Capítulo 9 9

Isabelly

Não acredito que o Jonas me convenceu a fazer isso! — resmungo internamente.

Se ele soubesse o quanto estou sobrecarregada com as contas das empresas japonesas e da França... e agora mais essa! Bufo, jogando-me na cadeira da minha mesa de sempre na sorveteria preferida. Peço o meu habitual — sorvete de baunilha, o meu favorito — e apoio os cotovelos sobre a mesa, exausta.

Enquanto aguardo o pedido, observo as pessoas do lado de fora pela grande janela de vidro. Olho as horas no relógio de pulso: já passa das sete da noite. Irritada, pego o celular dentro da bolsa e tento ligar para o meu noivo — o homem mais desligado da face da Terra. Para minha completa frustração, a ligação cai direto na caixa postal.

— Onde está você? — murmuro, deixando uma mensagem e tentando manter a voz calma. Mas, por dentro, minha paciência já chegou ao limite com seus atrasos e desculpas.

Mesmo após um dia exaustivo no escritório, marquei com o Greg aqui às seis e vinte. São sete e dez e... nada. Nenhuma mensagem. Nenhuma ligação.

Um rapaz de aparentemente dezenove anos coloca diante de mim uma taça generosa de sorvete e agradeço com um sorriso cansado. Ele se afasta, e eu volto a encarar o relógio pela enésima vez. Abro o celular de novo — nenhuma notificação. Suspiro fundo.

Eu entendo que ele é um homem ocupado, que vive atolado em reuniões e viagens, mas... poxa! Custa separar um tempinho pra mim? Hoje, eu finalmente pretendia marcar o jantar com a minha família e acabar com as cobranças — mas, pelo visto, não será dessa vez.

Resolvo ligar mais uma vez. O celular chama, chama... e nada.

Desisto. Guardo o aparelho na bolsa e tiro alguns documentos da pasta, tentando adiantar o trabalho.

— Oi! — uma vozinha infantil me faz erguer o rosto.

Diante de mim está um garotinho lindo, de cabelos negros e lisos, ligeiramente cacheados nas pontas. Os olhos escuros brilham com uma doçura encantadora — mas é o sorriso travesso que me desarma.

Sorrio de volta, olhando ao redor à procura de algum responsável.

— Oi! O que está fazendo aqui sozinho?

— Eu não estou sozinho. Você não vai tomar? — pergunta, apontando para a taça intocada no centro da mesa.

Dou de ombros.

— Quer?

Ele arregala os olhos, animado.

— Posso mesmo?

— Claro que pode. — Empurro a taça para ele.

Sem cerimônia, o pequeno se aproxima, pega a colher e dá a primeira colherada.

— Como você se chama? — pergunto, curiosa.

— Christopher, mas pode me chamar de Cris — responde com um ar todo sério, como um miniadulto.

— É um lindo nome, Christopher — digo, e ele sorri, satisfeito, antes de levar mais uma colher de sorvete à boca.

— Christopher! — uma voz grave corta o ar como um trovão.

O menino congela e se levanta num pulo.

— É o meu pai — murmura, num tom quase cúmplice.

Viro-me para ver de quem se trata — e me deparo com um homem de presença intensa. Moreno, alto, de expressão rígida e olhar glacial. Seu rosto está carregado de irritação, e o foco dos seus olhos azuis é todo para o menino.

— Não falei pra não sair de perto de mim, garoto teimoso?! Que saco! Vem, o Alfred está nos esperando no carro! — rosna, autoritário.

Indignada, levanto-me e o encaro.

— Desculpe, senhor, mas o garoto só estava tomando um sorvete...

— Eu me dirigi à senhorita? Perguntei alguma coisa? — rebate, frio.

Mas que sujeito insuportável!

— Não seja estúpido. Não vejo nada de mais em deixar o menino terminar o sorvete — respondo, ríspida.

Ele bufa, impaciente, e volta-se para o filho.

— Christopher, para o carro. Agora! — ordena, e então me aponta o dedo. — E você, não se meta nos meus assuntos.

— Desculpe, como disse que se chama? — pergunto, mantendo a educação.

— Para você, sou o senhor Ávila — retruca, áspero.

— Que seja, senhor Ávila. — Ergo o queixo, firme. — Só não entendo como um garoto tão doce e educado pode ser filho de um homem tão arrogante e prepotente. O senhor é um ogro. Aproveite o filho que tem e aprenda com ele o que é ter boas maneiras. Agora, se me dá licença... — passo por ele, esbarrando de propósito em seu ombro. — Passar bem, senhor Ávila. E tchau, Cris! Adorei te conhecer! — mandou um beijinho no ar e deixo o local sem olhar para trás.

Quase meia hora depois, chego ao meu apartamento, exausta. Largo os saltos no meio da sala, a maleta no sofá e a bolsa ao lado. Entro pelo corredor, desabotoando a blusa de seda, que vai parar em cima da cama. A saia, no chão. No banheiro, me livro do resto da roupa e deixo a água quente cair sobre mim, aliviando o peso do dia.

Depois, visto meu pijama de flanela preferido e vou até a minicozinha. Tiro da geladeira o resto da lasanha de ontem e coloco para esquentar no forno. Nesse instante, o celular começa a tocar. Corro até a sala, reviro a bolsa e o atendo antes que pare de chamar.

— Que droga, Greg! Onde você estava? Eu te esperei por horas naquela maldita sorveteria!

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