Capítulo 5 Rocco
Dei de ombros, a tensão ainda enrolada nos músculos enquanto chutava o último cadáver.
O clube cheirava a pólvora e morte.
Eu odiava quando coisas assim aconteciam. Não tanto pela bagunça, mas porque significava pontas soltas. E eu não gostava de pontas soltas.
O chefe, um canalha chamado Jeggins, pairava perto da porta da sala VIP, suando em seu terno caro. Ele olhava nervosamente do corpo para mim e de volta para o corpo, esperando ordens.
Acendi um cigarro, demorando o tempo que queria para dar uma tragada, inalando profundamente antes de finalmente falar.
"Cuide disso."
Jeggins estremeceu. "Ah, claro, Sr. De Luca. Eu—vou designar minhas melhores pessoas para a limpeza imediatamente."
"Não me importa como você vai fazer," eu disse, exalando a fumaça. "Só faça com que ninguém se lembre que isso aconteceu. Não quero sussurros. Não quero fofocas. E com certeza não quero policiais na minha cola."
"Entendido."
"Bom."
Olhei ao redor do resto do clube. A música havia parado. Os clientes que não estavam envolvidos tinham fugido, deixando mesas viradas, copos quebrados e bebidas abandonadas. Meus homens já estavam varrendo o clube, garantindo o que restava da cena.
Os corpos estavam sendo arrastados para fora pelos fundos.
Sacudi a cinza do meu cigarro.
Isso deveria ter sido uma reunião discreta.
Em vez disso, alguém decidiu transformá-la em uma zona de guerra.
E eu não estava com paciência.
Meti a mão no bolso, puxei o celular.
Rafael atendeu no segundo toque.
"O que foi?" Sua voz estava tensa, carregada.
"Tivemos um problema."
Houve um momento de silêncio. Então, "Quão grave?"
"Grave o suficiente para eu querer dar um tiro na cabeça de alguém."
Outro momento. "Estou a caminho."
A linha ficou muda.
Guardei o telefone e dei outra tragada lenta no cigarro enquanto me virava para Jeggins.
"Quero este clube aberto e funcionando como se nada tivesse acontecido amanhã à noite."
Ele assentiu firmemente. "Sim, senhor."
Não esperei mais por garantias adicionais. Eu tinha negócios a tratar.
Quando Rafael e Riccardo chegaram, o clube estava impecável.
Não de sangue, embora sempre houvesse sangue no nosso ramo de trabalho, mas de evidências. Os corpos tinham sido apagados. A destruição, reparada.
À primeira vista, era outra noite como qualquer outra.
Mas nós sabíamos a verdade.
Rafael entrou primeiro, sua presença imponente. Mesmo depois de tudo que ele passou, o coma, a guerra com Lorenzo, a tempestade de merda que se seguiu, ele ainda se movia como o monarca indiscutível do nosso império.
Riccardo vinha atrás, seu sorriso habitual ausente. Se Riccardo não estava sorrindo, era sinal de que estava de mau humor. E se ele estava de mau humor, geralmente as pessoas acabavam em covas.
Rafael não perdeu tempo.
"O que diabos aconteceu?"
Soltei um suspiro controlado, sentando-me na poltrona de couro oposta à sua mesa.
"Alguém emboscou a reunião."
O maxilar de Rafael endureceu. "Alguém sabia sobre ela."
"Obviamente." Recostei-me, esticando as pernas. "Estávamos cinco minutos dentro antes que as balas começassem a voar."
Riccardo cruzou os braços. "Baixas?"
"Nenhuma do nosso lado," eu disse. "Fiorella foi baleada no ombro, mas sobreviveu."
A sobrancelha de Rafael levantou. "Você parece impressionado."
"Não estou."
Isso era uma mentira.
A mulher lutou como se tivesse nascido para isso. Eficiente. Eficaz. Sem hesitação.
A maioria das filhas da máfia não sujava as mãos.
Fiorella D'Angelo se banhou em sangue sem nem piscar.
Isso deveria ter me irritado.
Em vez disso, me peguei pensando na maneira como ela se movia. A maneira como ela trabalhou comigo como se estivéssemos fazendo isso há anos.
Os olhos de Riccardo se estreitaram. "Você acha que o ataque era para ela? Ou para nós?"
"Pode ser qualquer um."
O rosto de Rafael escureceu.
"Precisamos descobrir quem diabos está passando informações para o inimigo," ele disse, com a voz fria. "Porque agora, temos duas opções. Ou alguém do nosso círculo é um traidor, ou alguém do círculo dela é."
Nenhuma das opções me agradava.
Traição era algo pessoal.
E quem quer que estivesse por trás disso tinha acabado de tornar isso muito, muito pessoal.
Amassei o cigarro no cinzeiro, encontrando o olhar do meu irmão.
"Eu cuido disso."
Rafael assentiu uma vez. "Faça isso. E quando descobrir quem é..."
Sua voz caiu para um sussurro mortal.
"...faça deles um exemplo."
O clube estava impecável quando saímos. Jeggins tinha feito bem o seu trabalho, sem corpos, sem sangue, sem sinal da batalha anterior. Para qualquer um que entrasse amanhã, pareceria apenas mais uma noite de excessos e devassidão.
Mas eu sabia melhor.
Alguém tinha cometido um erro.
Alguém tinha nos traído.
E eu ia fazer essa pessoa pagar por isso.
Voltamos para a mansão dos De Luca em um silêncio tenso e não falado no SUV preto. Rafael estava sentado no banco de trás, braços cruzados, o rosto com uma carranca enquanto olhava para a paisagem passando com o tipo de fúria contida que significava que ele já estava fazendo planos.
Riccardo estava ao meu lado no banco do passageiro, examinando sua arma com um lampejo de irritação.
"Você realmente acha que o acampamento de Fiorella tem um traidor?" ele perguntou.
"Acho que alguém sabia onde estaríamos," eu disse. "E se não era um dos nossos, então era um dos dela."
Riccardo sorriu de leve. "O pai dela não vai ficar feliz com isso."
"Eu não me importo com o que Alessandro quer."
O que me preocupava era que alguém tinha me colocado no meio de uma emboscada. Alguém tinha tido a audácia de fazer uma coisa dessas quando eu estava envolvido.
Isso não ia ficar impune.
Quando chegamos à mansão, Rafael já estava ao telefone, dando ordens aos nossos homens.
"Tranque tudo," ele estava dizendo enquanto entrávamos. "Ninguém entra ou sai sem que saibamos. Se há um traidor, quero o corpo dele na minha maldita porta até o amanhecer."
Desabotoei meu casaco, jogando-o sobre o sofá.
"Vou até Fiorella."
O olhar de Rafael cortou para mim.
"Você acha que ela sabe de algo?"
"Acho que ela não é tola," eu disse. "E ela tem tanto a perder quanto nós."
Se alguém estava atirando em nós, estava atirando nela também.
E se ela fosse metade inteligente como todos diziam, já estaria procurando respostas.
Riccardo encostou-se no bar, servindo-se de uma bebida.
"Cuidado, irmão," ele disse, girando o uísque no copo. "Você soa quase preocupado com ela."
Eu o ignorei.
Não estava preocupado.
Mas não ia ficar sentado esperando que alguém mais fizesse o próximo movimento.
Parei em frente à mansão dos D'Angelo um pouco depois das três da manhã.
Os guardas do portão hesitaram apenas por um instante antes de abri-lo para mim.
Bom.
Alessandro provavelmente já tinha adivinhado que eu viria.
A mansão se erguia como sempre, enorme pedra e ferro, uma fortaleza de rei.
Saí do carro, rolando os ombros enquanto me aproximava da porta.
As portas se abriram antes que eu pudesse bater.
E lá estava ela, de braços cruzados, ainda vestindo sua blusa manchada de sangue de mais cedo, Fiorella.
Ela estava cansada.
Ela também parecia furiosa pra caralho.
"Demorou, De Luca," ela me disse friamente. "Temos algo para discutir."
Seus olhos olharam rapidamente para trás de mim.
E antes que eu pudesse me virar
Um tiro rompeu a noite.
E eu pude sentir a bala passando zunindo pelo meu ouvido.
