Capítulo 6
A testa de Marianne se franziu levemente enquanto ela alongava as palavras devagar.
— Seth, eu te conheço muito bem. Consigo ver claramente se você gosta de alguém ou não, mas a Layla é uma boa menina. Não decepcione ela.
Sempre que Seth ouvia a mãe ou o falecido avô elogiarem a Layla, ele se sentia profundamente incomodado. Às vezes se perguntava que artimanhas Layla tinha usado com eles para fazer com que gostassem tanto dela.
Por isso, ele descartou o comentário:
— Mãe, eu já passei muito tempo com a Layla. Eu sei exatamente que tipo de pessoa ela é.
— O quê? No seu coração, a Layla na verdade é uma mulher horrível, não é? — Os olhos de Marianne estavam cheios de escrutínio.
Seth permaneceu em silêncio, em sinal de confirmação.
Na sala de estar, Elizabeth estava sentada no sofá, enquanto Layla permanecia de pé à sua frente.
— Eu não te falei que, como esposa do Seth, você tem que prestar atenção à sua aparência sempre que sair de casa? O que você está fazendo agora? Tá achando que minhas palavras entram por um ouvido e saem pelo outro? — A voz de Elizabeth pingava desprezo.
Layla apertou os lábios.
— Vovó, foi uma emergência. Eu não tive tempo.
— Então como é que o Seth conseguiu?
— Porque o Seth tinha acabado de chegar em casa e ainda não tinha se trocado — Layla explicou, incapaz de dizer que eles tinham...
Elizabeth arqueou as sobrancelhas com desdém.
— Agora você tá respondendo pra mim?
Layla se apressou em esclarecer:
— Não, não, vovó. Eu só tô explicando.
Na verdade, um dos motivos de Elizabeth ter mandado chamar Layla era parecido com o pensamento de Seth: ela não queria que Layla se aproximasse demais de Marianne. Afinal, Marianne ainda estava viva e mantinha tanto status quanto influência na família Stanton.
Eles olhavam de cima pra Layla e, naturalmente, não queriam ninguém da família Stanton gostando dela.
Elizabeth ainda pensava que, depois que Marianne morresse, faria de tudo para que Seth e Layla se divorciassem.
— Não volte pro quarto. Deixe o Seth e a Marianne ficarem um tempo a sós. Você ficar rondando por lá pega mal.
Layla assentiu, com o peito tomado por uma dor indescritível.
— Eu vi as notícias recentes e conheci a Jennifer. Ela parece ter algum problema de saúde, embora eu não saiba exatamente qual. O Seth não fala — Elizabeth analisou Layla com um desprezo escancarado. — A Jennifer é inferior a você tanto em corpo quanto em aparência, então por que você não pensa em por que é que você não consegue conquistar o coração do Seth, enquanto a Jennifer consegue?
Essa acusação fez o coração já machucado de Layla se despedaçar ainda mais.
O olhar dela ficou vazio, perdido, e só depois de um longo tempo ela disse:
— Talvez a Jennifer tenha algo que o Seth ame.
— Vou te dizer uma coisa: todo homem é tarado. Não vem com esse papo de sentimento pra cima de mim. Você tem que procurar o motivo em você mesma. Não ache que a culpa é toda dele. Homem gosta de aprontar, mas o importante é se a esposa consegue manter o marido na linha. Isso é que é ter habilidade — Elizabeth tomou um gole de chá, sem fazer o menor gesto de convidar Layla para se sentar e tomar uma xícara também.
Sob a aparência aparentemente calma, o coração de Layla estava sufocado por uma culpa pesada, profunda. Ela chegou a se perguntar: será que a culpa era mesmo dela?
Será que ela é que não conseguia prender a atenção de Seth, e foi por isso que tudo tinha chegado àquele ponto?
— Seth, a Layla é uma boa pessoa. Não machuca ela, ou eu não vou descansar em paz nem depois de morta — Marianne agarrou a mão de Seth, implorando.
Ouvindo as mesmas palavras, Seth ficou extremamente irritado, mas, diante da mãe doente, não podia demonstrar nada.
Então só pôde dizer:
— Eu entendo. Não se preocupa.
— As notícias sobre você e a Jennifer estão em todo lugar. Como é que eu não vou me preocupar? A não ser que você tenha logo um filho com a Layla. Assim, quando eu não estiver mais aqui, não vou ter medo de você usar a minha ausência como oportunidade pra mandar a Layla embora — a boca de Marianne se curvou para baixo, como se tivesse sido puxada pelo peso de suas preocupações.
Quando eles saíram da Mansão Stanton, já eram onze da noite. Marianne tinha insistido para que ficassem, mas Seth recusou.
Layla sabia que ele estava com pressa de ir para North Shore Heights ficar com a amante.
No carro, nenhum dos dois falou. O silêncio dentro do habitáculo era denso e opressor, quebrado apenas pelo som suave do motor.
Seth lançou um olhar de lado para Layla. Mesmo de perfil, ela era linda — contornos suaves, um pescoço elegante, de cisne, tudo realçado pela luz fraca, que a deixava ainda mais delicada.
Embora não amasse Layla, o rosto dela o encantava. Ele já tinha visto muitas mulheres bonitas, mas raramente alguém como Layla — fresca e pura, mas sem deixar de ser sedutora. Apesar de não ser muito alta, seu um metro e sessenta e cinco, combinado com traços perfeitamente proporcionais, a tornavam impecável.
Depois de um tempo em silêncio, Layla falou de repente:
— Você pode me deixar na beira da estrada. Eu pego um táxi pra casa.
Surpreso, Seth virou-se para olhar para ela.
— O quê?
— Você vai pra North Shore Heights, não vai? Ir até o Oceanview Estate não é caminho pra você — o tom de Layla era neutro, sem qualquer emoção.
De algum modo, ao ver Layla daquele jeito, Seth sentiu uma leve pontada de culpa, embora tenha desaparecido quase de imediato.
— Eu não vou pra North Shore Heights hoje. Já está tarde. Vou voltar pro Oceanview Estate.
Na cabeça de Layla, Seth devia estar preocupado em não atrapalhar o descanso da mulher que amava, por isso tinha escolhido voltar com ela.
Que atencioso ele era com Jennifer.
Passados uns quinze segundos, Seth falou de novo:
— Já mandei o Ryan cuidar do Brian Hawkins. Ele levou uma surra e foi avisado. Se ele tentar entrar em contato com você de novo, me avisa na mesma hora.
Se Seth tivesse dito isso alguns dias antes, Layla teria ficado comovida e continuaria naquele amor não correspondido por ele. Mas agora era tarde demais.
Ela não respondeu ao que ele disse, apenas falou:
— Não precisa. Depois do nosso divórcio, eu vou embora de Haven City. Aí nem o Brian nem a minha mãe vão conseguir me achar.
Na mesma hora, o rosto de Seth se fechou, a testa se franzindo de impaciência. Ele tinha encarado a conversa de Layla sobre divórcio como um surto passageiro, que acabaria logo, mas não esperava que ela voltasse a tocar no assunto.
— Layla, a minha paciência tem limite. Se você está infeliz, eu te dou um cartão de crédito sem limite de gastos. Você pode usar como quiser e não vai precisar ficar esperando o Ryan te mandar cheque todo mês.
Layla quase caiu na risada. Estava rindo de si mesma. Aos olhos de Seth, era só isso que ela buscava? O dinheiro dele e o título de esposa?
— Você pode dar o dinheiro que quiser. De bens, eu só quero a nossa casa atual. Você e a Jennifer provavelmente não vão querer morar lá depois que se casarem mesmo. É só isso que eu estou pedindo. Vamos assinar os papéis logo. Não precisa ficar prolongando isso.
