Capítulo 4

POV DA ELIZA

A manhã seguinte chegou mais rápido do que eu esperava — não porque eu dormi, mas porque não consegui. Nem por um segundo.

A traição gravada nos meus ossos se recusava a desaparecer. A audácia do Derek. O sorriso presunçoso da Maya. O silêncio da Diana. Eles circulavam na minha mente como abutres, dilacerando qualquer fragmento de paz que me restava.

Empurrei a última das minhas roupas para dentro da mala e fechei o zíper com firmeza. Era isso. Eu estava acabada.

Rolei a mala para fora, as rodas batendo atrás de mim como um tambor de guerra. Este prédio deveria ser um lar. Um santuário. Em vez disso, havia se tornado um cemitério para tudo o que eu havia construído.

Quando cheguei ao saguão, pronta para deixar tudo para trás, uma voz como vidro quebrado arranhou meus ouvidos.

"Finalmente deixando a mansão. Já era hora de você perceber que não é bem-vinda."

Maya.

Parei, minha coluna enrijecendo.

Ela estava lá, sorrindo como um gato que achava que tinha vencido. Sua voz gotejava veneno.

Eu não respondi. Ela não valia a pena. Eu estava acabada aqui.

Mas ela não podia deixar pra lá.

"O Rei Lycan viu o que todos nós sabíamos. Você é inútil," ela zombou. "Uma Luna que não pode lutar pelo seu bando é tão inútil quanto a sujeira sob meus pés."

Minha respiração falhou. Meu sangue rugiu.

Virei-me lentamente.

Um funcionário passou. Entreguei a mala para ela sem dizer uma palavra. "Leve isso para o carro," eu disse.

Agora, estávamos sozinhas.

"Você quer falar sobre inutilidade?" eu disse, avançando. "Vamos falar sobre você. A mulher que achou aceitável se meter em um casamento que não era dela. Me diga, Maya, foi desespero? Ou você é apenas tão vazia por dentro?"

Ela abriu a boca, mas eu levantei a mão.

"Não," eu avisei. "Você não fala quando eu estou falando."

Deixei as palavras cortarem o ar.

"Você acha que usar couro e estar em um campo de batalha te faz uma heroína? Por favor. Ninguém acredita que você realmente lutou. Você foi, no máximo, uma distração — um corpo bem posicionado com bom timing. E o Derek? Ele sempre teve uma queda por distrações."

Os lábios dela se entreabriram, surpresa. O rosto ficou pálido.

Ótimo.

Ela precisava entender que garras também podiam ser verbais — e as minhas eram mais afiadas do que as dela jamais poderiam ser.

Antes que ela pudesse se recuperar, outra voz cortou o ar.

"Não fale com a futura Luna desse jeito."

Derek.

Claro.

Ele entrou na sala como se fosse o dono, um sorriso cínico nos lábios enquanto se movia direto para a Maya e a puxava para perto.

"Encare a realidade, Eliza," ele cuspiu. "O vínculo que eu tenho com a Maya é real. Forte. Você nunca poderia entender o que nós temos."

Cruzei os braços.

"O que vocês têm é traição, Derek. Uma conexão construída sobre mentiras e infidelidade. Parabéns."

"Cuide do que você fala!" ele gritou. "Você não é nada. Uma fracassada. A Maya arriscou a vida pelo bando. E você? Você se escondeu atrás de livros e tratados. Você nunca será o que ela é."

Eu o encarei, deixando as palavras atingirem e escorregarem. Eu já tinha ouvido o suficiente.

"Você quer ela como sua Luna?" eu disse, voz afiada. "Tudo bem. Mas você vai me pagar cada centavo que me deve."

Os olhos dele se arregalaram.

"Te pagar? Você está falando sério?" Ele zombou. "Tudo que você tinha veio de mim. Das minhas vitórias. Você viveu no luxo por minha causa, e agora quer um acordo?"

Então ele disse.

"Você é uma ingrata."

Aquela palavra. Aquela palavra suja e amarga.

Minha loba se aquietou.

E algo dentro de mim se quebrou.

Em três passos rápidos, fechei o espaço entre nós e dei um tapa forte em seu rosto. O som estalou no ar como um chicote, ecoando contra as paredes de mármore.

Minha mão ardia, mas foi uma sensação maravilhosa.

"Finalmente," minha loba rosnou, satisfeita. "Dê ao traidor o que ele merece."

A cabeça de Derek virou para o lado, seus olhos faiscando, seus punhos se cerrando como se prestes a explodir.

Não dei a ele a chance.

Virei nos calcanhares e fui embora, o som dos meus saltos batendo no azulejo foi a única pontuação que dei àquele momento.

"Como você ousa pôr a mão nele?!" Maya gritou, mas a voz dela agora não passava de estática para mim.

Não olhei para trás. Saí daquela casa e nunca mais parei.

Lá fora, entrei no meu carro e dirigi. A Matilha da Lua Crescente desapareceu no retrovisor. Assim como tudo que eu achava que sabia.

Uma hora depois, a paisagem começou a mudar—árvores altas, ar denso, solo úmido de memórias.

A Matilha da Lua Prateada.

Lar.

Meu peito apertou quando o cheiro de terra molhada encheu o carro. Era muito familiar. Muito real.

E então as memórias vieram.

Sangue. Fogo. Gritos.

Estacionei o carro nas ruínas da minha casa de infância. A estrutura estava meio caída, paredes enegrecidas, bandeiras rasgadas e manchadas.

Saí do carro, devagar e tremendo.

Lá, ao lado da casa destruída, estavam as sepulturas. Minha mãe. Minha avó. Minha família.

Lágrimas embaçaram minha visão enquanto eu caminhava mais perto.

Uma vez, esse lugar tinha sido cheio de risadas. Sessões de treinamento que duravam horas. Minha mãe cozinhando sob as estrelas. Seus dedos no meu cabelo enquanto sussurrava histórias da Deusa da Lua.

Meu pai correndo pela floresta, sua voz trovejante enquanto treinava meus irmãos. O calor. O amor.

Acabou.

Tudo isso. Acabou enquanto eu estava em outro lugar—enredada nas políticas de outra matilha, cega para a tempestade que devastava meu verdadeiro lar.

Caí de joelhos, o luto me atingindo como uma onda.

Soluços silenciosos me sacudiam. Cada lágrima uma memória. Uma ferida.

"Isso não acabou," minha loba sussurrou. "Vamos fazer eles pagarem. Por tudo."

A voz dela era calma. Firme. Uma promessa.

E eu acreditei nela.

Inclinei minha cabeça para as sepulturas, deixando o silêncio ser minha oração.

Então, me levantei.

Eu tinha uma última coisa a fazer.

De volta ao meu carro, alcancei minha bolsa e peguei meu telefone.

Um nome. Uma pessoa em quem eu podia confiar.

Lily.

O telefone tocou duas vezes antes que ela atendesse.

"Lily," eu disse.

"Luna Eliza! Onde você está? Acabamos de receber notícias do Alfa Derek—"

Eu suspirei. "Eu sei. Esqueça isso por enquanto. Preciso que você reserve um voo para mim."

"Para onde?"

"O Reino dos Lycans. Primeiro voo amanhã."

Não houve hesitação. "Claro, Luna."

Encerrei a chamada e afundei no banco do motorista.

Eu estava indo para o Rei Lycan.

Eu ia fazer Derek pagar por tudo que ele devia.

E quando isso acabasse—

Eu faria cada um deles se arrepender de ter cruzado meu caminho.

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