Capítulo 4 4

Belly

Dias atuais...

Sinto beijos delicados e molhados percorrendo meu rosto. Mãos grandes e firmes envolvem minha cintura, e logo uma leve mordidinha, seguida de um chupão, faz meus lábios se curvarem num sorriso sonolento. Abro os olhos preguiçosamente e me deparo com o par de olhos castanhos e intensos de Greg. Sorrio para o meu futuro marido e o beijo com carinho.

— Bom dia, princesa — ele diz, com aquela voz grossa e rouca que sempre me desarma. Seu corpo grande e quente repousa sobre o meu.

— Bom dia, querido — respondo, envolvendo seu quadril com as pernas e passando os braços pelo pescoço dele. O beijo seguinte é cheio de desejo, mas Greg interrompe antes que o momento avance.

— Sabe que tenho que ir, né?

Reviro os olhos e faço um biquinho manhoso.

— Ah, por quê? É sábado! Estamos noivos, poderíamos aproveitar o dia juntos... o que acha? — tento persuadi-lo.

— Não dá, princesa. Marquei um encontro com o meu irmão. Temos umas coisas importantes pra resolver e já estou atrasado.

Ele se afasta, e só então percebo que já está de banho tomado, vestido e pronto para sair. Solto um resmungo e me sento na cama.

— Não fique assim, Isabelly. Prometo compensar da próxima vez, está bom assim? — diz, ajeitando os cabelos úmidos diante do espelho.

— Você sempre diz a mesma coisa — reclamo, puxando o lençol para cobrir o corpo enquanto caminho até o banheiro.

— Não diga isso, querida. Se não fosse importante, eu ficaria o dia inteiro aqui com você. — Ele me puxa pela cintura antes que eu entre no banho. Um suspiro escapa de mim quando seus lábios traçam um caminho lento pelo meu pescoço.

— Tudo bem... me desculpe. Eu não quero parecer pegajosa, mas sinto que a gente podia passar mais tempo junto, conversar mais, sabe? — confesso.

— Você está certa, meu amor — ele murmura, e então me puxa para um beijo demorado.

— Estou?

— Está. Que tal programarmos um dia só nosso? — sugere, carinhoso.

Sorrio de orelha a orelha.

— Um dia não. Quero muitos dias só nossos.

— Ok, querida. Teremos muitos, muitos dias só nossos — promete, e roubo mais um beijo.

— Promete? — pergunto entre um beijo e outro.

— Prometo. Mas agora eu realmente preciso ir. Estou muito atrasado.

— Está bem, mas me liga, por favor. Sabe como fico quando você some o dia todo sem dar notícias. — Peço, mas ele já sai do quarto sem olhar para trás. Bufo alto.

Às vezes tenho a sensação de que só eu amo de verdade nessa relação.

Greg é sempre relapso quando se trata de diálogo e cumplicidade. Namoramos há um ano e meio, estamos noivos há pouco mais de um mês, e ainda assim eu não conheço sua família — nem mesmo o irmão com quem ele vive “resolvendo coisas importantes”.

É estranho.

Tudo o que sei sobre ele é que é CEO de uma grande empresa de tecnologia, que o pai já faleceu, e que tem uma mãe e um irmão mais novo. Só isso. E quando o assunto é se abrir, Greg é uma fortaleza. Eu, por outro lado, sou praticamente um livro aberto — ele sabe tudo sobre mim.

Minhas amigas Karol e Shirley vivem dizendo que ele é um cara estranho, mas eu tento não pensar assim. Talvez seja o peso das responsabilidades. O pai morreu cedo, ele teve que amadurecer depressa, cuidar da mãe, do irmão, de tudo. Talvez por isso ele tenha tanta dificuldade em se abrir.

Meus pais também não simpatizam muito com ele, então evito falar sobre o Greg.A única pessoa com quem realmente me abro é Amanda, minha prima e melhor amiga desde sempre — mesmo casada e mãe de dois, ela continua sendo meu porto seguro.

O som do celular me traz de volta à realidade. O nome de Karol pisca na tela do painel do carro. Atendo de imediato.

— Fala, garota do batom! — digo, rindo.

Ela também ri do outro lado da linha. O apelido veio do fato de ser modelo de uma das maiores marcas de cosméticos do país — e de nunca repetir um batom sequer.

— Onde você está? — pergunta, divertida, embora já saiba a resposta.

— Presa no trânsito.

— Sabia! Aquele vacilão te deixou na mão de novo, né? Qual foi a desculpa da vez? — provoca.

Paro o carro no sinal vermelho e suspiro.

— A de sempre. Se encontrar com o irmão pra resolver coisas importantes.

— E você acreditou?

— Karol, eu não tenho motivos pra desconfiar do meu noivo. Se ele disse que vai se encontrar com o irmão, por que eu não acreditaria?

— Porque você nunca viu esse tal irmão. Nem por foto! — rebate.

Reviro os olhos.

— Já estou chegando. A Shirley está com você? — mudo de assunto.

— Claro! Estamos deitadas nas espreguiçadeiras, usando biquínis minúsculos e sendo cobiçadas por homens lindos e gostosos. — Ela gargalha.

Sorrio.

— Ótimo, estacionando o carro agora. Estarei aí em alguns minutos. Beijos! — desligo antes que ela continue.

Guardo o celular na bolsa de praia, coloco os óculos escuros e o chapéu grande e sigo para dentro do clube.

Tenho sempre um plano B para os finais de semana em que Greg não pode — ou não quer — ficar comigo. Aprendi que é melhor aproveitar o sol e as amigas do que me trancar em casa com um pote de sorvete e o coração cheio de dúvidas.

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