Capítulo 6 Fiorella

Fiorella

No segundo em que a arma disparou, eu respondi.

Agarrei o braço de Rocco, puxando-o enquanto fechava as portas com força. Uma bala atingiu a maçaneta de ferro, tremendo através dos meus ossos.

"Filho da puta," eu rosnei, já puxando minha arma do coldre.

Rocco também já estava com a dele na mão, os olhos negros com uma calma gelada enquanto se encostava na parede ao meu lado. Passos ressoavam lá fora no cascalho, sombras passando pelas janelas.

"Amigos seus?" ele perguntou secamente.

"Se fossem amigos meus, já estariam mortos," retruquei, espiando pela janela lateral.

Três homens. Ternos escuros. Armas.

Profissionais.

Não eram alguns idiotas de baixo nível tentando fazer uma cena.

Eles não estavam aqui para me assustar.

Eles estavam aqui para me matar.

E talvez matar Rocco também.

Boa sorte com isso.

Eu me virei para ele. "Quão rápido você pode se mover?"

"Mais rápido que você," ele disse, aquele maldito sorriso surgindo em seus lábios.

Ignorei, já decidindo.

"A porta à esquerda leva ao escritório do meu pai. Tem portas à prova de balas e uma saída direta para a garagem. Entramos rápido, chegamos inteiros."

"E se não conseguirmos?"

"Então matamos todos eles e saímos pelo caminho mais longo."

Ele sorriu. "Gosto do seu estilo, D'Angelo."

Outra bala atingiu a janela, estilhaçando o vidro. Eu não esperei. Girei, disparando três tiros rápidos pelo vidro quebrado.

Um grunhido. Um corpo caindo no chão.

Um a menos.

Faltam dois.

"Mova-se," ordenei, já avançando.

Rocco estava nos meus calcanhares num piscar de olhos, acompanhando o ritmo enquanto corríamos pelo corredor. O estrondo pesado de botas atrás de nós—rápido, treinado.

Eu não estava preocupada.

Eu também fui treinada.

Uma sombra apareceu no outro extremo do corredor, arma levantada. Eu me abaixei, deslizando pelo chão molhado enquanto disparava duas vezes.

O primeiro tiro acertou o ombro.

O segundo entre os olhos.

Eu já estava de pé antes que o corpo dele atingisse o chão.

Ouvi Rocco assobiar atrás de mim. "Me lembre de nunca te irritar."

"Homem esperto."

Viramos a esquina, a porta do escritório à vista.

Só mais um pouco.

A dor explodiu no meu lado quando algo pesado me atingiu.

Caí no chão com um baque, minha arma voando da minha mão enquanto o atacante restante me segurava.

Lutei, rosnando, mas ele era muito forte. O joelho dele nas minhas costelas, a mão apertando meu pescoço.

"Você deveria ter ficado fora disso, princesa," ele rosnou. "Agora, eu vou mandar uma mensagem para o seu pai—"

Um tiro ecoou pelo corredor.

O peso em cima de mim desabou, a cabeça do homem se inclinando para trás antes de ele cair no chão.

Atrás dele, Rocco estava de pé, arma ainda levantada, fumaça saindo do cano.

Sua expressão era indecifrável enquanto ele olhava para mim.

"Você está bem?"

Empurrei o homem morto de cima de mim, girando o ombro com uma careta.

"Já passei por pior."

Seus olhos se fixaram no meu lado, onde o sangue manchava minha camisa por causa da queda.

"Você está sangrando."

"E você ainda está aqui apontando isso em vez de me ajudar a levantar," retruquei.

Ele riu um sopro antes de estender a mão.

Hesitei.

Então aceitei, relutantemente. Seu aperto era quente, firme e forte enquanto me colocava de pé.

Por um momento, ficamos apenas ali, ofegantes, cercados por corpos.

Então me virei e abri a porta do escritório.

Entramos, trancando a porta atrás de nós.

O quarto estava escuro, mas eu conhecia cada centímetro dele. Fui até o painel escondido pela estante de livros e apertei o botão.

O painel do chão deslizou, revelando as escadas para a garagem subterrânea.

Respirei fundo. "Conseguimos."

Rocco ainda me encarava.

"Isso não foi aleatório," ele sussurrou.

"Não, não foi."

Isso era um aviso.

Uma mensagem clara.

Eu fui traída.

E eu ia descobrir quem.

Quando chegamos à garagem subterrânea, meu telefone vibrou no meu bolso.

O tirei, franzindo a testa para o número desconhecido.

Eu não sabia—então atendi.

Silêncio.

Então uma voz baixa e divertida.

"Você é difícil de pegar, Fiorella."

Minha mão ficou dormente. "Quem diabos é você?"

Uma risada suave.

"Alguém que acabou de te dar uma prévia do que está por vir."

Um arrepio percorreu minha espinha.

E então, a linha ficou muda.

Eu encarei a tela do telefone desligado, meus dedos se apertando ao redor dele.

"Quem era?" Rocco latiu.

Eu hesitei. Meu coração ainda estava acelerado, mas não pela luta. Não pelo sangue nas minhas mãos ou pela dor nas minhas costelas.

Era a voz.

Tão calma. Tão calculada.

Quem quer que fosse, não era apenas mais um inimigo disparando balas para fazer um ponto.

Isso era pessoal.

Respirei fundo, segurando o telefone. "Uma pessoa que acredita que pode me assustar."

Rocco soava desconfiado. "E você está?"

Eu o encarei fixamente. "Eu não fico com medo, De Luca."

Havia algo em seus olhos negros que cintilou, algo ininterpretável. Ele assentiu levemente.

"Bom."

Nos dirigimos ao SUV. Eu entrei no banco do motorista, mal sentindo a dor no ombro. Rocco entrou ao meu lado, observando enquanto eu digitava o código de ignição.

"Você tem um plano?" ele perguntou.

"Sim," eu rosnei, colocando o veículo na primeira marcha. "Encontrar o filho da puta que planejou isso e fazê-lo se arrepender."

O motor ganhou vida, e eu acelerei para fora da garagem subterrânea, os pneus guinchando na estrada. As luzes da cidade passavam borradas por nós, néon se infiltrando na escuridão.

O silêncio entre nós estava carregado de ideias não ditas.

Então Rocco se mexeu. "Você sabe que isso não acabou, certo?"

"Claro que não."

Isso era apenas o começo.

Quem quer que tenha enviado aqueles caras fez o dever de casa. Eles sabiam onde eu estaria, com quem eu estaria.

O que significava que alguém tinha falado.

E eu ia fazer essa pessoa me contar quem.

Nos aproximamos de um cruzamento, o semáforo vermelho lançando um brilho forte sobre o capô do carro. Meus dedos tamborilavam no volante.

"Você confia nos homens do seu pai?" Rocco perguntou abruptamente.

Eu o encarei lentamente.

"O que você está falando?"

Ele me segurou com um olhar duro. "Estou dizendo que alguém tinha uma ideia de que você estaria no clube hoje à noite. E a menos que você tenha o hábito de compartilhar suas atividades com estranhos, isso significa que alguém próximo a você passou essa informação."

Eu travei o maxilar.

Eu o ressentia por fazer um ponto válido.

Eu ressentia ainda mais o fato de que já estava pensando na mesma linha.

O sinal estava verde agora.

Eu acelerei, o carro ganhando velocidade rapidamente. "Eu vou cuidar disso."

Rocco não discutiu.

Chegamos a um armazém abandonado perto dos cais em poucos minutos. Um dos esconderijos do meu pai.

"Você tem certeza que isso é seguro?" Rocco perguntou enquanto eu saía.

"Você está fora?" eu rebati.

Ele sorriu. "Nem pensar, D'Angelo."

Bom.

Porque eu não ia fazer isso sozinho.

Nos aproximamos da entrada, a porta de metal entreaberta. Um mau presságio.

Eu saquei minha arma. Rocco fez o mesmo.

Eu chutei a porta com o pé. O armazém estava escuro, sombras no chão de concreto. O ar estava pesado com o cheiro de sangue.

Eu entrei, arma em punho—

E congelei.

Uma cadeira no centro da sala, um homem curvado sobre ela, pulsos amarrados atrás das costas. Sangue irradiando debaixo dele, se infiltrando nas rachaduras.

Sua garganta estava cortada.

Uma mensagem na parede atrás dele em letras vermelhas.

Você é a próxima, Fiorella.

Eu ouvi apenas Rocco praguejar ao meu lado.

Meus dedos se apertaram ao redor da arma, minha respiração firme e controlada.

Eu me aproximei, meu estômago revirando ao ver o rosto do homem.

Um dos homens do meu pai.

Um dos quais eu confiava.

Eu respirei pelo nariz, uma raiva gelada se infiltrando profundamente nos meus ossos.

Isso era guerra.

Eu não consegui falar antes que um telefone tocasse.

Não o meu.

O do homem morto.

Um telefone descartável em sua coxa, a tela piscando com uma chamada recebida.

O número não estava listado.

Rocco e eu trocamos um olhar.

Então, impulsivamente, eu atendi.

Silêncio.

Então, a mesma voz, suave, calma, medida.

"Eu te disse, Fiorella. Isso é apenas o começo."

A linha ficou muda.

Capítulo Anterior
Próximo Capítulo