Capítulo 3.

Ponto de vista do Jason

Ver a nossa chefe tão machucada parte meu coração e enche meu corpo de raiva. Eu entendo ela: é a própria família, e a Ro tem um coração enorme; ela nunca consegue desistir da família. Mesmo que tratem ela tão mal.

Depois que nos separamos e os do 11º ano foram pra sala, nós, do 12º, esperamos um pouco no corredor.

— Jason, não dá pra deixar isso continuar por mais tempo. A gente vai perder ela. E aí você também nunca vai conseguir confessar que ama ela — sussurrou Ace, bem baixo.

Não consegui evitar um leve rubor com essa última parte, mas ele tem razão. A gente precisa tomar isso nas próprias mãos.

— Eu sei, mas, se a gente for fazer o que planejou, tem que garantir que ela não vai estar em casa e que a polícia não vai achar que ela tem envolvimento — sussurrei de volta.

— Ela trabalha até as nove hoje. A Cassidy vai ao restaurante e vai jantar lá hoje. Então dá pra fazer enquanto ela estiver no trabalho. E também dá pra fazer o Dawson esbarrar nela “sem querer”; aí ele leva ela pro hospital pra fazer um check-up. Ele sendo um advogado tão famoso, e ela indo pro hospital, dá o álibi perfeito. Ninguém vai pensar que ela tem qualquer coisa a ver com isso — sussurrou minha irmã gêmea, Mia.

— Pra mim, parece o plano perfeito. A gente vai fazer parecer que eles tiveram uma overdose enquanto faziam o jantar. Aí fica com cara de incêndio acidental — sussurrou Kaia, e todos nós assentimos.

— Tá. Eu vou falar com o Julian, avisar que a gente tem que fazer isso hoje. E pedir pra ele deixar o Dawson pronto. A gente vai tirar a Ro daquela casa e se livrar daqueles doentes de uma vez por todas. Ele não vai sair impune por machucar a nossa Rainha todo santo dia. E a Ruth é tão doente quanto por gostar de assistir ele com a própria filha. A Ro nunca mais vai ter que voltar pra lá nem lidar com eles — sussurrei, e o pessoal da minha turma assentiu, determinado.

Fomos pra sala e pedimos desculpas pelo atraso. Como somos todos alunos excelentes — tudo graças à Ro —, o professor pega leve com a gente, porque sabe que não ficamos pra trás.

Durante a aula, mandei mensagem pro Julian, que é o segundo no comando da Ro. Ele também concordou que a gente tem que fazer hoje e que, com a Ro no trabalho, ninguém vai ligar isso a ela. O Julian adorou o plano e disse que vai deixar o pessoal pronto e avisar o Dawson de que ele precisa bater nela com muito cuidado, pra ter uma desculpa pra levar a Ro ao hospital e fazer um check-up.

O dia na escola passou como sempre; todos nós, da gangue da Ro, fingimos que não era nada. No almoço, a gente só conversou e se divertiu como de costume.

Agora a escola acabou, e eu levo a Ro de carro até o restaurante. A gente fica no mesmo esquema de lugares que ficou indo pra escola.

Eu coloco a mão com cuidado no colo dela, acariciando a coxa. Todo mundo do nosso grupo diz que a gente age como se já estivesse namorando. Mas, infelizmente, não está. Eu também sei que o Julian é apaixonado pela Ro, e nós dois já conversamos sobre isso antes. Se a Ro quiser dar uma chance pra gente e namorar nós dois, a gente vai ficar bem com isso.

Eu prefiro namorar o amor da minha vida e tê-la só para mim, é claro. Mas também quero dar à Ro tudo o que ela poderia querer e precisar. E todo mundo vê que ela trata eu e o Julian um pouco diferente de todos os outros caras da gangue.

Todo mundo na gangue da Ro também tem uma tatuagem de rosa violeta e preta em algum lugar do corpo. Esse é o nosso sinal.

A tatuagem da Ro é de três rosas maiores juntas, e fica no pulso, na mão e no braço; também tem muitas rosinha e alguns botões de rosa. Ela ainda tem uma linha de seda preta tatuada ao redor das rosas, então parece um buquê; misturada às flores também está a palavra “Queen”. Além disso, ela tem alguns diamantes violetas nas flores. É uma tatuagem realmente linda.

Eu e o Julian temos uma rosa preta e violeta tatuada no peito, bem em cima do coração. Enquanto o resto tem em algum outro lugar do corpo.

Quando chegamos ao restaurante e a Ro se apronta para entrar, eu a seguro um pouco.

— Princesa, por favor, tenta ir com calma. Eu não quero que você se machuque mais, e você já está tão ferida — eu disse baixo, e ela me olhou com aquele sorriso angelical dela.

Ela se inclina e me puxa para um abraço. — Jason, eu sei que você se importa. E eu vou pegar o mais leve que eu conseguir — ela disse baixinho no meu pescoço.

Deus, ela não faz ideia do quanto eu me importo. Se dependesse de mim, eu simplesmente levaria ela direto para o nosso QG e a manteria lá, para mantê-la segura. Mas eu sei que ela ia ficar ressentida comigo se eu fizesse isso.

Eu beijo a bochecha dela — ou melhor, o canto da boca — antes de ela se afastar e sorrir para nós.

— Vejo vocês amanhã de manhã, no mesmo horário de sempre. E amanhã eu não trabalho, então a gente pode sair depois da escola. E, Cassidy, te vejo um pouco mais tarde quando você passar lá — ela disse, antes de seguir e entrar no restaurante.

Eu me recostei no banco do motorista e só fiquei olhando ela se afastar. — Você vai conseguir a sua garota logo, irmão. Tomara que depois de hoje ela possa se mudar pro QG — disse Mia, e eu assenti, sem tirar os olhos da Ro.

— O que acontece hoje? — Cassidy perguntou, curiosa, então a gente contou o plano pra ela.

— Bom, eu vou fazer a minha parte. Só espero que eles não encontrem nenhuma família pra mandar ela embora — Cassidy disse, também olhando pela janela.

— Mesmo que encontrem, a gente só se muda pro mesmo lugar onde ela for morar. A gente já tem tantas bases pelo país que isso não deve ser um problema — Mia disse, e todos nós assentimos.

Eu comecei a dirigir até o nosso QG, e agora é hora de colocar o plano em ação.

Todo mundo na gangue da Ro é gente que ou tem uma casa complicada e precisa de um lugar que pareça mais uma família, ou são pessoas que já estavam vivendo na rua antes de entrar.

Também temos alguns que são mais velhos, como o famoso advogado Dawson Turner. Ele tem 34 anos e virou parte da gangue depois que a Ro salvou ele.

Ao todo, a nossa gangue tem 268.450 membros. Todos se respeitam. Acima de tudo, respeitam a Ro, apesar da pouca idade.

Chegamos ao QG e vimos que todo mundo já tinha começado a se preparar para a missão de hoje.

Todo mundo na gangue quer tirar a Ro dos pais de merda dela.

Um pouco mais tarde, Cassidy foi pro restaurante, e nós seguimos para a casa da Ro.

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