegas abaixavam a cabeça sempre que eu passava.

Encontrei meu irmão no quintal, perto da beira da floresta. A melhor parte daquele lugar era que apenas a família real tinha permissão para entrar. O quintal e a floresta eram nossos pequenos refúgios quando queríamos fugir de tudo. Nosso oásis.

Corri até Kayden. Ele também vestia um short de basquete. Ao perceber minha aproximação, virou-se e fez um gesto com a cabeça. Sem hesitar, nós dois assumimos nossas formas lupinas, enormes, de pelagem cinza-escura como a noite.

Tanto o meu lobo quanto o de Kayden eram enormes. Era de se esperar, considerando que seríamos os reis da nossa espécie. Os dois passavam de dois metros de altura, com caninos projetados para fora dos focinhos e olhos dourados que revelavam nossa linhagem real.

Soltamos um uivo e disparamos floresta adentro. Mordiscamos um ao outro, nos derrubamos no chão, saltamos sobre troncos, cortando a floresta como flechas. Aquilo funcionou. Minha inquietação diminuiu bastante e, pelo que percebi, a de Kayden também.

Eu sabia que ele estava tão tenso quanto eu. No dia seguinte, assumiríamos um reino inteiro. Tínhamos treinado a vida toda para aquele momento, mas ainda sentíamos medo.

E se fizéssemos merda?

E se perdêssemos a cabeça a ponto de não conseguirmos controlar nossos lobos?

Sem uma companheira, como deveríamos acalmá-los?

Pior ainda era a culpa por mamãe precisar continuar exercendo as funções de Rainha Luna reinante só porque ainda não tínhamos encontrado a nossa. Isso era o que mais doía. Mamãe e papai tinham dedicado mais de cem anos àquele reino. Já era hora de descansarem, mas nem isso conseguíamos proporcionar a eles.

Sempre que pensava nos nossos pais, eu me perguntava se Kayden e eu deveríamos escolher uma companheira. Por mais que tentasse considerar essa possibilidade, porém, eu não conseguia aceitá-la. A simples ideia de qualquer pessoa ocupando o trono ao lado do meu irmão e de mim fazia nossos lobos ferverem de raiva. E nós também.

Eu só esperava que nossa rainha aparecesse logo. Precisávamos dela mais do que nunca.

Kayden e eu estávamos sentados perto do lago quando tive a impressão de ouvir um ganido. Minhas orelhas se ergueram no mesmo instante, assim como as dele. Nossos lobos ergueram a cabeça ao mesmo tempo, orelhas em alerta.

"Você ouviu isso?", perguntei pelo elo mental.

O lobo de Kayden assentiu, levantou-se e correu na direção do som. Fui logo atrás.

Sem dúvida, o ganido vinha de uma loba. Mas quem seria? Ninguém além da família real tinha permissão para entrar naquela floresta.

À medida que nos aproximávamos, os ganidos ficavam mais altos e faziam meu peito se apertar. Uma sensação estranha tomou conta de mim. Cada um daqueles sons atravessava meu coração como uma punhalada. Tudo o que eu queria era envolver nos braços quem quer que estivesse soltando aqueles ganidos aflitos e consolá-la.

Kayden irradiava o mesmo desejo.

Que porra estava acontecendo?

Assim que atravessamos a clareira, vimos uma filhote de costas para nós. Ela não devia ter mais de nove anos e tinha cabelos loiros na altura dos ombros. Nunca tinha visto uma filhote tão adorável.

Mas de onde vinha aquela estranha sensação de formigamento?

Ao perceber alguém atrás dela, a menina se virou de repente e prendeu a respiração quando viu nossos lobos. Nós nos encaramos. Os olhos dela eram de um azul-turquesa intenso.

Ela era a filhote mais fofa que eu já tinha visto. Ainda assim, eu não entendia aquele formigamento.

Então, o cheiro mais inebriante que Kayden e eu já tínhamos sentido nos atingiu.

Rosas e mel.

Nossos lobos pronunciaram a única palavra que nós dois esperávamos havia tanto tempo:

"COMPANHEIRA."

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