Capítulo 5 5
Isabelly
Observo a área da piscina, que a essa hora já tem uma boa movimentação, à procura das minhas amigas. Sorrio amplamente ao ver uma mulher negra, alta, magra e linda, com o cabelo afro preso por um lenço colorido no topo da cabeça, sendo descaradamente cobiçada por um loiro robusto, ainda mais alto que ela. O homem está praticamente babando em cima da minha amiga.
Passo por ela e pisco o olho de leve, fazendo um gesto com o polegar que diz que a escolha está mais que aprovada. O mulherão sorri discretamente e volta à conversa com seu deus loiro.
Logo encontro Shirley, despojada na sua maravilhosa espreguiçadeira, com os habituais fones de ouvido, óculos escuros e um minúsculo biquíni branco que contrasta perfeitamente com a pele morena. Os cabelos longos e cacheados estão presos em um coque frouxo, e algumas mechas soltas emolduram o rosto em formato de coração.
Shirley é designer de moda e trabalha para um estilista francês, Françoise — um cara baixinho, franzino e meio esquisito, com um jeitinho afeminado, mas até que é bem legal.
— Será que dá pra você sair da frente do sol? — reclama, irritada.
Sorrio debochadamente e, de propósito, permaneço no mesmo lugar.
— Mas que droga! Oh, minha filha, você é retardada ou o quê? — rosna, tirando os óculos. As sobrancelhas se arqueiam quando me reconhece. — Belly?! Ai, meu Deus, me desculpa, amiga! Pensei que fosse aquela garçonete estúpida de novo! — ralha, levantando-se para me abraçar.
— Tadinha da Vânia, ela é uma garota legal, sabia? — retruco, defendendo a garçonete.
— Todo mundo pra você é legal, Belly — rebate, pondo os óculos de volta e deitando-se novamente. — Onde está o seu noivo relapso? — pergunta, tomando um gole da bebida sobre a mesinha ao lado, protegida por um guarda-sol colorido.
— Não começa, Shirley. Já basta a Karol!
— Eu não sei por que você é assim, Isabelly. A tia Mônica tem um radar pra mentira, devia aprender com ela. Está na cara que o Greg anda escondendo alguma coisa de você.
— Vocês que são complexadas com ele. O Greg é um amor de pessoa, só tem muitos compromissos e responsabilidades. — Shirley bufa alto à minha resposta.
— Se você prefere se enganar assim, não está mais aqui quem falou — resmunga.
— Que tal um mergulho na piscina? A água parece ótima! — tento mudar de assunto.
— Hum, não, obrigada. Prefiro ficar aqui e deixar o meu corpinho dourar mais um pouquinho. Você sabe, a marquinha do biquíni enlouquece os homens! — Reviro os olhos. Falou a voz da sabedoria, penso ironicamente.
— Tudo bem, então! Vou pegar uma bebida. Quer mais um desses? — aponto para o copo quase vazio.
— Sim, por favor! — diz, recolocando os fones nos ouvidos.
Levanto-me e caminho até o quiosque de frente para a piscina. Sento-me em um dos banquinhos altos e espero Fred, o garçom, vir ao meu encontro do outro lado do balcão.
— E aí, gata, o que vai querer?
— Oi, Fred! O de sempre pra mim e uma vodca pra minha amiga, por favor. — Ele assente e pega dois copos.
— Onde está o senhor fantasma? — indaga, enquanto prepara as bebidas.
Reviro os olhos, incomodada.
— Qual é, Fred, você também não! — ralho, um tanto irritada.
— Desculpe, mas estamos curiosos, Belly. Faz mais de um ano que vocês namoram e um mês de noivado, e até hoje ninguém viu esse cara.
— Não tenho culpa se ele é um homem muito ocupado! — rebato, dando de ombros. — Veja o lado bom: vocês o conhecerão no casamento.
— Isso se ele não inventar algum compromisso importante — provoca uma voz atrás de mim.
Viro-me e vejo Karol se sentando ao meu lado.
— Onde está o loiraço que estava com você? — pergunto.
— Foi pegar umas coisas. Vamos dar uma saidinha. — Ela pisca, abrindo um sorriso travesso.
— Danada! É incrível como você sempre consegue os melhores! — brinco.
Fred entrega as bebidas, e me despeço de Karol, que vai ao encontro do seu “casinho”, rumo à saída. Entrego a bebida a Shirley e me sento ao seu lado na espreguiçadeira. Enquanto ela aproveita o sol, deixo meus pensamentos viajarem para longe — para o dia em que conheci o meu noivo.
Memórias…
A música agitada fazia o chão estremecer sob meus pés. Corpos suados se moviam em perfeita sintonia com o ritmo, e eu me deixava levar — porque dançar é a única maneira que conheço de extravasar. Dancei por horas, completamente entregue ao som, e só saí da pista quando meu corpo já estava encharcado de suor e vibrando de energia. Ainda assim, me sentia viva, renovada.
No balcão, pedi uma vodca pura, sem gelo. A noite estava apenas começando, e eu queria vivê-la até o fim.
— Boa noite, esse lugar está ocupado? — uma voz masculina soou ao meu lado, alta o bastante para vencer o som ensurdecedor.
Virei-me. O homem era moreno, cabelos negros, olhos absurdamente azuis. Imponente. Bonito de um jeito que intimidava.
— Não — respondi com desdém, bebendo um gole generoso da minha vodca.
— Se incomoda? — perguntou, apontando para o banco.
— Fique à vontade. — Desviei o olhar para a pista.
— Você dança muito bem! — disse, e dessa vez conseguiu chamar minha atenção.
— Estava me observando? — perguntei.
Ele deu de ombros e fez sinal para o garçom.
— Não exatamente. Mas não tinha como não notar. Você tem um corpo lindo, e os seus movimentos deixaram muito homem louco.
Assenti, girando o corpo de frente pra ele.
— E você foi um deles? — provoquei.
O idiota abriu um sorriso. E que sorriso.
— Pode apostar que sim.
Sorri também, e sem desviar os olhos dos dele, virei a bebida de uma vez, deixando o copo sobre o balcão.
— Aceita outra? — perguntou, apontando para o copo vazio.
Mordi o lábio inferior de forma provocante.
— Não sei… é que meu pai me ensinou a não aceitar bebidas de estranhos. — Disse isso com indiferença e comecei a me levantar.
— Se o problema for esse, prazer — estendeu a mão —, meu nome é Greg Stony.
Apertei sua mão grande, de dedos longos e pele macia. O relógio caro em seu pulso brilhava sob as luzes frenéticas.
— Isabelly Sampaio de Albuquerque. — Ele sorriu de novo. E eu pensei que, se continuasse assim, não responderia por mim.
— Viu? Agora não sou mais um estranho. Então… aceita uma bebida?
Meu sorriso se ampliou. Talvez porque esse estranho tivesse o dom de me fazer sorrir — algo raro em mim, que costumo ser mais reservada.
— Tudo bem. Mais uma não vai fazer mal.
— E por que faria? — questionou.
— Porque não costumo beber mais de dois copos. Depois disso… não sou mais eu, se é que você me entende. — Pisquei.
— Não entendi, mas imagino que você não vá se abrir comigo logo na primeira noite.
— Pode apostar que não. O máximo que vai descobrir é que eu adoro dançar.
Ele sorriu. Não era um sorriso qualquer — era um sorriso sexy, perigoso, predador. O tipo que derruba qualquer defesa. Respirei fundo, bebi minha vodca recém-servida e desviei o olhar, tentando escapar da intensidade dele.
