Capítulo 5 Capítulo 5
Ponto de vista de Mason
Não acredito que eu tenha surtado daquele jeito.
Depois que ela saiu furiosa do refeitório, Winter me encara com raiva.
— O alfa mandando eles não falarem com ela… Eu disse pra você não estragar tudo, Mason. Você começou péssimo — ela diz, saindo à procura de Lyric.
Hunter encosta ao meu lado.
— Você tá fazendo um trabalho horrível em impedir que sua namorada descubra que você é o par destinado da irmã dela — ele diz.
Eu rosno para ele.
— Você não tá ajudando — falo entre dentes, tentando manter Kane sob controle.
— Eu sempre vou te falar a real, alfa. Você precisa se organizar, porque, se a sua intenção era deixar a sua companheira puta, você conseguiu — ele diz, dando um tapinha no meu ombro antes de ir embora.
O resto do dia passa rápido demais.
Kane fica andando de um lado para o outro na minha cabeça o caminho inteiro até em casa.
— O que tá acontecendo com você, seu vira-lata? — pergunto a ele.
— Eu não sei. Eu preciso ver a companheira — ele diz, me deixando inquieto.
“Ei, onde você tá? A gente pode conversar?”, eu a chamo pelo vínculo, mas não recebo resposta.
Ela me bloqueou.
Eu chamo Winter pelo vínculo.
“Ei, onde a Lyric tá? Tá tudo bem? O Kane tá surtando.”
“Ela tá bem. Ela não quer falar com você agora. Só dá um espaço pra ela, Mason”, ela responde pelo vínculo, e também me bloqueia.
Quando chegamos à casa da matilha, meu pai me chama pelo vínculo e manda eu encontrá-lo no escritório dele.
Quando eu chego lá, o tio Donovan também está aqui.
— Boa tarde, tio D, pai — digo antes de me sentar.
— O que foi, pai? — pergunto.
— Bem, como você sabe, filho, teremos seis matilhas diferentes vindo para o baile neste fim de semana. Muitos vínculos de pares destinados podem se formar. Acabamos de receber a notícia de que o Rei Alfa e os irmãos dele vão comparecer, já que todos têm dezoito anos ou mais e ainda não encontraram suas companheiras, principalmente o rei, que tem vinte e um. Tudo precisa ser perfeito. Quero você e o Hunter na linha de frente com a patrulha da fronteira pelos próximos dias, garantindo que todas as patrulhas conheçam suas rotações e qual é o protocolo da semana. Peça ao Lucas para checar com os ômegas e ter certeza de que todas as suítes de hóspedes para todos os nossos convidados foram preparadas do jeito que sua mãe pediu — ele diz.
— Você está me ouvindo, filho? — ele pergunta.
— Sim, pai. Entendi — respondo.
— Quando você encontrar sua companheira, vai ser ela quem vai garantir que todas essas coisas sejam feitas — ele diz.
— É — digo, pensando em Lyric.
Tudo volta para ela. O jeito como ela me olhou no refeitório. O jeito como ela saiu furiosa. O jeito como ela parecia pronta para me socar depois que eu comandei aqueles guerreiros.
Kane acha engraçado. Eu não.
— Você já encontrou a sua companheira, filho? — meu pai pergunta.
—Sim, na verdade —eu digo.
—Ah, é a Summer? —pergunta o tio Donovan.
—Não, senhor... na verdade é sua outra filha —eu digo, com hesitação na voz.
—A Lyric é a sua companheira? —meu pai pergunta, surpreso.
—Não parece tão surpreso assim, pai —eu digo.
Por um segundo, eu me pergunto quantas pessoas viram algo que eu não vi. A Lyric estava sempre por perto quando éramos crianças. Em algum momento do caminho, eu parei de olhar.
—Desculpe, filho. A Lyric é maravilhosa e vai ser uma ótima Luna, mas você deixou de enxergar isso depois do seu décimo primeiro aniversário, então é normal que seja uma surpresa —ele diz.
A culpa me atinge mais forte do que eu esperava. Porque ele tem razão. Eu deixei de enxergá-la.
—Tenho que admitir que estou chocado por não ser a Summer, mas a Lyric vai ser uma companheira excelente. Ela é quieta, mas inteligente, calculista e implacável numa luta —diz o tio Donovan.
—Parabéns, filho. Eu sei que você ainda não contou a ela e também espero que tenha terminado com a Summer —diz meu pai.
—Estou trabalhando nisso —resmungo.
A verdade é que eu devia ter terminado com a Summer no instante em que senti o cheiro da Lyric. Em vez disso, passei o dia inteiro adiando e, de algum jeito, ainda consegui deixar minha companheira irritada no processo.
E, a julgar pelo olhar que a Lyric me lançou hoje, talvez eu já esteja ficando sem tempo.
—Bom, se você não quer levar uma rejeição no aniversário de dezoito anos dela, eu aconselho que trabalhe mais rápido —diz o Beta Donovan, rindo.
—É, boa sorte, filho. A Lyric é arisca —meu pai diz, rindo, e o beta acompanha.
Eu me levanto e saio, deixando as risadas para trás enquanto entro no corredor.
Vou para o meu quarto para clarear a cabeça antes do jantar.
Quando entro, a Summer está estirada na minha cama, completamente nua, as pernas bem abertas numa provocação descarada.
Meu corpo reage por hábito por uma fração de segundo —e então murcha com a mesma rapidez, como se alguma coisa em mim estivesse rejeitando aquilo.
Antes de hoje, essa visão teria me deixado duro, forçando a calça, mas agora, depois de encontrar minha companheira, eu simplesmente cansei disso tudo.
Porque não é ela —e, pela primeira vez, isso importa mais do que qualquer outra coisa.
—Feliz aniversário, Alfa. Achei que eu podia te dar o seu presente agora —ela ronrona, deslizando para fora da cama e vindo na minha direção com aquele balanço predatório.
—Summer, agora não —murmuro, agarrando as mãos dela quando ela tenta me tocar. Eu falo sério —mas não empurro com força suficiente para realmente impedir.
Ela ignora meu protesto e cai de joelhos, os dedos ágeis desafivelando meu cinto e abrindo minha calça num puxão. Ela puxa minha cueca para baixo, libertando meu pau. Eu poderia afastá-la —e eu deveria, porra.
O pensamento é alto. Claro. Ainda assim, não ajo — e essa constatação fica atravessada no meu peito.
Mas ela não hesita, envolvendo meus lábios no meu pau e me colocando e tirando da boca quente com bombadas urgentes. Aperto os olhos, forçando a imagem da minha companheira a invadir minha mente, e meu pau endurece por completo contra a língua dela.
Lyric. Não Summer. É a Lyric na minha cabeça — e não muda, por mais que eu tente.
Ela geme ao meu redor, o som vibrando pelo meu eixo e fazendo minhas bolas se retesarem.
Meu corpo reage — mas parece desconectado, como se eu não estivesse totalmente aqui.
Não consigo me conter mais. Meus dedos se enroscam no cabelo dela, agarrando a nuca enquanto eu enfio com força na boca dela, obrigando-a a engasgar a cada investida profunda. Lágrimas se juntam nos olhos dela, escorrendo pelas bochechas, enquanto fios grossos de saliva escorrem dos lábios esticados, cobrindo meu comprimento conforme eu empurro garganta abaixo. “Isso, porra, engole meu pau até o fundo”, rosno, as palavras rasgando para fora de mim.
As palavras saem ásperas — mas não parecem reais. Não como antes.
Os gemidos abafados dela mandam choques elétricos direto pro meu centro, as vibrações zumbindo ao longo do meu pau. Estou à beira do precipício, mas antes que eu exploda, arranco meu pau da boca dela com um estalo molhado. Eu a puxo, ergo e bato o corpo dela contra a parede, levantando a perna dela e enfiando meu pau na boceta num único golpe brutal. Ela grita, a voz rouca e carente. “Porra, Alfa, isso!”
Antes, aquele som bastava. Agora, mal registra.
Na minha cabeça, é a minha companheira que eu estou vendo — o rosto dela, o cheiro dela — e isso alimenta o frenesi. Eu a viro e meto nela por trás, socando com força, minhas garras cravando nos quadris dela, abrindo linhas finas de sangue enquanto a mantenho presa no lugar.
Lyric de novo. Toda vez. Não para — e eu nem estou tentando fazer parar mais.
Uma mão sobe, se fechando no pescoço dela num estrangulamento firme, enquanto eu enfio mais fundo, meus quadris estalando contra a bunda dela com força punitiva.
Rude demais. Rápido demais. Como se eu estivesse tentando forçar algo que não está ali.
Minha outra mão escorrega entre as coxas dela, os dedos circulando de maneira brusca o clitóris inchado, esfregando círculos fortes que fazem ela se debater contra mim. Meu estômago se contrai, o alívio se formando como uma tempestade. Eu a empurro para a cama, forçando-a a ficar de quatro, a bunda empinada no ar. Me posiciono atrás dela e enfio de novo, fodendo com força e rápido, cada estocada me enterrando até o fundo no calor molhado dela.
A pressão aumenta — mas parece errado. Como se eu estivesse correndo atrás de algo que não alcanço.
A pressão dispara e, quando meu orgasmo me atinge, eu tiro no último segundo, punhetando meu pau com fúria. Jatos grossos de porra explodem nas costas dela, respingando quente e pegajoso na pele.
Enquanto ela se veste: “Isso não pode acontecer de novo, Summer”, eu digo. Os olhos dela cortam para mim. “E por que diabos não?”
“Porque eu encontrei a minha companheira”, digo a ela.
“Quem é?”, ela pergunta.
A pergunta vem rápido demais. Como se ela já tivesse alguém em mente.
Eu balanço a cabeça.
“Não importa. Ela ainda não sabe porque não tem dezoito anos”, digo a ela.
Ela dá um passo mais perto.
“Tá, então qual é o problema?”, ela diz, passando uma mão pelo meu peito.
Eu agarro a mão dela.
“O problema é que eu não tenho mais interesse em fazer isso e não parece mais certo. Acabou”, eu digo.
Por um segundo, ela só me encara. Sem lágrimas. Sem súplica. Só um olhar duro que faz meu estômago apertar.
Ela ri.
“Você acha que pode simplesmente se livrar de mim assim, Mason?”, ela pergunta.
“Summer, por favor, não faz isso. Você sabia que era uma possibilidade você não ser a minha companheira”, eu digo, com a frustração atravessando minha voz.
“Você devia rejeitar ela quando encontrasse, nós falamos sobre isso”, ela diz.
“Não, Summer. Você falou sobre isso. Eu nunca concordei em rejeitar a minha companheira se não fosse você”, eu respondo.
Toda conversa sobre nosso futuro sempre soou mais como um plano que ela fez do que um que a gente fez juntos.
Na época eu nunca pensei muito nisso. Agora, não consigo parar de pensar.
“Isso está longe de acabar, Mason. Eu não posso ser substituída tão facilmente”, ela dispara.
O olhar nos olhos dela faz Kane avançar. Não porque ela está chateada. Porque ela parece possessiva. Como se alguém tivesse roubado algo que pertencia a ela.
“Summer, acabou. Por favor, não torne isso mais difícil”, eu digo.
“Vai se foder, Mason”, ela cospe antes de sair pisando duro.
A porta bate com força o bastante para tremer a parede.
Por um instante, eu só fico ali, encarando.
Summer fica com raiva. Sempre ficou. Normalmente, ela grita, chora, joga alguma coisa, e depois dá um jeito de me fazer sentir culpado por tê-la aborrecido.
Isso não foi o que acabou de acontecer.
Ela olhou pra mim como se eu tivesse tirado alguma coisa dela.
“Bom, isso foi ótimo”, Kane resmunga.
“Cala a boca.”
Passo uma mão pelo rosto e vou em direção ao banheiro, tentando me livrar do peso estranho que está se assentando no meu peito.
Eu preciso contar à Lyric que ela é minha companheira em breve.
