Capítulo 2 Capítulo 2

Capítulo 2

Laura Strondda

Com facilidade ergui meu vestido branco, coloquei a perna direita à frente e puxei minha menor faca, desse espartilho impecável, que eu mesma fiz à mão. Trouxe a pequena faca que jurei a mim mesma que não precisaria usar, porque confiei no Alex, coloquei apenas por hábito ali… Guardaria assim que estivesse segura, seria apenas uma lembrança. Idiota... fui uma idiota. Lancei com destreza a faca, ao olhar para aqueles olhos traidores que agora desejo fechar.

— PUTTANA DEL DIAVOLO! — Sorri ironicamente ao ouvi-lo gritar ao fugir do meu arremesso perfeito, pelo menos, seria... se ele não fosse bom o suficiente para escapar quando viu o meu brinquedinho voar lindamente. Ele mudou de posição em milésimos de segundos.

— Hoje é seu dia de sorte. Nunca deixo as minhas belezinhas separadas — falei com sarcasmo ao olhar para a faca.

— Maledetta — resmungou.

Eu deveria estar muito irritada, mas o semblante desesperador do Alex ao perceber que não era o dono da festa, me deixou muito animada.

— Gostei... enfim terei um adversário à minha altura — falei com ironia e o distraí com alguns objetos que estavam ao meu alcance, ao jogar um a um sobre ele. Ele não atiraria em mim. Pelo pouco que conheço da Sicília, ele deve lealdade e precisa me manter viva, e seja lá qual sejam os motivos dele, me matar não é o foco... pelo menos, não o dele.

Enquanto ele se esquivava de tudo que eu ia lançando, me adiantei fazendo duas coisas, consegui dar alguns passos e me aproximei enquanto o atacava. Ele não foi atingido em nenhuma das vezes, preciso admitir que é um homem rápido, bem treinado..., mas duvido que seja tão bom quanto eu.

— Vou fazer da sua vida um inferno — falou quando fui audaciosa o suficiente para atacá-lo. O ataquei armado, segurei no seu pulso com força, ficamos frente a frente, e ele se lascou se pensou que eu realmente era fraca, pura e indefesa.

— Eu sou o inferno — fiz a arma dele voar, e vi a fúria surgir em seus olhos. Sou ótima nisso, até ensinei algumas mulheres que conheço a fazer o mesmo, porque acho o máximo.

— MALEDETTA! EU MANDEI TIRAR A ROUPA! — Ele segurou o meu vestido tentando puxar, o empurrei com força, mas ele também era forte e mais alto, ele segurou na borda e rasgou parte da saia, me deixando irritada o suficiente agora.

— Eu não recebo ordens de ninguém, mas adoro ficar sem roupa — desci a mão até o membro dele, e o desestabilizei completamente. Nunca vi um homem tão chocado, apertei por cima da calça e o maledetto estava duro. Sorri ao fazê-lo bater na beira da cama e cair sobre ela. — Vou tirar esse vestido porque me cansou, mas você jamais terá o meu corpo... — comecei a tirar o vestido e os olhos dele estavam fixos sobre mim, me encarando e olhando para o meu corpo que ficou à mostra, com a cinta-liga mais incrível que já vi, os bicos dos seios quase saltando, a cintura bem apertada, e amarras que deixavam o look perfeito. Em seguida arranquei aquele véu. — Vou te fazer olhar pra ele até me cansar, vou esfregar na sua cara diariamente o que perdeu... e quando você pensar que está conseguindo e terá essa merda que fica no meio das pernas dentro de mim... — acariciei um dos bicos que tirei para fora e logo o escondi quando ele levantou afoito. — Vou te fazer se arrepender de ter me conhecido.

Alexander Caruso voou sobre mim, aquele maldito Siciliano estava disposto a continuar, e eu não esperaria menos vindo dele.

— Vai aprender a me respeitar e vai ser agora — seus braços prenderam os meus e por alguns segundos senti sua força e sua fúria sobre mim, mas esse idiota não sabe nada a meu respeito.

— Acho que já temos intimidade o suficiente para te contar uma coisinha. — Coloquei a perna esquerda para trás, fiz um movimento dragão, elevando os pulsos por dentro das mãos dele, cortando pelo seu polegar, sem usar nenhuma força, apenas usei a técnica mais simples que conheço, trazendo para a cintura, as palmas e na sequência firmei as duas mãos e bati no seu peito, empurrando meu querido marido para trás.

— Que merda é essa? Eu sempre soube que foi treinada, mas você nunca me disse que havia se aperfeiçoado. Que palhaçada é essa?

— Pelo visto você se enganou... não sabe nada sobre mim. — Ri do seu semblante de confusão.

— O que mais sabe fazer? — perguntou irritado, me encarando.

— Matar. E, você acabou de se tornar o meu alvo. — O encarei na mesma proporção, mas ele começou a gargalhar. Colocou as mãos na parede e alguém inexperiente na máfia até acreditaria que ele facilitou, mas eu o observava o suficiente para saber que não, não... eu deveria manter os dois olhos bem abertos.

— Pensei que fosse mais esperta, querida esposa. Você me assustou. Pelo visto terei que te lembrar que não há divórcio para nós, e no caso de morte, minha, ou sua... É considerado traição e o caminho é a morte.

— Meu pai e meu irmão irão te matar após torturá-lo por dia, para que até a última geração da sua família se lembre que não deve trair um Don — o rosto dele ficou escuro, sombrio, e senti aquela sensação estranha de novo.

Quando menos esperei, ele praticamente se jogou no chão e pegou a sua arma. Alex apontou para mim, e foi se levantando aos poucos, enquanto dei dois passos para trás.

Me distraí um segundo quando ele praticamente me comeu com os olhos. Alex é um filho da mãe, gato demais. Pousei o meu olhar naquele corpo alto e em seus ombros largos, aqueles olhos bonitos, sua pele bronzeada e cabelos lisos, o corte que cai sobre os olhos, realçando a barba tão bem desenhada, e nem vou comentar da boca que será triste não beijar mais, imaginei tantas coisas para essa noite.

Notei que ele também observava cada parte do meu corpo nesse espartilho, e deixei que ficasse assim, me senti quente ao ver que ele não era completamente de ferro, vacilou ao me olhar assim… até que senti o cano da arma no meu rosto... estava gostando da adrenalina, ele não atiraria, e eu queria saber até onde iria, antes de decidir o próximo ataque.

— Sabe... até que você é gostosinha. Não nego que tenho vontade de esquecer das coisas que já me fez e te possuir... — arrastou o cano da arma, abaixando uma das alças do meu espartilho.

— Então chegamos ao ponto correto da conversa, porque quero entender o que te fiz para fazer isso comigo — eu perguntei e ele parou o movimento da arma na mesma hora, erguendo o cano até a minha cara.

Para provocar, eu capturei o cano com a boca e o introduzi parcialmente nela, deixando mais uma vez, o Siciliano descontrolado, ele só olhava para os movimentos que faço com a boca, perdeu completamente o juízo e o senso, senti quando afrouxou a arma e voltou a se parecer com o noivo que tive durante esses meses, e não o idiota que me trouxe em lua de mel... peguei nos meus seios descaradamente até que falou merda:

— Eu sabia... de virgem você não tem nada, é uma puttana qualquer, como me disseram. — Quando ouvi isso, percebi que já havia ido longe demais, e aquele Siciliano não merecia nem a minha presença.

Tomei a arma dele enquanto ele abaixou a guarda olhando meu corpo, ele poderia ter me matado, estava com a arma e seu corpo prevalecia sobre o meu, mas seus olhos o traíram e seu descuido rendeu a minha fuga.

Aproveitei para ir até a minha mala, abri o fundo falso, peguei as minhas armas e joguei na bolsa menor que estavam meus itens pessoais, enquanto o vi vindo até a cama.

— Maledetta. O que você está fazendo? — Eu já estava na porta, com as minhas armas e a dele, então apenas puxei um sobretudo preto que estava perto, mantendo a arma apontada para ele, e fechei o deixando sozinho.

Tranquei pelo lado de fora, fui vestindo aquele sobretudo pelo corredor e entrei no primeiro quarto que vi... eu só precisava de uma ligação e tudo estaria resolvido por agora.

— Alô. Eu vi certo? Ou você está me ligando em plena lua de mel? — falou aquela voz que sempre me salva..., mas não perdi tempo:

— Preciso que venha imediatamente. Vou enviar a localização e só você pode saber.

— Sim, senhora.

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