Capítulo 3 O colapso de um casamento
POV da Leila
Um mês depois de Theron ter ido para a Europa, eu me vi no nosso quarto de casal, com a luz baixa. Já passava da meia-noite quando ele finalmente voltou; a presença dele encheu o ambiente com aquela tensão familiar. Ele mal tinha tirado o paletó dos ombros e já estava em cima de mim, ansioso e exigente, com o cheiro do perfume caro se misturando ao ar frio do inverno que ainda grudava na roupa dele.
Meus dedos foram trabalhando nos botões da camisa social enquanto eu olhava para cima. “Sentiu minha falta?”, provoquei, curtindo a intensidade nos olhos azul-acinzentados dele.
“Cala a boca”, ele rosnou, tomando meus lábios num beijo faminto. As mãos dele escorregaram por baixo da barra da minha camisola de seda, fazendo um arrepio correr pela minha pele.
Ele rasgou minha roupa delicada, a voz rouca de desejo. “Não testa meu autocontrole.”
Logo nossas roupas estavam espalhadas pelo chão ao redor da cama. Os beijos dele desceram pelo meu corpo, e eu não consegui conter o suspiro satisfeito que me escapou.
“É só isso?”, provoquei, enfiando os dedos no cabelo dele. “Nenhuma mulher se jogando em você na Europa?”
Theron ergueu a cabeça, e os olhos dele escureceram de um jeito perigoso. “Você está tentando me provocar?” Sem esperar resposta, ele tomou minha boca com ainda mais força.
Nossos corpos se moveram juntos, num ritmo perfeito. Eu me arqueei sob ele, gemendo: “Meu Deus… Theron…”
“Olha pra mim”, ele ordenou, a mão apertando minha cintura de forma possessiva. “Diz de quem você é.”
Sem fôlego, eu respondi: “Sua… só sua…”
Nossos movimentos ficaram mais urgentes, os lençóis se enrolando em nós enquanto a paixão aumentava.
“Não para…” Minhas unhas cravaram nas costas dele, minha voz implorando. “Assim… desse jeito…”
“Eu faço as regras”, ele afirmou, ajustando o ritmo para me enlouquecer.
Quando a onda de prazer finalmente me atingiu, eu quase gritei. Theron capturou o som com os lábios, engolindo meus gemidos enquanto chegávamos ao ápice juntos.
Depois, eu fiquei largada no colchão, sem forças, tentando recuperar o ar. “Isso é… seu… presente de boas-vindas?”
Ele virou para me encarar, o suor brilhando nos traços perfeitos. “Você acha que isso basta?”
“Mais uma vez”, desafiei, erguendo uma sobrancelha, minha mão já deslizando pelo abdômen dele.
Theron soltou uma risada baixa e cobriu meu corpo com o dele de novo. “Como quiser, Sra. Sterling.”
Às quatro da tarde, a luz do sol atravessava as janelas do nosso quarto. Theron, depois de ter provado sua dominância de forma exaustiva, agora estava vestido com calça de alfaiataria e uma camisa recém-abotoada, se preparando para sair.
Eu o observei da cama, admirando como ele parecia alto e imponente, ajustando as abotoaduras com movimentos precisos. Cada gesto exalava a confiança de um homem nascido para o poder e o privilégio.
De repente, o celular particular dele tocou. Eu notei a mudança sutil na expressão quando ele atendeu — um leve aperto ao redor dos olhos, a mandíbula ficando dura. Quando ele virou para olhar para mim, o olhar dele se transformou em algo frio e analítico.
Eu me sentei, puxando o robe de seda para mais perto do corpo. “O que foi?”, perguntei, já sentindo um nó de pavor se formar no estômago.
A voz de Theron continuou controlada e gelada. “Era minha mãe. Ela acabou de me contar uma novidade interessante: você não é a filha biológica da família Reed, e eles encontraram a filha verdadeira.”
Meu rosto perdeu a cor. Eu tinha planejado explicar tudo assim que ele voltasse, contar meu lado antes que os rumores chegassem até ele. Mas Victoria Brown tinha chegado primeiro.
Eu apoiei a xícara de chá com cuidado. “Sim”, eu disse, me esforçando para manter a voz firme. “O que mais a Victoria falou?”
Observei enquanto Theron continuava a dar o nó na gravata com uma precisão elegante, os movimentos sem denunciar emoção alguma. “Ela me lembrou que o casamento Sterling-Reed é, essencialmente, uma aliança de negócios. Agora que os Reed encontraram a verdadeira filha, o nosso casamento já não cumpre sua função.”
Meu coração se apertou, mas eu me obriguei a perguntar, sem rodeios:
— O que você pretende fazer com o nosso casamento?
A resposta dele veio fria e distante, cortando de vez qualquer ilusão que ainda me restava sobre nós.
— Não tenho nenhum pensamento específico. Para mim, casamento é um procedimento, independente de com quem seja. Vou viajar a trabalho de novo hoje à noite. A gente conversa quando eu voltar.
Dito isso, ele pegou a pasta e saiu, os passos firmes e seguros ecoando no mármore da nossa casa.
Fiquei encarando a porta fechada, sussurrando para mim mesma:
— “Independente de com quem seja”... é isso que casamento significa pra você?
A reconciliação apaixonada de poucas horas atrás agora parecia uma piada cruel, escancarando que, mesmo nos momentos mais íntimos, Theron enxergava o que havia entre nós como apenas mais um contrato de negócios — substituível.
Duas horas depois da saída de Theron, Victoria chegou. Ela entrou na sala com aquela confiança autoritária que sempre me intimidou.
Com gesto imperioso, jogou uma pasta sobre a mesa, na minha frente.
— Os papéis do divórcio estão prontos — anunciou, gelada. — Falsa herdeira dos Reed, chegou a hora de você sair da família Sterling.
Mantive a compostura, mesmo sentindo o meu mundo desmoronar.
— Você preparou documentos legais tão rápido? Deve estar esperando por esse dia há muito tempo.
Victoria nem tentou esconder o desprezo.
— Eu nunca gostei de você. Agora a Chloe voltou — uma verdadeira socialite, não uma impostora de origem duvidosa!
— Isso é decisão do Theron ou você está agindo por conta própria? — questionei, direto, ainda me agarrando a um fiapo de esperança.
Victoria abriu um sorriso fino, com um ar vitorioso.
— Não faz diferença. Meu filho precisa de um casamento que fortaleça a posição da família Sterling, não de uma maluca que empurra gente escada abaixo em evento social!
Eu fiquei sem reação.
— Ele nem me deu a chance de explicar.
— Não seja ingênua! — Victoria debochou. — Ele não está nem aí para as suas explicações. No baile beneficente do mês que vem, o Theron vai aparecer com a Chloe e vai anunciar oficialmente o fim do seu casamento.
Abri o acordo e passei os olhos pelas cláusulas duras, que me deixavam sem nada. Três anos da minha vida apagados com uma assinatura.
— Três anos de casamento, e eu não tenho direito nem a uma única ação? — eu ri, amargamente, com a injustiça queimando na garganta.
Victoria me olhou de cima, com desprezo.
— Seja grata por a família Sterling ter deixado você viver no meio da alta sociedade por três anos. Sem o sobrenome Reed, você não é nada.
— Não tente fazer gracinha — ameaçou. — Assine e vá embora, ou eu faço questão de que a imprensa saiba todos os detalhes “acidentais” de como você empurrou a Chloe naquela escada.
Depois de um momento de silêncio, assinei meu nome. A caneta pesava na minha mão; cada traço selava o fim de um capítulo em que eu, tola, acreditei que duraria para sempre.
Victoria ainda acrescentou, cruel:
— E aquelas joias que o Theron te deu… nem pense em levar.
Eu já tinha me levantado e fui direto ao cofre.
— Eu nunca tive intenção de levar nada que pertença à família Sterling.
Abri o cofre, revelando uma coleção impecavelmente organizada de joias caríssimas que um dia eu tinha valorizado. Aquilo nunca foi realmente meu. A minha dignidade não me deixaria levar nem um fio.
Victoria observou, surpresa, quando eu coloquei a chave do cofre em cima da mesa.
Peguei apenas uma bolsa pequena, com meus pertences pessoais de antes do casamento.
— Não precisa contar. Eu não vou levar um único item dos Sterling.
