Capítulo 4 Fiorella

Fiorella

A dor queimava meu ombro como chamas, mas eu não tinha tempo para dor.

Cerrei os dentes, me preparando contra a dor enquanto ajustava meu aperto na arma. O sangue encharcava minha roupa, quente e pegajoso, mas eu não ligava. O desgraçado que tinha me baleado já estava morto, mas havia outros perigos na sala.

O pânico tinha se espalhado pelo clube como uma doença. As pessoas gritavam, empurrando-se para sair. Vidros quebravam. Uma mesa virou.

Eu mal registrei nada disso.

Porque no momento em que olhei nos olhos de Rocco De Luca, soube que estávamos pensando a mesma coisa.

Eliminar a ameaça.

Sem discussão.

Sem questionamento.

Apenas ação.

Ele fez o primeiro movimento. Um homem correu em nossa direção pela esquerda, arma na mão, mas Rocco foi mais rápido. Sua bala acertou bem no meio, e o corpo caiu no chão antes de sequer chegar até nós.

Girei furiosamente, percebendo um movimento na minha visão periférica. Outro atirador, este na seção VIP acima, se posicionando na varanda.

Levantei minha arma.

Disparei.

O tiro acertou sua garganta.

Ele caiu, seu corpo desabando sobre a grade antes de atingir o chão da pista de dança abaixo.

Rocco grunhiu baixo e aprovador. "Bom tiro."

Eu não notei, pois já estava procurando mais.

"Às três horas," ele sussurrou.

Virei para ver um homem levantando sua arma, disparando.

Rocco se moveu mais rápido do que eu.

Ele me empurrou para fora do caminho, e seu próprio tiro foi disparado ao mesmo tempo. Foi um bom acerto, direto no coração. O homem desabou no chão com um baque.

Franzi a testa, me levantando. "Eu o tinha."

"Claro que tinha," ele disse, sem nem olhar para mim enquanto recarregava. "Você está sangrando, a propósito."

"Eu percebi."

"Só para garantir."

Revirei os olhos, passando por cima dos corpos enquanto caminhávamos pelo clube. O caos estava diminuindo, o que restava dos atacantes estava morto ou fugindo. Alguns dos homens de Rocco tinham prendido um deles no canto perto da porta, forçando-o a se ajoelhar.

Respirei fundo, a adrenalina ainda correndo por mim.

"Isso não foi aleatório," eu disse.

A expressão de Rocco não mudou, mas vi o lampejo de concordância em seus olhos.

"Não," ele disse. "Não foi."

Nós dois sabíamos o que isso implicava.

Alguém tinha planejado isso.

Alguém sabia que estaríamos aqui.

E alguém queria um, ou ambos, mortos.

Um sorriso lento se espalhou pelos meus lábios. "Parece que sou mais popular do que pensei."

Rocco bufou. "Você está lisonjeada ou com raiva. Não consigo dizer qual."

"Por que não os dois?"

Ele me lançou um olhar de reprovação, balançando a cabeça.

Um gemido no chão me fez virar. Um dos atacantes estava vivo. Mal. Ajoelhei-me ao lado dele, segurando sua gola. Meu ombro reclamou, mas eu ignorei.

"Quem te contratou?" perguntei.

O homem cuspiu sangue, rosnando. "Vá para o inferno."

Eu sorri. "Você primeiro."

Antes que ele pudesse se mover, torci seu pescoço com força. O estalo foi rápido, limpo.

Rocco ergueu uma sobrancelha. "Eficiente."

"Não ia dizer uma palavra."

"Eu sei. Não torna menos divertido de assistir."

Levantei-me com um gemido, o peso da noite pesando sobre meus ossos. A dor estava começando a insistir em ser notada, mas eu não ia dar essa satisfação.

Olhei por cima do ombro para Rocco. Ele me observava com intenso interesse, seu rosto impassível.

Pela primeira vez, vi algo.

Trabalhávamos bem juntos.

Não era estranho, não era forçado. Foi fácil—como se tivéssemos feito isso mil vezes antes, como se não precisássemos falar para saber exatamente o que o outro faria.

Isso foi estranho.

E perigoso.

Porque eu não confiava em ninguém.

"Você deveria dar uma olhada nisso," Rocco disse, apontando para o meu ombro.

"Já tive piores."

Ele sorriu. "Claro que teve."

Havia algo nos olhos dele quando disse isso. Divertimento, talvez. Ou curiosidade.

De qualquer forma, eu não gostei.

"Vai embora?" perguntei.

"Por enquanto." Ele se moveu para trás de mim, depois se virou. "Entrarei em contato."

Então ele saiu.

Eu estava lá, corpos ao meu redor, sangue secando na minha pele, e algo me atingiu que me deixou furiosa.

Rocco De Luca tinha acabado de se tornar impossível de ignorar.

Quando cheguei à longa entrada da propriedade dos D'Angelo, a adrenalina já tinha dissipado, deixando apenas a familiar sensação de exaustão me pressionando.

A mansão surgia na escuridão, uma fortaleza de mármore e poder.

Desliguei o motor, saindo para o ar fresco da noite. Meu ombro doía, mas ignorei.

Ainda bem que vi o médico da família e cuidei disso, mas isso não fazia doer menos.

Assim que entrei pela grande porta, soube que não chegaria ao meu quarto despercebida.

"Fiorella."

A voz baixa do meu pai, Alessandro D'Angelo, reverberou pelo corredor de teto alto como um sino de aviso.

Eu estava de frente para ele, no final do corredor perto das escadas, braços cruzados, olhar penetrante me examinando.

Olhos que imediatamente se fixaram no meu ombro.

Mesmo na luz fraca, pude ver a careta no rosto dele.

"O que aconteceu?"

Respirei fundo, já sabendo que não adiantava fugir da conversa.

"A reunião não saiu como planejado," respondi, mexendo levemente o ombro, experimentando a dor.

Os olhos penetrantes dele se estreitaram com o movimento que fiz.

"Você foi baleada." A voz dele estava suave demais. "Explique."

Passei por ele, indo para o escritório.

Eu precisava de uma bebida para isso.

Quando cheguei à enorme mesa de carvalho, ele já estava atrás de mim, sua presença uma demanda silenciosa por respostas.

Servi-me um copo de uísque, tomando um gole antes de finalmente me virar para ele.

"Alguém tinha informação de que eu encontraria Rocco," disse a ele. "Eles nos emboscaram no clube."

Um músculo no maxilar dele se contraiu.

"Você acha que foram as mesmas pessoas que atacaram Rafael?"

"Talvez." Coloquei o copo na mesa. "Ou talvez alguém não goste da ideia de uma parceria entre um D'Angelo e um De Luca."

O silêncio dele era reflexivo, medido.

"E Rocco?"

Eu pausei, por uma fração de segundo.

"Resolvemos isso."

"Juntos?"

"Sim."

Algo mudou no rosto dele.

"E?"

Eu franzi a testa. "E o quê?"

"Ele te impressionou?"

Eu o encarei. "Eu não estava lá para ser impressionada."

Meu pai sorriu levemente, mas algo indecifrável brilhou em seus olhos.

"Você está evitando a pergunta."

"Não, estou me recusando a respondê-la."

A risada baixa dele provocou uma onda de irritação nas minhas costas.

Eu não estava com humor para suas provocações.

Antes que eu pudesse desviar a conversa, o rosto dele se fechou, toda a diversão desaparecendo.

"Se alguém soube da reunião," ele disse, "então alguém próximo a nós está revelando segredos."

Eu congelei.

Ele estava certo.

Esse tipo de emboscada não acontece por acaso.

Alguém nos traiu.

Coloquei meu copo na mesa, lenta e deliberadamente.

"Eu vou descobrir quem foi," prometi.

Meu pai assentiu, sem mostrar seus sentimentos. "Bom. Porque se você não descobrir..."

Ele se inclinou um ou dois centímetros para frente, a voz endurecendo como metal.

"—eu descobrirei."

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